[Pedagogia Sistêmica] – O que as Constelações Familiares têm a ver com a escola e a sala de aula?

Neste post especial, selecionamos um texto escrito por Simone de lima Fritzen, pedagoga e parte da equipe do Instituto Ipê Roxo, para trazer um relato da aplicação da Pedagogia Sistêmica por quem pratica e vivenciou os resultados que este conhecimento pode trazer.

A pedagogia sistêmica é um convite do campo da educação para os conhecimentos da Constelação Familiar como suporte no método de ensino. É através dela que os conhecimentos de Bert Hellinger entraram na sala de aula.

Sua aplicação foi aprofundada por Marianne Franke-Griscksch, uma professora e terapeuta alemã que aplicou por muitos anos os conhecimentos do trabalho sistêmico com seus alunos e viu os resultados se multiplicarem.

E é sobre isso que falamos neste texto: Um relato, uma professora, uma nova postura, muitas aprendizagens…

O que as Constelações Familiares têm a ver com a escola e a sala de aula?

Por Simone de Lima Fritzen, pedagoga


“Desde muito pequena, quando comecei a entender um pouco mais do mundo que me cercava e a perceber as relações que ali se estabeleciam, sempre tive meu olhar voltado para as crianças.

Eu, ainda criança, cuidava dos primos, da irmã, brincava de ser professora e sonhava com um mundo onde as crianças tivessem voz, que fossem olhadas, cuidadas e pudessem expressar a sua genuína natureza.

Coincidência ou não, posteriormente escolhi a profissão de pedagoga. Agora com o olhar mais apurado, com os pensamentos cheios de teoria, surgiu o momento de colocar em prática tudo aquilo que eu havia sonhado e aprendido.

Ao contrário do que eu pensava, me deparei com um mundo que exigia de mim muito mais do que os textos aprendidos na Universidade. Exigia estar totalmente disponível para aprender o que estava além dos livros, do quadro negro, do caderno, das palavras.

Sim, olhar para “além do aparente”, para além daquilo que o meu julgamento poderia alcançar, do que os meus olhos poderiam ver, mas que eu conseguia sentir.

Um papel que se amplia

Sentir a dor da criança que não consegue aprender, da criança que não consegue falar, da criança que não consegue parar de bater ou de apanhar…

Confesso que por um tempo caminhei sem querer ver, com os olhos vendados e os ouvidos tampados.

Contudo algo me impulsionou para o MAIS. Hoje eu sei que foi o grande amor da minha família, e na busca por autoconhecimento me encontrei e achei também uma criança, a minha criança, cheia de dor, de ressentimentos e de reivindicações.

Atravessar o caminho das sombras e crescer não foi fácil, mas foi o passo mais importante para que eu pudesse estar totalmente presente na sala de aula como professora.

Novas ferramentas

No caminhar do meu processo terapêutico, gostaria de destacar o trabalho com as Constelações Sistêmicas Familiares, como o ponto chave para a minha mudança e a cura de muitas dores.

Criada pelo alemão Bert Hellinger, as constelações familiares me levaram a refletir sobre a minha postura diante da vida, a vida que meus pais me deram.

Embasado nas suas observações, estudos e experiências fenomenológicas, Bert Hellinger descobriu três leis que regem a nossa vida: a lei da ordem, do equilíbrio e do pertencimento.

A lei da ordem diz que quem veio antes de nós tem o direito de precedência, a lei do equilíbrio fala sobre a importância do dar e o tomar e a lei do pertencimento diz que todos têm o direito de fazer parte do sistema em qual nasceram.

Segundo Hellinger, sempre que infringimos uma dessas leis algo não vai bem na nossa vida e assim sofremos as consequências, na maioria das vezes, sem nem ter consciência.

Respeitar estas leis, as quais Bert intitula como “As Leis do Amor”, permite que o amor, passado por todas as gerações até chegar a nós, flua e possamos ter sucesso, saúde e prosperidade em todas as áreas da nossa vida.

Um novo olhar

Mas o que estas leis têm a ver com a pedagogia e a educação? Tudo!

Pois elas atuam em todos os sistemas, sejam eles familiares ou organizacionais. A partir dos meus estudos e da minha formação na área das Constelações Familiares, pude compreender como As Leis do Amor atuam na sala de aula e na escola como um todo.

Com esta nova postura meu olhar sobre as famílias, as crianças e a instituição mudaram completamente.

Os julgamentos foram os primeiros a ser deixados para trás e com isso o respeito e o reconhecimento que as famílias são a base, para que o meu trabalho na sala de aula aconteça com mais fluidez.

Diante disso, também foi necessário me despir de estereótipos e da ideia mágica de crianças perfeitas, reconhecendo que cada uma carrega consigo o amor e a dor do seu sistema familiar, colocando em meu coração principalmente aquelas que pareciam mais difíceis.

