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Cuidar de pessoas: Os desafios de manter-se saudável tratando pessoas doentes
Ipê Roxo - Instituto de Constelação Familiar | 27/01/20 | 0 comentário(s)

 

A preocupação pela manutenção da vida alheia, o cumprimento de jornadas e a pressão dos próprios pacientes e seus familiares, faz da atividade de cuidar de pessoas uma verdadeira missão. No atendimento diário e zelo pelos enfermos, profissionais das mais variadas áreas da Saúde, compartilham uma realidade que costuma ser ignorada: a de se colocarem em segundo plano, quando se trata de sua própria saúde e bem estar.

Esse comportamento é justificado pelo desejo interior de não se mostrar vulnerável. No entanto, o processo de cuidar de pessoas sem que se tenha autocuidado, pode desencadear um ciclo de desequilíbrio, que poderá trazer consequências à saúde física, mental e emocional.

Essa vulnerabilidade não representa uma fraqueza, mas sim um alerta. Trata-se da compreensão de que cuidar de pessoas exige um elevado nível de responsabilidade, o que faz com que esse profissional respeite e cuide do próprio bem-estar, em detrimento ao seu desempenho no trabalho e satisfação pessoal a partir dele.

Através da visão sistêmica , os profissionais da saúde têm transformado a maneira com que abordam os sintomas e doenças dos pacientes. Isso ocorre por meio de uma compreensão que une aspectos emocionais e físicos. Falamos sobre isso no Guia de Saúde Sistêmica: Para iniciar profissionais da Saúde na Constelação Familiar. Confira!

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Assim como pode – e deve – ser aplicado aos pacientes, a visão Sistêmica da saúde pode servir àqueles que são os responsáveis por cuidar e tratar de pessoas, compreendendo assim, que a desatenção às suas próprias emoções e saúde, poderão em algum momento refletir no corpo e até mesmo prejudicar a conexão com seus pacientes na rotina profissional. 

Conheça a seguir, alguns dos desafios enfrentados por esses profissionais.

 

A sobrecarga emocional ao cuidar de pessoas

O estresse provocado pelo trabalho faz com que profissionais de saúde se sintam menos confortáveis ao desempenharem seu papel ao cuidarem de pessoas. Duas pesquisas feitas em 2018 pela Faculdade de Ciências Médicas (FCM) – da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), relacionaram aspectos do ambiente de trabalho como responsáveis pelos casos de Síndrome de Burnout, que se desenvolve a partir de situações estressantes no convívio com outras pessoas.

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As pesquisas revelaram o impacto no estado emocional e físico do cuidador. Algumas das causas apontadas foram: excesso de trabalho, falta de reconhecimento, competitividade, baixa remuneração, falta de solidariedade e de equidade. O estudo analisou técnicos de enfermagem de um hospital público e profissionais de saúde de um hospital onco hematológico infantil.

Sob a ótica da saúde emocional, uma das pesquisas revelou que os técnicos de enfermagem com a síndrome apresentaram: desgaste emocional (23,6%), alta despersonalização (21,9%) e baixa realização profissional (29,9%). O outro estudo mostrou que a prevalência da síndrome é maior em enfermeiros (50,8%), seguidos por técnicos de enfermagem (47,3%) e médicos (38,8%).

O quadro de desgaste com as características citadas acima se estendem e demais profissionais da área de Saúde, como médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas, psiquiatras, fisioterapeutas, odontólogos, entre outros. São profissionais que lidam com situações de emergência, doenças, pressão de pacientes e seus familiares, além da morte, o que denota a necessidade da atuação a partir da saúde sistêmica.

O fato é que, por trás de um atendimento mais humanizado, está a própria humanização desse profissional. É preciso reconhecer que a exposição a situações extremas, tornam essa pessoa mais vulnerável a desenvolver problemas quando essas emoções são ignoradas, podendo se refletir na saúde mental e no corpo físico. 

No Guia de Saúde Sistêmica, o profissional pode compreender os aspectos que envolvem o desgaste emocional, físico e mental nas relações humanas e como a Constelação Familiar pode contribuir para a melhora desta realidade.

