É saudável evitar o divórcio por causa dos filhos?

Recebemos muitos contatos a partir dos nossos artigos e algumas pessoas descrevem dificuldades em suas vidas: elas perguntam como podem olhar para isso com base no conhecimento da Constelação Familiar.

Esta é uma situação que exige muito cuidado pois, por respeito e por ética, não prestamos conselhos, diagnósticos e nem atendimento por estes canais. Qualquer caso deve ser olhado a partir da escuta do profissional, no lugar adequado e com a possibilidade de acompanhamento, quando necessário.

Porém, em algumas situações, alguns desses comentários nos motivam a escrever sobre assuntos, que acreditamos que possam ser úteis para muitas outras pessoas.

Foi assim que chegamos ao texto de hoje. Uma leitora nos enviou uma questão de sua vida, em que falava que permanecia no casamento apenas pelos filhos. Ela disse que já não sentia mais amor pelo cônjuge, mas que fazia tudo para manter o casamento pelos filhos.

Mas estou ficando doente física e emocionalmente. .. não me sinto livre. Será que estou fazendo o certo pelos meus filhos? Estou dando o que eles precisam, que são os pais? Ou será que estou invertendo isso ao me sacrificar? Eles podem um dia se sentir responsáveis pela minha infelicidade? Ou será que eu devo disfarçar a dor pra eles nunca notarem?”

Ela termina seu relato perguntando o olhar da constelação para esta situação.

Relacionamentos são movimentos complexos em nossas vidas. Não é possível planificar com instruções do que é certo ou errado a ser feito. Porém, podemos descrever um pouco sobre o pano de fundo das dinâmicas que são trazidas pelo olhar da Constelação Sistêmica. 

Então, com base nas questões que foram trazidas pelo questionamento da leitora, vamos trazer algumas considerações que podem ajudar a ampliar um pouco mais o olhar sistêmico nos relacionamentos.

Ficar no relacionamento pelos filhos

O relacionamento é a disponibilidade para o vínculo afetivo entre duas pessoas. Elas se atraem, primeiramente, pelo que são em sua essência. É isto que Hellinger traz quando fala da dinâmica do relacionamento.

Os filhos são resultado do relacionamento, portanto, vêm depois do relacionamento. O relacionamento de casal tem precedência em relação aos filhos, uma vez que é determinante para a existência dos mesmos.

É possível observar que a ordem é transgredida quando o casal justifica estar junto por causa dos filhos, ainda que na superfície isso seja feito com base em uma “boa intenção”. 

De fato, filhos se sentem bem em ver seu pais juntos e em harmonia. Porém, se o desejo de continuar juntos como casal deixa de existir, a infelicidade dos pais passa a ser um fardo na alma dos filhos. Isso acontece principalmente se eles percebem que esta infelicidade está sendo mantida por causa deles.

O respeito ao vínculo

O respeito aos filhos pode ser demonstrado a partir do respeito aos vínculos que eles representam, mesmo se o relacionamento de casal (homem e mulher) deixar de existir.

Em sua alma, os filhos desejam, principalmente, que aquilo que carregam tanto do pai quanto da mãe seja respeitado e reconhecido de igual maneira por ambos.

Dessa forma, quando um relacionamento termina, o mais importante ao ex-casal é respeitar-se reciprocamente, pois os filhos perceberão isso como respeito a eles.

Estamos falando de laços profundos que unem uma família. Assim, sustentar uma situação com base em uma infelicidade, traz a todos os integrantes o peso de ver alguém do próprio sistema se sacrificando, algo que não é positivo e nem permite o crescimento.

 

O que é a felicidade?

No papel de pai e mãe, o que está sendo passado aos filhos quando uma situação como esta é mantida? Muitas vezes, o prejuízo emocional não é considerado.

Qual é a mensagem implícita que é passada aqui?

Nas decisões da vida, como um todo, é preciso lidar frequentemente com questões de culpa e inocência.

Num caso assim, a culpa, no olhar sistêmico, surge a partir da coragem e da necessidade de romper um mandato familiar, com respeito ao que foi, buscando crescimento.

Já a inocência é a decisão de não se pagar o preço necessário para crescer. É mais leve e por este motivo, mais fácil de ser vivida.

O crescer sempre envolve o sentimento interno de culpa, que tem a ver com assumir aquilo que internamente sabemos ser necessário ser feito, ainda que muitas vezes nos exija um grande esforço emocional.

Pai e mãe

Outro ponto fundamental a ser percebido é que o pai e a mãe não se separam, uma vez que permanecem unidos na concretização deste vínculo, que são os filhos.

Como assim? Você poderia nos perguntar.

Os pais nunca se separam. Quem separa é o homem e a mulher, que desempenham os papéis de pai e mãe. São funções absolutamente diferentes.

Quando eles sentem a necessidade de seguir seus caminhos separados, o relacionamento como casal termina, porém, o relacionamento como pais – a paternidade e a maternidade – permanece para ambos, para sempre.

Essa divisão nos papéis é importante pois os filhos se sentem seguros quando percebem que os pais se reconhecem e se respeitam como partes que compõe o que o filho é. Não é preciso ter exclusão neste processo.

De certa forma, a felicidade dos filhos em relação aos pais vêm em grande parte do respeito que os progenitores demonstram um ao outro, pois assim os filhos se sentem seguros do que são e de sua origem.

 

Relacionamentos 

Muitas dinâmicas transpassam no relacionamento de casal. O olhar que colocamos aqui é uma breve explicação de algumas questões que surgem a partir do comentário trazido pela leitora.

Uma forma de olhar profundamente para o que atua em cada questão é a partir do atendimento em Constelação Familiar.

Nos workshops de atendimento, é possível verificar o que atua na dificuldade enquanto casal ou nas dinâmicas que mantêm o relacionamento na forma como ele se apresenta atualmente.

Muitas vezes, um ou os dois lados carregam questões de sua família de origem que se manifestam no relacionamento de casal.

Outras vezes, um ou ambos estão atuando movidos por uma lealdade familiar invisível, que os leva a repetir um padrão familiar: sempre há muito o que se considerar quando falamos de relações humanas. Não existe fórmula ou receita, cada ser e cada relacionamento é único.

A constelação familiar é uma forma de olhar para estas questões, auxiliando na compreensão e na tomada de decisão necessária para seguir adiante.


Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br | Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


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