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A “boa” ajuda no campo da saúde: uma postura sistêmica e respeitosa
Ipê Roxo - Instituto de Constelação Familiar | 12/08/19 |

 

Será que toda ajuda é boa? Será que é possível errar ao oferecer ajuda ou apoiar alguém? Como a intenção de ajudar pode se tornar uma interferência no destino das outras pessoas? Saiba mais neste artigo sobre a “boa” ajuda no campo da saúde: uma postura sistêmica e respeitosa.

Bert Hellinger traz em sua obra, em diversos livros, uma série de reflexões sobre a boa ajuda e a boa postura do ajudante.

Somos capazes de oferecer ajuda em nossas relações pessoais, familiares e também na nossa profissão. O que Hellinger nos ensina é a boa postura para oferecer ajuda, sem que isto se torne uma intromissão no destino daquele que recebe a ajuda.

Principalmente na cultura atual, é difícil perceber que a ajuda pode ter um lado que prejudica ao invés de auxiliar. Por isso, as palavras de Hellinger se tornam tão fortes e esclarecedoras.

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Leia abaixo o trecho “A ajuda”, escrito por ele no livro “Liberados somos concluídos” e conheça mais sobre a postura sistêmica para um bom auxílio aos que precisam.


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A ajuda
por Bert Hellinger, no livro “Liberados somos concluídos.”

Ajudar é perigoso, pois pode ser uma intervenção no movimento de uma outra alma e pode perturbar esse movimento. Portanto, quando desejo ajudar, devo primeiro entrar em harmonia com a alma do outro e aguardar que a sua alma entre em harmonia com a minha, até que ambas estejam na mesma vibração.

Então, posso conduzi-lo em harmonia com a minha alma e com a dele, somente como acompanhante de sua alma e somente até onde a sua alma e a minha permitirem.

Ipê comenta: Como sociedade, construímos em torno da palavra ajuda um sentido extremamente positivo de dar a outras pessoas algo que elas não têm e, dessa forma, exercemos o papel de possibilitar a elas algo novo.

Porém Hellinger nos chama atenção para o outro lado da ajuda, quando ela passa a ser uma intromissão no destino alheio. Por isso, para que a boa ajuda aconteça, precisamos estar livres de intenções e de ideias, para estar abertos para o que verdadeiramente é necessário para a outra pessoa a quem oferecemos auxílio.

Isso é especialmente importante no campo dos profissionais de saúde física e mental.

Quando oferecemos ajuda fora desse lugar de respeito, sem estar em harmonia com o cliente, seu sistema e seu destino, estamos interferindo no seu caminhar. O mais perigoso deste movimento é que nós podemos estar fazendo isso em benefício próprio, pois a sensação que nos resulta é de sermos vistos como superiores aos outros, o que nos leva a uma armadilha do ego.

O foco então passa a ser nós mesmos e os outros se tornam uma mera ferramenta para se alcançar o objetivo de sermos bem-vistos e valorizados.

Ao ajudar, posso sentir se estou em harmonia com minha alma se durante a ajuda puder estar absolutamente calmo e puder parar a qualquer momento.

Quando avanço em demasia, percebo que minha alma se retrai, que ela fica irrequieta, que começo a pensar ao invés de agir. Então, não estou mais em harmonia com minha alma nem em harmonia com a alma do outro.

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Quando o outro ficar irrequieto, sei que ele também não está em harmonia com a sua alma. Então, paro imediatamente.

Às vezes, quando quero ou preciso ajudar alguém, quando as circunstâncias me obrigam inexoravelmente, percebo que devo empreender passos que são perigosos e, para isso, é necessário coragem.

Ipê comenta: A coragem que Hellinger fala aqui é a de poder atuar conforme a necessidade do outro, e não com uma ideia pré-concebida em relação à ajuda que ofereço.

Um bom exemplo para se compreender melhor isto é, por exemplo, quando precisamos tomar atitudes mais firmes e que não são simpáticas aos olhos dos outros, mas que trarão melhores resultados para a pessoa que recebe a ajuda.

Esta é uma forma de exercer o amor maior nas nossas relações, seja pessoal, seja profissional.

É necessário coragem pois, nesse momento, sentimos que, ao tomar estas atitudes, colocamos em risco nosso pertencimento. Assim, é preciso coragem para atravessar o risco real e estar disponível para auxiliar o outro, da forma como é necessário.

Esses passos são perigosos à medida que sei que uma outra pessoa que está presente, porém que não está em harmonia com a sua alma, possa mais tarde me repreender, talvez até me acusar, porque estou fazendo algo que ele(a) julga ser errado, apesar de ele(a) mesmo(a) não se comprometer com o que o cliente necessita e quer.

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Então talvez comece uma disputa de poder comigo às custas do cliente e sacrifique o bem do cliente à sua concepção. Frequentemente encontramos isso naquelas pessoas que pertencem a uma escola específica e que constroem suas teorias, em parte, sobre dogmas.

Então exigem de mim que compartilhe desses dogmas e os siga, apesar da realidade imediata não os justificarem.

Ipê comenta: Um dos aspectos da postura sistêmica é reconhecer que cada cliente que chega traz consigo um sistema com todas as suas particularidades.

Quando tentamos encaixar uma linha de pensamento, teorias e dogmas desconectados da realidade do cliente, ou da pessoa que ajudamos, esquecemos o foco verdadeiro da nossa ajuda: o cliente e seu sistema.

No trabalho da Constelação, isso se mostra ainda mais verdadeiro: cada cliente possui uma história única e, ainda que seja possível reconhecer algumas dinâmicas mais comuns, não é produtivo entrar no trabalho com  ideias pré-concebidas.

Quando achamos que já sabemos o que é melhor para o outro, nos desconectamos do cliente e do que se mostra em seu sistema e passamos a encaixar nossas idéias na situação. Nesses casos, o adequado seria estar aberto para observar e permitir ao cliente ver o que verdadeiramente atua em seu sistema.

Portanto, por um lado o ajudar necessita da harmonia e, por outro, da coragem. Necessita também da prontidão para interromper onde a harmonia cessar, pois não sabemos o que é apropriado para cada indivíduo.

Quando a harmonia cessa, a ajuda também deve cessar. Então, desistimos do ajudar.

Quando me sinto responsável por alguém depois de tê-lo ajudado, dentro dos limites que ressaltei, passo a exercer um papel que não me cabe. De repente sou para ele pai ou mãe, talvez entre em concorrência com seu pai e com sua mãe e, com isso, fico paralisado.

Portanto, a ajuda também deve estar em harmonia com o pai, a mãe e a família. Dentro desse contexto o ajudar não atinge somente o cliente: atinge também sua família e, através da harmonia com sua família, ganha uma força especial.

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