 

Manter a saúde mental em dia

Um paciente com dor ou que passa por tratamento já está exposto a uma alteração emocional, além do fato de estar em um ambiente que pode lhe trazer desconforto. Em locais em que a estrutura de atendimento é precária ou sobrecarregada, por conta do alto volume de enfermos, ainda pode haver a hostilidade entre eles, seus familiares e a equipe de saúde. Esse cenário pode levar o profissional da saúde a sentir-se preocupado mentalmente, e em seu inconsciente buscar fugas para esse incômodo.

Como já constatado em estudos e reflexões na literatura médica, no artigo Atividade médica: fatores de risco para a saúde mental do médico, o psiquiatra e professor Luiz Antonio Nogueira Martins, relata que o ambiente profissional possui os chamados estímulos emocionais, que acompanham o processo de adoecimento, como:

  • Contato com a dor e o sofrimento;
  • Ter de cuidar de pessoas e lidar com a intimidade corporal e emocional delas;
  • Atender enfermos em estado terminal ou considerados difíceis pela rebeldia, recusa em aderir ao tratamento, hostilidade,com demandas constantes ou com depressão;
  • Conviver com os limites do conhecimento da medicina ou da estrutura da assistência médica em contraponto com as cobranças dos pacientes e familiares.

A visão sistêmica da saúde traz a proposta de capacitar trabalhadores da área a entenderem a relação das doenças com o aspecto físico e emocional, bem como a compreensão da estrutura de rede familiar em que estão inseridos. 

Essa abordagem pode contribuir para o suporte psicológico que especialistas da área médica vêm recomendando aos profissionais da Saúde nos últimos anos. A partir da conscientização da própria saúde e do sistema em que vivem, esses trabalhadores podem estender sua compreensão à realidade dos pacientes. 

cuidar de pessoas saude sistemica instituto ipe roxo constelação familiar florianopolisSanta Catarina possui um projeto pioneiro em saúde sistêmica junto à uma unidade de saúde pública, na cidade de São José em Santa Catarina. Onde, através de uma parceria da equipe com o Instituto Ipê Roxo, são desenvolvidas oficinas aos pacientes e profissionais. Comprovadamente, ficou constatado a melhoria tanto no dia a dia do local por parte da equipe, quanto no processo de cura dos pacientes. 

O objetivo da Constelação Familiar na Saúde Sistêmica é de complementar a medicina tradicional, oferecendo uma visão ampla sobre o que faz o paciente adoecer, como ele pode lidar com este momento e como conduzi-lo ao tratamento proposto de forma mais personalizada e humanizada.

 

Cuidado com os desgastes físicos da rotina

Observando o dia a dia de profissionais da área da saúde, notamos aspectos relacionados à falta de atenção, que eles possuem consigo mesmos, como por exemplo:

  • Cansaço em boa parte do tempo;
  • Indisponibilidade para agendar ou ir em suas consultas médicas;
  • Reconhecer seu próprio desgaste físico;
  • Sono irregular, ou mesmo insônia;
  • Dificuldades em ter que pedir ajuda para cuidarem da própria saúde;
  • Perda ou ganho de peso;
  • Consumo de cigarro ou álcool com frequência;
  • Sinais de depressão.

Entre os profissionais de saúde, ainda há um agravante, a chamada “síndrome da invulnerabilidade médica” que faz com trabalhem mais horas por semana, tirem um período menor de férias e recorram a tratamento ou consultas de cortesia com seus colegas de profissão.

Sem o autocuidado com a saúde através de alimentação, prática de atividades físicas e consultas médicas, atender pessoas enfermas se torna uma tarefa exaustiva e ainda mais desafiadora.

 

Preocupação com o próprio estado emocional, afetivo e espiritual

No mesmo artigo do psiquiatra Nogueira Martins sobre a atividade médica, ele lista algumas características que revelam quando o profissional apresenta emoções desajustadas e que podem ser aplicadas aos demais trabalhadores da área da saúde:

  • A frieza no tratamento com pacientes e colegas mostra uma possível “couraça”, que alguns profissionais parecem vestir para não transparecer o que sentem. Esse comportamento pode se estender para a vida familiar, afetiva e social;
  • Isolamento social por conta dos compromissos, plantões e chamadas de emergência, que fazem com que o profissional fique cada vez mais apenas entre os colegas de trabalho;
  • Tendência a fazer o próprio diagnóstico e recorrer à automedicação, seja por falta de tempo ou de mostrar certa vulnerabilidade. Como se não bastasse, ainda acaba virando o médico ou consultor da família, amigos e conhecidos.

