“Parece que não falamos a mesma língua”: dificuldades de casal sob olhar da constelação familiar

dificuldades de casal

“Parece que não falamos a mesma língua!” é uma frase muito comum de quem está enfrentando dificuldades de casal em um relacionamento. Na verdade, essa é uma boa constatação sobre o que pode estar acontecendo: essa compreensão pode ser a chave para olhar para a complexidade que é o relacionamento que dá origem a uma nova família.

Todos nós viemos de um sistema familiar: trata-se de um pai e de uma mãe que se encontram e trazem consigo toda uma carga de experiências familiares.

Como a constelação mesmo diz, nós somos resultados de muitos que vieram antes.

Nós, o resultado deste sistema que passou por muitas gerações, possuímos as culturas, ideias, valores e significados que compõem a nossa família de origem. Foi com ela que aprendemos a decodificar o que é amor, cuidado, afeto, carinho, etc.

Foi nesta família que pudemos observar primeiramente o que é um relacionamento, a partir das experiências que presenciamos em casa.

Aprendemos, dentro do que era a nossa realidade e com tudo que o que fez parte deste sistema de origem, uma linguagem sobre as relações que levamos para o mundo. É com ela que iremos decodificar e compreender o que vamos vivenciar com nosso(a) parceiro(a) posteriormente e não respeitar esse movimento pode ser uma das origens de muitas dificuldades de casal.

Sistemas familiares diferentes

E então conhecemos essa outra pessoa. Em um primeiro momento, nós já sabemos que há algo que nos atrai. Não é possível vermos tudo que o que conduz a outra pessoa, mas sentimos claramente que algo nos atrai e que a desejamos perto de nós.

Ela também é fruto de um sistema familiar no qual presenciou toda uma gama de emoções, afetos, valores, cultura e que, possivelmente, foi bem diferente daquilo que nós recebemos.

Ela também leva para o mundo tudo aquilo que se tornou referência para ela: a forma como os pais se relacionavam, o que ela viu na família em relação ao afeto e as histórias e acontecimentos familiares que foram marcantes de alguma maneira.

Tudo isto compõe a linguagem dessa pessoa para decodificar seus relacionamentos.

Quando os dois se encontram, precisam descobrir uma maneira de integrar as linguagens que cada um carrega para estarem na mesma sintonia.

Não disponíveis

O que observamos nas constelações é que o campo familiar e a linguagem de cada parte de um relacionamento é determinante para o percurso realizado pelo relacionamento do casal.

Além dos elementos mais superficiais, cada parte carrega em seu íntimo um vínculo muito próximo de sua família de origem, que significa uma lealdade profunda.  

É esta lealdade que faz com essa pessoa ou nós mesmos estejamos emaranhados em questões que são anteriores à relação e fazem parte da família de origem. Além disso, nós podemos também estar presos em um vínculo profundo de um outro relacionamento, mesmo que ele já tenha acabado.

Bert Hellinger diz que esses laços, primeiramente com nosso sistema de origem e mais adiante com relacionamentos anteriores, são presentes em nossa vida mesmo quando as pessoas não fazem mais parte dela de forma concreta.

Isso acontece porque vínculos não se desfazem tão facilmente e, algumas vezes, nem sequer terminam completamente. Por isso, é necessário olhar para essa presença com respeito para que o novo possa existir e fluir.

São esse vínculos do passado ou da família de origem que muitas vezes não permitem que as pessoas estejam disponíveis para novos relacionamentos.

 

Casais com filhos

 

A partir dos filhos, o casal sacramenta um vínculo que agora se torna algo concreto. São neles que o que é trazido por cada se unirá e se tornara um.

Os filhos percebem internamente que são a materialização do laço entre essas duas pessoas: tal percepção atual atua no inconsciente deles.

Da mesma forma que trazemos para o nosso relacionamento tudo o que recebemos pelos sistemas dos nossos pais, nossos filhos também serão influenciados pelos nossos laços.

O mais importante é perceber que há duas dimensões dos casais nos filhos: fazem parte deles o homem e a mulher e também os seus papéis de pai e mãe.

Quando há crise no relacionamento, embora seja o homem e a mulher que estão se desentendendo, os filhos acompanham isso olhando para o pai e a mãe. E, por isso, muitas vezes os filhos (principalmente quando mais novos) tomam as dores do relacionamento dos pais para si.

Isso explica porque os momentos de crise são tão complicados para famílias. Os filhos tendem a demonstrar o conflito que há no casal e isso gera ainda mais dificuldade em um momento que já se mostra tenso. 


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Olhar para a realidade

Ter em mente que cada um no relacionamento possui sua própria gramática e saber integrar e permitir ser o que o outro pode ser é um caminho viável para desenvolver um relacionamento possível e verdadeiro.

Na aceitação, encontramos espaços para verdadeiramente trocarmos vivências com o nosso(a) parceiro(a) e, dessa forma, poderemos criar algo novo.

Esse não será um movimento de exclusão do que foi recebido e do que faz parte de cada um: será um movimento criativo, que abarca tudo que é e que permite  dar um passo adiante.

Quando os filhos nascem, neles se materializam os dois sistema envolvidos e neles se perpetua tudo o que faz parte daquilo que move o casal a se encontrar, a se relacionar e a criar uma nova família. O núcleo familiar só existe devido ao que veio antes: olhar isso com amor e respeito é um bom segredo para manter o relacionamento saudável e superar as dificuldades de casal, mesmo que cada um fale uma língua diferente.


Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br | Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


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