A mãe e o seu papel na vida e no sistema familiar

mãe

A mãe e o pai são as figuras centrais na vida de qualquer pessoa. Nossa vida se inicia a partir deles e a nossa caminhada é muito influenciada pela cultura da nossa criação e dos valores repassados por eles.

Bert Hellinger, um dos grandes nomes da Constelação Familiar e um de seus principais desenvolvedores, observou que tanto o pai quanto a mãe também trazem influências profundas para os filhos, além daquelas geradas pela convivência do dia a dia.

Esta semana, ao nos aproximarmos do Dia das Mães, vamos trazer neste texto uma reflexão mais profunda sobre as influências trazidas pela nossa mãe. Queremos entender, a partir do olhar sistêmico,  a forma como nos relacionamos com ela nas nossas vidas.

É importante lembrar o que Hellinger escreveu: a forma como tratamos a nossa mãe é a forma como nos colocamos na vida.

Leia este artigo especial do Instituto Ipê Roxo e descubra algo novo sobre você e sua família.

Quem é a nossa mãe?

É difícil para nós, como filhos, termos uma imagem realista da nossa mãe. É comum aplicarmos um olhar idealizado para ela, atribuindo características que falam muito da admiração que nós sentimos por ela.

No entanto, como tudo têm polaridades, ao idealizarmos a nossa mãe nós também passamos a exigir um comportamento irreal dela. E, quando ela não corresponde às nossas expectativas, nos queixamos e, então, iniciamos o movimento de nos afastar dela.

Esta é um postura infantil que todos nós experimentamos em algum momento da vida. A armadilha aqui é que muitos ficam presos nesta exigência, sem se dar conta que a imagem que projeta em sua mãe é irreal e até mesmo impossível de ser realizada por ela.

Então, para verdadeiramente entrar em contato com a nossa mãe, nós temos que olhar a realidade:

Ela é um ser humano com talentos e limitações, como a metáfora da luz e da sombra. Ela acertou e irá acertar ainda muitas vezes, mas também errou e poderá errar muito ainda.

Se tivermos a capacidade, como filhos pequenos que somos, de liberar nossa mãe das nossas expectativas, iremos experimentar um novo e poderoso vínculo com ela.

E o que é estar bem com ela?

Estar bem com a nossa mãe é algo que irradia para toda a nossa vida. Hellinger, em seus escritos, fala que a forma como tratamos a nossa mãe é a forma como tratamos a nossa vida.

Essa percepção tem um sentido especial se olharmos para nossa mãe como a porta de entrada da nossa existência e o grande mistério que isso envolve.

Simbolicamente a mãe e o pai (mas de forma especial a nossa mãe) estão ligados intimamente ao que nos liga à força da vida, pois é através deles que podemos vivenciar primeiramente nossa existência.

Então, o que acontece quando ainda exigimos algo de nossa mãe? Será que não nos colocamos da mesma forma diante da vida? Exigindo que ela traga realizações para nós ao invés de construir e conquistar?

E, nesta postura, como crianças, temos pouca chance de amadurecer e vivenciar o que a vida é capaz de oferecer.

Analogicamente, podemos também perceber que, nesta postura, estamos indisponíveis para receber o que nossa mãe tem para oferecer. E assim,  cria-se um ciclo vicioso de afastamento e de mágoas entre mães e filhos.

Alguns filhos são incapazes de receber pois estão ocupados exigindo.

Este é um dos grandes ensinamentos trazidos pela constelação familiar, que nos ajuda a ver como podemos estar causando nossa própria dor.

Mães difíceis

Como falamos há pouco, nossas mães são mulheres comuns, com suas dificuldades e com os seus aprendizados. Assim como nós temos nossas questões que nos desafiam, elas também têm as delas.

Para alguns filhos isto é muito pesado e nós vemos como isso pode ser difícil de lidar. No entanto, a realidade precisar ser vista: a sua origem vem de apenas um homem e uma mulher, não importando o que eles tenham feito durante a vida.

Liberte-se do julgamento e olhe para seu pai e sua mãe com amor. Ainda que seja difícil, olhe com carinho e respeito ao “SIM” que eles deram para sua vida. Eles permitiram que você chegasse à vida. Do jeito que foi possível, eles permitiram.

O desafio aqui é olhar para a “falta” daquilo que se desejava receber e verdadeiramente aceitar esta limitação.

Na maioria dos casos, a dor existe não porque não houve amor, mas porque ele não veio na medida e na forma que era desejado.

Hellinger muitas vezes menciona que não há possibilidade de gerar uma vida sem que haja na equação “amor”. Sim, estamos falando de algo profundo em relação a nossa alma aqui.

Então, se há vida, é indiscutível a presença do amor.

Porém, na convivência diária, muitas vezes os emaranhamentos sistêmicos predominam e se manifestam por dinâmicas como o abandono, a violência e a negligência.