Esse comportamento poderia representar o amor à profissão, mas na verdade é a dificuldade em dizer ‘não’, e uma necessidade de buscar ajuda para encontrar equilíbrio e se manter saudável.

A desestrutura interior e a falta de coragem para identificar, reconhecer e enfrentar esses problemas podem levar as pessoas a desenvolverem quadros de depressão, conflitos na vida afetiva, dificuldades no trabalho, uso de drogas e até suicídio.

Viver sob elevado nível de comprometimento e desgaste físico e mental faz com que o trabalhador veja em sua realidade externa o reflexo do que se passa em seu interior. Os sintomas no corpo são os sinais de alerta para que ele comece a agir em nome do próprio bem-estar, a fim de mudar este cenário. A Saúde Sistêmica amplia essa visão e conduz o profissional a compreender o que ocorre interiormente e como as emoções interferem na qualidade de vida.

Uma vez que a Constelação Familiar  amplia a visão sobre  a Saúde Sistêmica, podendo esclarecer os emaranhamentos do sistema em que o profissional vive, fica mais fácil retomar atividades que contribuam para uma rotina saudável, como a prática de atividades físicas, descanso regular e o reforço à crença espiritual

 

Lidar com estresse em demasia

O senso comum sobre a estrutura da saúde pública e o aumento de pacientes em redes particulares é de insatisfação e desconfiança, o que acaba por elevar a responsabilidade de profissionais da área. Uma das maiores cobranças está na concepção de ser o profissional “que não falha”.

O profissional que se dedica a cuidar de pessoas têm de lidar com a própria fragilidade ao viver exposto à dor, às cobranças e à morte. São situações que podem gerar a sensação de impotência no trabalho que realiza. 

O acúmulo confuso de expectativas e frustrações desencadeia sintomas psicossomáticos que irão “transbordar” em algum momento, podendo levar ao adoecimento físico e em alguns casos, à síndrome de “burnout” (esgotamento): que é o resultado da contínua sensação de exaustão, ansiedade, ceticismo e irritabilidade no contato com outras pessoas.

 

Cuidar de pessoas: driblando os desafios e mantendo-se saudável

O caminho para lidar com o desgaste ao cuidar de pessoas é saber que a qualidade do serviço que se deseja prestar está diretamente atrelada à você, seu bem estar e sua satisfação profissional. O autoconhecimento leva o profissional a lembrar o que motivou seu desejo de trabalhar com pessoas enfermas, quem ele é como ser humano e quais valores considera importantes para conviver em sociedade e promover o bem-estar do próximo.

Na visão da saúde sistêmica, a doença não é vista como um inimigo do restante do ser. Ela atua a serviço da saúde do corpo, indicando o que não vai bem interiormente. Sob o olhar da Constelação Familiar Sistêmica, entende-se que a doença surge em decorrência de questões armazenadas no inconsciente. Ao permitir o conhecimento dessa relação entre os aspectos emocionais ou físicos, há uma tendência a se colocar mais aberto para manter-se saudável.

A postura sistêmica a partir dessa transformação que o profissional se propõe, permitirá que ele tenha uma percepção mais profunda sobre a particularidade de cada paciente e como conduzi-lo ao processo de cura. Assim como traz reflexos a ele mesmo.

cuidar de pessoas saude sistemica instituto ipe roxo constelação familiar florianopolisTurma de Formação em Constelação Familiar no Instituto Ipê Roxo

Acesse o Guia de Saúde Sistêmica: Para iniciar profissionais da Saúde na Constelação Familiar, que detalha os principais aspectos do elo entre corpo e inconsciente e como essa ferramenta pode ser aplicada ao cuidar de pessoas como complemento à medicina tradicional.

O Instituto Ipê Roxo trabalha há mais de dez anos com cursos e eventos no universo da Constelação Familiar e Sistêmica. Há, inclusive, a Capacitação em Saúde Sistêmica, destinada a profissionais das diversas áreas ligadas à saúde.

 

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