A adolescência e os desafios dessa fase dos nossos filhos

Como pais e mães, muitas vezes olhamos para a criação dos filhos e nos sentimos frustrados por não saber direito o que fazer ou por reconhecer que estamos tendo dificuldades ao exercer a nossa parentalidade.

Olhamos para nossos próprios pais e nos comparamos, acreditando que eles tiveram uma capacidade de resolver algo que hoje nós sentimos não ter. Outras vezes, ficamos tão determinados “a fazer diferente” de nossos pais, que de repente nos encontramos sem referências para a tarefa de criar os filhos.

Isso é normal e faz parte deste caminho que é se tornar pai e mãe.

Principalmente quando os filhos entram na adolescência – uma das fases mais desafiantes do desenvolvimento humano – essas dúvidas parecem surgir com muita força.

Neste texto de hoje vamos trazer um pouco mais de informações sobre esta fase de desenvolvimento e algumas percepções importantes da psicóloga Maria Inês Araujo Garcia Silva, que trabalha há mais de 35 anos com a psicoterapia familiar.

 

Ouvir e reconhecer

É importante para os pais reconhecerem primeiramente que a adolescência é uma fase transitória. E nesta fase, o adolescente busca experimentar o mundo que está a sua volta. Isto é vital e importante para o desenvolvimento desse filho como ser humano.

Porém, uma boa dica para os pais, uma vez que é difícil controlar para onde o olhar do adolescente vai, ou o que lhe gerará curiosidade e interesse, é desenvolver o senso de responsabilidade com aquilo que o filho fará com a sua curiosidade.

Para isso também é necessário que nós, como pais, também estejamos alinhados com a nossa responsabilidade para com eles.

Escutá-los com atenção, guiá-los com bom senso, discernimento e respeito com aquilo que eles manifestam nesta fase é um primeiro passo importante.

O adolescente, na medida que se sente escutado e validado naquilo que é importante para ele, estará mais apto a corresponder de forma  positiva àquilo que é repassado para ele como importante para o seu desenvolvimento.

           

Adolescentes serão adolescentes

Nesta fase marcada pela experimentação, é importante os pais estabelecerem os limites que consideram vitais para a segurança do filho, mas que também possam compreender que o adolescente se moverá pela sua curiosidade atiçada.

Neste tópico, por exemplo, existe o grande medo dos pais em relação às drogas. Um medo com razão de ser.

Há de se considerar que o controle total das ações de um adolescente é inviável. Eles darão um jeito para explorar o mundo, como for possível.

Então, o melhor caminho é construir um relacionamento claro e transparente com os filhos, e a partir do lugar dos pais, estabelecer a realidade que existe nas experimentações dessa fase.

“Nós precisamos orientá-los sobre a decisão e as consequências que elas terão.”  Maria Inês Araujo Garcia Silva

Os filhos precisam estar ciente das consequências e da responsabilidade que eles têm com as suas ações, decisões e atitudes. Não transformar o tema em tabú dentro de casa, para que isto possa ser discutido, é uma dica importante nesta fase do desenvolvimento.

E a visão sistêmica?

Hellinger não traz muitos conteúdos específicos sobre a adolescência, porém seus estudos e observações falam muito sobre a influência do sistema familiar nos filhos.

De forma resumida, os filhos são os integrantes mais vulneráveis à influência sistêmica. Isso quer dizer que quando, de alguma forma, há a necessidade da repetição de uma dinâmica para trazer  uma informação ou exclusão à tona para a família, é bem possível que as crianças e jovens serão mais propensos a se conectar com esta informação do campo familiar.

Essa vulnerabilidade acontece principalmente quando crianças, mas também na adolescência, pois nestes períodos esses filhos serão os integrantes mais novos do sistema, e por isso, os mais vulneráveis a tomar algo para si, de forma inconsciente.

É a esse amor cego que os pais precisam estar atentos, até porque o movimento dos filhos surge como uma tentativa de resolver algo no lugar dos pais.

Dessa forma, se manifesta nos filhos a dificuldade que o casal pode estar passando, tabus familiares, exclusões de integrantes de gerações anteriores, etc.

O papel dos pais

Neste olhar trazido por Hellinger, os filhos se colocam como disponíveis para resolver, de forma inconsciente, aquilo que os adultos evitam olhar. E isto não é feito por escolha deles.

Quando há a transgressão das leis dos relacionamentos (ordem, pertencimento e equilíbrio) entre membros do sistema, uma pressão exercida se manifesta nos integrantes, especialmente os mais novos, e os empurra em direção à repetição de uma dinâmica que traga a informação a ser incluída ou vista.

Isto é o ponto central do estudo e do trabalho de Bert Hellinger há mais de 40 anos, e pode ser observada claramente no trabalho desenvolvido pela terapia breve de Constelação Familiar.

Aos pais, a dica é buscar resolver aquilo que eles sentem como difícil em suas vidas. Pois, ao olharem para estas questões, estarão evitando a influência e transmissão delas para seus filhos.

Dessa forma, eles encontrarão um caminho de desenvolvimento mais livre e mais saudável.


Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br | Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


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