Por causa disso, o amor que os filhos desses sistemas desejavam receber não é sentido por eles. Há algo que impede uma relação positiva entre esses familiares.

E, se nos aprofundarmos nesse pensamento mais um pouco, na geração anterior, nossa mãe pode ter sido essa filha que desejava o amor e não recebeu.

Só podemos dar o que recebemos

Somos frutos de um sistema que corre rio abaixo com uma cachoeira. Assim, nós recebemos algo e repassamos adiante o que nos foi transmitido anteriormente.

Assim, se pensarmos em uma dinâmica do amor que não se manifesta no relacionamento de mãe e de filhos, podemos também ver que muitas vezes essa mãe (ou também o pai) são frutos de um sistema onde o amor não era demonstrado com facilidade (ou pelo menos não se manifestava na forma que eles, como filhos, desejavam.)

Assim, há um aprendizado na alma familiar de quais são os parâmetros para os relacionamentos familiares e isso é repassado para as próximas gerações.

É possível que, com o tempo e com a atenção, certos padrões possam ser alterados dentro da família. Contudo, é importante lembrar que esse processo pode levar tempo.

O que os filhos precisam entender é que, ainda que o relacionamento não seja da forma desejada, há somente uma mãe que compõe aquilo que também existe dentro de si.

Dessa forma, é preciso encontrar um novo lugar para o relacionamento fluir melhor, da forma como for possível. Assim, mãe e filho podem se liberar para caminharem de acordo com os seus destinos.

Em especial, o filho encontra um lugar possível para os pais no seu coração, concordando com a forma como eles podem ser e como se mostram na realidade.

Mãe só tem uma!

A sabedoria popular é sábia. Realmente, mãe só tem uma. E para além disso: para você, ela é a única possível.

A própria genética explica isso: a mistura que formou você só pode vir desse pai e dessa mãe. Se fosse outra, o resultado também se alteraria.

Para muitos, isto é uma alegria. Filhos que compreenderam seus pais, com tudo que faz parte e que seguem adiante com as condições trazidas pela realidade tendem à caminhar mais satisfeitos. Tendem a ter mais força para seguir seus objetivos e se colocar em movimento.

Para outros, ser filhos desta mãe é um desafio. Para estes, caminhar pode ser difícil e pesado e eles pouco se alegram com o que recebem porque, no fundo, desejam algo diferente daquilo que lhes é presenteado.

Não há certo ou errado. Em ambos os cenários há lições a serem aprendidas. Mas Hellinger nos mostra, através dos conhecimentos sistêmicos, que há uma força quando compreendemos melhor essa relação com a nossa mãe, sem ressalvas.

Mães de coração

Há um lindo serviço das mulheres que desejam ser a mãe de coração de seus filhos.

Do lugar certo, este é um dos aspectos mais bonitos da humanidade contida em muitas famílias: a de acolher e nutrir filhos quando os pais biológicos destes, por algum motivo, não puderam permanecer no papel de pais.

Cada mãe adotiva estende a seus filhos o cuidado e o carinho que tem disponível. E, dessa forma, permite que um novo vínculo exista.

E, se internamente estas mães se mostram capazes de reconhecer também os pais biológicos dos filhos que criam, esta criança ou adulto poderá encontrar a gratidão verdadeira e o carinho pelo cuidado que recebe daqueles que a criam no lugar de seus pais de origem.

Assim, todos podem pertencer e uma nova família encontra o lugar e a existência.

Tomar o que vem da mãe

Imaginem a força de tomar aquela que é a fonte da sua vida?

Não é que de uma hora para outra passamos a viver num mundo cor de rosa, sem defeitos. Mas crescemos na nossa capacidade de lidar com a realidade e todas as condições imutáveis que ela nos propõe.

E de todos os presentes que a vida nos dá, nossa mãe é o maior deles.

Pense bem: em quantas outras relações é possível experimentar a profundidade e o valor presente na nossa relação com essa mulher?

Mesmo os desafios que surgem neste relacionamento são tão profundos que, se aceitarmos verdadeiramente aprender com eles e tomá-los como nossos,  podemos descobrir um belo baú de ouro do outro lado do arco-íris.

Esse é um tesouro que terá, sem dúvida, a face de nossa mãe.


Desejamos neste Dia das Mães uma profunda felicidade aos filhos, por saberem de onde eles vêm e por sentirem-se orgulhosos com a origem de sua vida.

E, para todas as mães, nossa admiração e respeito pelo grande papel que todas exercem para a vida.

Um abraço amoroso de toda equipe do Instituto Ipê Roxo.


Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br | Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


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2 comentários em “A mãe e o seu papel na vida e no sistema familiar

  1. Gratidão à todas nós.. Mulheres corajosas..e que aprendamos a incluir os Homens..figuras fortes também!! Grande beijo ao Ipê Roxo que nos orienta e acaricia sempre!!!!

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