Uma conversa para compreender a Constelação Familiar de Bert Hellinger

Constelações Familiares

Um conversa imaginária que irá lhe auxiliar a compreender alguns conceitos chave da Constelação Familiar.


A Constelação Familiar tem ganhado cada vez mais espaço no campo da terapia pessoal, no trabalho de conflitos sistêmicos, na educação e na saúde.

Porém, para aqueles que não a conhecem muito bem, seus conceitos e algumas informações que são faladas nos Workshops e treinamentos de Formação parecem difíceis de serem compreendidos.

Decidimos então escrever esta conversa imaginária entre duas pessoas que falam sobre a constelação familiar. Esperamos que este recurso criativo ajude, de maneira simples, aqueles que ainda têm alguma dúvida sobre o que são as constelações. 

O nosso objetivo é que este texto ajude na sua compreensão do grande conhecimento que é trazido pela filosofia das Constelações Familiares de Bert Hellinger.


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O que são as Constelações Familiares?
Constelação Familiar é o nome dado pelo conhecimento abordado pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger. O nome original desta filosofia significa “Posicionamento Familiar” (Familienstellen) e possui muitas aplicações, principalmente terapêutica. O nome no Brasil seguiu a tradução americana a expressão americana, que é Family Constellation.

Ok. Mas você ainda não respondeu: o que são as Constelações Familiares?
Então, as Constelações Familiares são um estudo que fala como as nossas relações familiares influenciam a nossa vida.

Mas isso é óbvio. É claro que o que acontece na minha família me influencia…
Tenho certeza que você diz isso pensando no seu pai ou sua mãe. Ou até mesmo pensando nos seus avós. Mas e se eu te disser que é possível você ser influenciado por um acontecimento difícil na vida de um tatataravô que você nem sequer sabe o nome? Ou até mesmo um parente mais distante, de muitas gerações antes de você?

Pra mim não faz sentido.
Eu sei, para mim, quando soube pela primeira vez, também não fazia. E demorou um tempo até eu começar a entender sobre o que estudava as Constelações Familiares. Te digo que, após minha primeira participação em um Workshop, as coisas começaram a ficar mais claras. Mas não é apenas isso: eu pude perceber em mim os efeitos das Constelações Familiares.


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Eu continuo sem entender. Você vai me explicar ou não?
Posso te propor um exercício? É o seguinte: feche os olhos e imagine você com uns 4 anos.  Você está sozinho em uma sala, na companhia de muitos adultos. Você olha para todos eles e não reconhece nenhum. São todos muito diferentes de você. Você procura por seu pai e por sua mãe, mas nem sinal deles por perto. Você está só, com um monte de estranhos.

Estou ficando angustiado.
Sim. Isso. Esse é o sentimento que queria que você sentisse. Então imagine que a porta da sala se abre e nela entra sua mãe e seu pai, com os braços abertos e sorrindo em sua direção. O que você sente?

Um alívio, um aquecimento no corpo, e é bom sentir os braços da minha mãe e do meu pai. É diferente de tudo.
Isso. Abra os olhos. Isso que você sentiu com este homem e com esta mulher é diferente de todos os outros nessa sala por eles serem seu pai e sua mãe. O seu vínculo com eles é diferente do que você tem com qualquer outra pessoa no planeta Terra. E este calor que você sente ao lembrar do acolhimento deles é um lembrete do quão profundo é o vínculo entre vocês.

Tudo bem. Mas o que isso tem a ver?
Bom, nessa mistura boa de sentimentos que você sentiu está algo que Bert Hellinger chamou de lealdade familiar. Nosso vínculo é tão profundo que você sente que, se algo acontecer a eles, também acontecerá com você. É como se vocês fossem uma coisa só. Então, você acaba confundindo o que é seu sentimento e o que é deles.

Isso faz sentido. O que acontece a eles de certa forma eu sinto como direcionado a também a mim.
Sim. E essa perspectiva acontece principalmente quando somos crianças. Porém, Hellinger fala que, mesmo quando crescemos, permanecemos filhos diante dos pais. Ou até mesmo permanecemos menores diante daqueles que vieram antes na nossa família. E esta nossa lealdade se estende a todos eles. Na verdade, a partir dos nossos pais estamos vinculados a todos os outros familiares que vieram antes. E nossa lealdade a nossa linha familiar não se apaga nunca, de uma forma muito parecida com a que sentimento em relação aos nossos pais.


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Então, aqui você está me perdendo de novo. Lealdade aos meus pais? ok. Aos meus avós? ok. Para alguém que está a dez gerações antes de mim? Acho que não…
Bert falou que os acontecimentos impactam e geram reflexos por muitas gerações, até o momento em que alguém se colocar a olhar para o acontecimento com bons olhos, independente do que aconteceu. Além disso, há uma informação que ainda não falei: o Campo Familiar.