Alunos difíceis

Em suas observações Bert Hellinger pôde constatar que as crianças difíceis são as que mais amam seus sistemas familiares e por amor denunciam que algo não vai bem (quebra da lei do equilíbrio), está em desordem (quebra da lei da ordem) ou que está faltando alguém (quebra da lei do pertencimento).

Em uma análise mais profunda, quando colocou em uma constelação familiar um caso de uma criança difícil, Bert relata em seu livro “Olhando para a alma das crianças” que:

“A criança difícil está em ressonância com outra pessoa. Então, ao invés de querer corrigir o problema, por exemplo, através de advertências de que nada adiantam, olhamos com a criança para a pessoa em sua família que quer ser acolhida. Essa ideia já nos alivia e alivia a criança também. Ela já não é “tratada” por nós, vamos com ela por um certo caminho. Nesse caminho, ela se sente segura conosco.”

Em minha experiência pude observar esta segurança quando as crianças se sentiam a vontade com a minha presença, acolhidas para se expressar e aprender.

O papel do professor

Nesse caso, conseguiremos ser professores bem sucedidos quando colocamos os pais das crianças no nosso coração e sem julgamentos “do como deveria ser” respeitando o destino das crianças exatamente como é.

Por vezes, ficamos chocados quando dizemos “aceitar o destino das crianças exatamente como é”, pois de certa forma aprendemos que somos salvadores e que temos o poder de transformar a vida das crianças.

Entretanto, aprendi que tudo que conseguimos julgando os pais, é que as crianças se voltem contra o professor, fiquem bravas e até mesmo limitem o seu aprendizado.

Marianne Franke, grande professora e consteladora familiar, pioneira em divulgar o seu trabalho com a Pedagogia Sistêmica em várias partes no mundo, em seu livro “Você é um de nós” nos relata que as constelações familiares a conduziram a uma nova compreensão dos alunos.

Ela escreve:

“vi como estão inseridos em suas famílias e sua lealdade a elas. Mas também reconheci as forças que empregavam constantemente para ligar sua vida familiar à escola e percebi que essas forças poderiam ser frutíferas. Na verdade, isso acontece quando nós, professores, abrimos nosso coração às famílias, permitindo-lhes entrar em nossa sala de aula como uma presença invisível e permanente.”

Sim! Para a criança talvez esta seja a melhor sensação, quando o professor a vê e atrás dela também vê os seus pais e respeita, no seu coração, toda a grandeza que vem através dela.

Por isso, diz-se que, dentro da postura sistêmica, um bom lugar, o lugar que impulsiona a criança para o MAIS, é o professor colocar-se em último lugar numa hierarquia entre pais, filhos e escola.

Sabendo que os pais tem precedência nessa relação, pois são eles que deram a vida à criança e a levaram para a escola.

Os pais estão na escola

Léo Costa, educador sistêmico, em seu artigo “Educação Sistêmica: o lugar dos pais na escola” também afirma esta questão dizendo que “Os pais, portanto, são os iniciadores, por isso cabe a eles não só o primeiro lugar, mas o lugar de honra na escola.”

Uma vez reconhecido esse lugar dos pais, partimos para a instituição e dentro dela também se estabelecem os lugares de cada um.

Dentro de uma hierarquia entre diretores, coordenadores, professores, serventes e merendeiras, é importante que cada um exerça o seu papel e respeite o lugar do outro.

Certamente, quando alguém reconhece o seu lugar e sabe que aquele é o melhor lugar pra si, se sente bem e consegue exercer bem a sua função.

Contudo, aquela pessoa que tenta ocupar o lugar do outro, buscando realizar funções que não lhe compete, este sim, sentirá uma pressão, uma sensação de peso e provavelmente será aquela que está sempre reivindicando dentro da instituição, já que ela está continuamente dando a mais, infringindo não somente a lei da ordem, como também a do equilíbrio.

O respeito pela ordem

Também é importante, na relação com os seus próprios pais, que o professor os tenha num lugar de respeito e gratidão pela vida que recebeu, sabendo que eles vieram primeiro e os colocando no coração.

Dessa forma, sentindo esse movimento respeitoso do professor, sua postura de ordem e coerência diante a sua própria vida e da instituição, a criança se sente segura, pode avançar e aprender.

A partir do que relatei acima, colocando minhas experiências e aprendizagens ao longo da minha trajetória como pedagoga, sinto hoje imensa gratidão por todos os caminhos que a vida me trouxe até agora.

Sabendo que as dificuldades apresentadas nos contextos escolares em que tive a oportunidade de passar, foram muito importantes para que eu pudesse avançar em meus estudos.

Percebo agora que o caminho da Pedagogia Sistêmica faz todo o sentido para mim e que talvez eu tenha achado as respostas para muitas indagações.

Ousaria dizer que a Pedagogia Sistêmica, é a “Pedagogia do Amor”, pois inclui a todos e tudo que cada um carrega em seu coração. Trazer essa postura para sala de aula e para a escola foi para mim um despertar para uma nova percepção de mundo e dos contextos dos quais trabalhei.”

 


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