Olhando para o que compõe o Masculino

Estamos em um tempo em que é necessário olhar para o que compõe e o que é o Masculino e o Feminino em nossa sociedade.

São papéis essenciais e que passam por uma revisão do que é cada um.

No Instituto Ipê Roxo, contamos com dois programas especiais que olham para estes papéis. O primeiro, conduzido pela psicóloga Sonia Farias é chamado de “Lobas”.

Neste trabalho, baseado no livro da Clarissa Pinkola Estés, são trabalhadas questões relacionadas ao arquétipo feminino, em um trabalho exclusivo para mulheres.

O segundo é o trabalho desenvolvido pelo psicólogo Paulo Pimont, através do projeto “Homem Inteiro”, onde é aprofundado o olhar para o masculino.

Neste projeto, Paulo utiliza como livro base “João de Ferro”, de Robert Bly.

“Desde que conheci este livro de Robert Bly, esta história vem me desafiando pessoalmente e profissionalmente a olhar para o masculino de uma forma muito profunda.

O que é ser homem?

Existe diferença entre ser homem e apenas um ser do sexo masculino?

Como é fazer a transição de menino para homem?

Será que sou mesmo um homem maduro?

Ser homem em nossos dias, com todas as mudanças culturais que temos vivido, tem se tornado um terreno bastante nebuloso, já não podemos mais assumir a função de provedor e deixar todo o resto com as mulheres. Nosso papel é muito maior que esse!”

Paulo Pimont

Homem Inteiro

Do trabalho com grupos de homens, Paulo vem estudando e ampliando o conceito do masculino e a forma como é o papel do homem hoje.

Trazendo um pouco da sua observação, Paulo escreveu para nosso blog, baseando-se naquilo que Robert Bly traz em seu livro, no trabalho em grupo e na sua vivencia pessoal.

Se por vezes o linguajar parece “duro”, é porque isto também está contido no masculino. Como a Constelação Familiar é bem clara em reconhecer, há uma certa firmeza que vem apenas do pai, o local de onde todos nós temos nosso primeiro contato com o masculino.

Leia o texto abaixo e aproveite para conhecer um pouco mais o caminho para o homem inteiro.


3 características de um homem pouco masculino

(texto inspirado em uma passagem no livro João de Ferro de Robert Bly)

Escrito por Paulo Pimont, co-fundador e professor do Instituto Ipê Roxo; é também o idealizador do projeto @homeminteiro, um programa de desenvolvimento pessoal para homens.

A masculinidade tem sido um assunto controverso nos nossos dias, algo criticado, quase excluído.

Pedimos aos homens que se tornem mais femininos, porém o que vemos é que esse caminho acaba por transformar o homem em um ser sem vitalidade.

Perder o contato com o masculino é se afastar da fonte da virilidade do homem.

Homens sempre foram admirados por sua proatividade, por serem desbravadores e conquistadores, porém desde as décadas de 60 e 70 tem surgido um outro tipo de homem, um homem “frouxo”, sem força e sem qualquer ligação com um propósito.

Este homem até parece ser um bom ouvinte e atrai mulheres e amigos que se unem em um coro de lamentações. Assim não agem, e não produzem nenhum movimento de mudança ou crescimento

Muitos homens buscam uma elevação espiritual como forma de se sentirem inocentes e puros, porém mantêm-se longe do concreto e da força necessária para estarem presentes para a mulher, os filhos e amigos.

Passividade

Internamente é passivo o homem que luta para ser aquele bom menino que a mãe deseja. Assim se mantém distante do seu pai e da linhagem masculina da família. Essa lealdade à mãe em suas frustrações com o pai, leva o homem a permanecer menino.

“O homem passivo pode fugir à condição de pai.

Tal condição envolve sentimentos, mas também a execução de todos os tipos de tarefas aborrecidas: levar os filhos à escola, comprar-lhes jaquetas, comparecer a concertos, estabelecer horários e regras de comportamento, decidar as consequências quando tais regras são violadas, vigiar os amigos do filho, ouvir o que a criança diz com interesse etc.

O homem passivo deixa isso para sua mulher” (Robert Bly)

Ingenuidade

O homem ingênuo justifica todas suas atitudes em uma boa intenção, logo acaba traindo e sendo traído pelas pessoas ao seu redor.

É incapaz de ver dentro de si a parte que quer permanecer doente e infantil. Ele não sabe a diferença entre ser homem e ser menino, porque nunca aprendeu a vibração da “frequência” masculina.

Muito distante do pai acaba se afastando de outros homens que considera más influências.

Por se achar bem-intencionado, a sinceridade é um valor importante para esse homem, e espera que por ser sincero tenha o perdão daquele que se sentiu machucado por ele sem qualquer necessidade de reparação.

Ele é capaz de chorar, mas quando chora mergulha num estado de vitimização mesmo que tenha sido ele que causou um dano ao outro. Neste estado de vitimização ele se xinga e crítica todos os homens, principalmente seu pai que ele considera o culpado maior.

O homem ingênuo em um relacionamento amoroso provoca a traição e é constantemente deixado.

Insensibilidade (anestesia)

Pensamos em um homem insensível como alguém que não se importa com o sentimento dos outros, porém o homem verdadeiramente insensível é um homem anestesiado por dentro.

Esse adormecimento interno do homem se expressa na sua dificuldade de expressar o que realmente sente e o que realmente quer. Ele se tornou uma substância nem quente nem fria, do pescoço pra baixo.

Quando ele olha pra dentro de si vê uma pedra, ou um espaço vazio.

Algumas mulheres ficam desesperadas com um homem que não consegue se expressar, mas é possível que quando ele investigue seus sentimentos ele não consiga encontrar absolutamente nada, deixou de sentir e de querer algo por si mesmo desde que assumiu a tarefa de ser o companheiro da mamãe.

Ele se acha muito bom em identificar o que os outros estão sentindo ou querendo e se desdobra para agradar, mas não sabe dizer o quer de verdade e não tem a força para insistir nisso.


Conheça mais sobre o projeto de Lobas e do Homem Inteiro.

Entre em contato conosco pelo formulário abaixo. 

Um comentário em “Olhando para o que compõe o Masculino

Deixe uma resposta