O que é isso?
O campo familiar é um campo de informação não físico, onde todas as histórias e experiências de um sistema são armazenados. É como se fosse um campo inconsciente familiar. Você já ouviu falar do inconsciente coletivo?

Sim, já ouvi falar.
Então, é como se esse campo familiar fosse uma memória inconsciente que atua sobre as pessoas sem que elas percebam racionalmente. E elas nos influenciam através da nossa lealdade familiar. Se lembra que eu falei da lealdade familiar que existe no vínculo com os nossos pais?

Uhum…
Então, é essa lealdade que nos coloca em contato com as muitas histórias de nossos familiares dentro do nosso sistema. Isso acontece com o que foi bom e também com o que foi difícil.

Ok, isso começa a fazer um pouco de sentido.
Na verdade, faz bastante sentido. Nossa dificuldade maior é que nossa consciência se dá mais conta do amor mais próximo, como pai e mãe. Com eles é fácil perceber a força desse vínculo, não é mesmo?

Sim.
Então, o que se tem descoberto através das Constelações Familiares é que esse vínculo é forte com todas pessoas da nossa linhagem familiar. E, por isso, na nossa identificação com elas e por causa da nossa lealdade, muitas vezes nós repetimos algo que foi difícil para elas como uma forma de nos sentirmos próximos ou de compensar algo que foi difícil.

É como se fosse muito difícil estar bem se outro familiar meu está mal.
Isso, você compreendeu. Mas imagine que isso atua dentro de você e não é algo tão racional como esse nosso exercício. Na verdade, na grande maioria das vezes nem sequer percebemos a repetição ou a identificação. Isso é algo que atua no nosso inconsciente. Falando disso, acho que você está pronto para ouvir um pouco mais.


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Tem mais?
Sim, e este algo a mais está no inconsciente familiar. Neste campo, Hellinger descobriu que existem 3 regras que atuam em todos. Ele na verdade as chama de leis, em um sinal inegável da sua influência sobre todas as pessoas que fazem parte do sistema familiar.

Lei, no sistema familiar? Estranho isso…
Por que estranho? Nossa existência é cercada de leis. A sociedades se organizam por elas, a física e a química também. Nosso corpo tem também as regras que devem ser respeitadas para que ele possa estar saudável. Estranho é achar que não existe nenhum tipo de regra que rege as relações familiares.

Você tem razão. Mas ainda acho um pouco estranho.
Tudo bem, este está sendo seu primeiro contato com isso. Mas, na medida que você for conhecendo e observando, verá que não é tão estranho assim. Na verdade é uma relação bem clara e podemos experimentar seu efeitos imediatamente.

Pode ser. Embora eu ainda não concorde totalmente.
Entendo. Você já tentou discordar da lei da gravidade?

Ué, claro que não. Não tem nem como discordar.
Então, Hellinger defende que com estas leis dos relacionamentos familiares é a mesma coisa. Elas atuam quer a gente saiba ou não. Quer a gente concorde ou não.

Entendo onde você quer chegar. Mas você ainda não me falou das leis.
Bert falou que devemos prestar atenção em 3 regras nas nossas relações familiares: A ordem (ou lugar) de cada um no sistema, o equilíbrio no dar e no tomar e o pertencimento de todos os indivíduos do sistema.


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Fale-me sobre a ordem.
A melhor maneira de falar sobre a ordem é reconhecendo o seu lugar na família. Você, por exemplo, tem quantos irmãos?

Dois.
E você é o mais velho?

Não, sou o caçula.
Então, lá na sua casa estarão em primeiro lugar seus pais, seguido do seus irmãos, por ordem de nascimento e então você. Desta forma, você estará no seu lugar dentro do seu sistema familiar. 

Tudo bem. E o que significa eu estar fora do lugar no meu sistema?
Vou dar um exemplo que acredito que vai ajudar você a entender: Você já tentou mandar no seu irmão mais velho?

Quase sempre. Ele faz tudo errado.
E o que você acha que lhe habilita a saber mais sobre a vida dele do que ele mesmo?

Você falando assim até parece que eu estou fazendo algo errado…
Bom, isso é estar fora da ordem. Pelo que você falou, acredito que você está experimentando um pouco do reconhecimento do que é estar fora do seu lugar. Muitas vezes fazemos isso também motivados por um amor profundo, que não percebe o nosso limite diante das questões dos outros. Por isso, nos metemos em assuntos que não nos competem. Não percebemos que estamos sendo arrogantes.

E qual é o problema disso?
Hellinger diz que, quando existe esse movimento no sistema familiar, aparece uma tensão que tenta recuperar o lugar de direito de cada um. Essa tensão é experimentada como dificuldades na vida ou nas relações com outras pessoas. É uma forma do sistema nos convencer a abrir mão desse comportamento arrogante. O problema é que geralmente demoramos a entender a informação… E o pior, muitas vezes insistimos nessa postura, trazendo mais dificuldades a nós mesmos.


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Você também falou do Equilíbrio e do Pertencimento. Como eles funcionam?
A dinâmica é a mesma. O sistema tensiona e nos traz pressão e dificuldades quando há a quebra dessas leis. E, quando estas regras voltam a ser respeitadas, o sistema familiar começa a destensionar.

O equilíbrio fala que as trocas nas relações devem se aproximar de um saldo entre o dar e o tomar onde não haja grandes desníveis. Se alguém ganha demasiado, sem poder retribuir ou retribuindo muito menos do que recebe, isso gera um tensionamento no sistema. 

Claro, há variadas formas de equilíbrio. O exemplo mais interessante é na relação entre pais e filhos: para estes, é difícil receber e impossível compensar tudo o que receberam de seus pais, afinal, como “compensar” a vida que ganhamos? Não é possível. A vida é o que há de mais valioso e sagrado para qualquer ser humano em qualquer lugar do mundo e isso, todos nós, filhos, ganhamos dos nossos pais. Independentemente de como eles tenham conseguido ser na tarefa de criar seus filhos, o principal presente que cada um ganhou dos seus pais foi a vida. Aqui, uma gratidão verdadeira funciona como uma boa solução de compensação. Não iguala, mas permite aos filhos vivenciarem como mais leve tudo que receberam dos pais.

E os pais também se alegram, pois, através da gratidão, percebem que os filhos tomam a vida de um jeito produtivo. Essa é também uma recompensa para eles.

Essa é uma boa imagem.
Essa é uma linguagem da Constelação. Algo me diz que você está entendendo cada vez mais.


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Você não falou ainda sobre o pertencimento.
O que você gostaria de saber?

Não sei, você me falou dos dois, poderia falar dele também.
Vamos fazer um último exercício de imaginação?

Vamos.
Ok, feche os olhos. Imagine atrás de você seu pai e sua mãe. Imagine imediatamente ao seu lado direito sua irmã e ao lado dela seu irmão mais velho. Se você tiver cachorro, pode imaginar também que ele está aí com você. Atrás dos seus pais estão seus avós, seus tios, seus primos. Tem bastante pessoas ai?

Sim. Muitas. É muito bom.
Imagine que estão todos na sua casa: aqueles com os quais você viveu durante toda sua vida. Lembre-se de tudo que seus pais te deram, as roupas, os estudos, bons presentes, as viagens em família. Em meio a tudo isso, olhe novamente nos olhos de cada pessoa que faz parte da sua família.

Agora, permaneça imaginando esta cena, com a sua casa, as suas coisas, as memórias da viagem. E, como num passe de mágica, toda a sua família some. Aparece um homem e uma mulher na mesma idade dos seus pais.

No lugar do seu irmão tem um outro homem, na mesma idade. No lugar da sua irmã, uma outra mulher. O mesmo acontece com seus avôs, tios e primos. Todos são pessoas estranhas a você.  O que você sente?

Que este não é o mais o meu lugar.
Certo, isso é pertencimento. Você pertence a sua família e qualquer tentativa de retirar de você ou de qualquer integrante do seu sistema esse direito de pertencer traz dificuldades e tensionamento ao sistema. Nesse sentido, o sistema é soberano: ele não permite a exclusão daqueles que nasceram nele.

Acho que por hoje está bom. Você já tem bastante assunto pra pensar. Em breve nos encontramos e conversamos mais, tudo bem?

Sim.
Tudo bem então. Até a próxima.


Participe de um Workshop de Constelações Familiares no Instituto Ipê Roxo. Somos pioneiros em Florianópolis, com mais de 10 anos de experiência em Constelações Familiares e Sistêmicas de Bert Hellinger.


O Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano é pioneiro em Florianópolis no trabalho com as Constelações Sistêmicas. Foi fundado pelos consteladores Sonia Farias, Maria Inês Araujo Garcia Silva, Paulo Pimont e Ana Garlet.

Constelação Sistêmica é uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger após anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo.

O resultado desses estudos se transformou em um trabalho simples, direto e profundo que se baseia em um conjunto de leis naturais que regem o equilíbrio dos sistemas que o próprio Bert gosta de chamar de “Ordens do Amor”.


Conheça as Constelações Familiares de Bert Hellinger. Participe de um Workshop e vivencie este olhar para a sua vida!

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Um comentário em “Uma conversa para compreender a Constelação Familiar de Bert Hellinger

  1. Obrigada estou impressionada comoconsegui entender sobra as constelações. Fiquei tão empolgada será q vai ter continuação?

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