Encerrando ciclos: Uma visão sistêmica para o fim de algo em nossas vidas

fim de ciclos

“A felicidade consiste em aceitar com alegria o que a vida nos dá e em soltar com a mesma alegria o que a vida nos tira”  –Santo Agostinho.


Despedir-se de algo é sempre um desafio, seja pela mudança que se aproxima a nossa frente ou seja pelo que é conhecido que deixamos para trás.

São momentos em que precisamos de coragem e confiança para encarar as possibilidades de um novo espaço em branco que devemos ocupar, em contraste com a despedida de um ambiente que já conhecemos e dominamos.

Se pensarmos que o lugar em que estamos hoje nos dá o conforto do que é familiar e reconhecido, por que, ainda assim, surge o impulso em direção a algo novo e desafiador?

Por outro lado, se o que temos hoje é desafiador, como é possível sair da reação de fuga do que desejamos encerrar para abrir espaço para o novo que se desenha a nossa frente?

Esta é a vida que pulsa em nós, nos conduzindo a algo que nem nós mesmos percebemos em sua completude. Podemos perceber pequenas dicas observando nossas sensações em no nosso corpo e na nossa realidade. Se tivermos a capacidade de confiar, seguimos. Se não, congelamos.

Olhar a realidade

Um bom começo para olharmos para o fim dos ciclos é considerar a realidade contida neles.

Não importa a situação que estamos dando adeus: ela faz parte da realidade da vida que vivenciamos hoje. Não é possível negar que ela pertence aos nossos processos de vida, de aprendizado e de crescimento.

Se a situação é difícil, podemos olhar com um amor maior e sem exclusão para o quanto ela deu para nós, mesmo que por meio dos desafios. Isto geralmente não é fácil mas, como indica Hellinger, é o melhor caminho.

 

“Pertencem à realidade as consequências dos próprios atos.” Bert Hellinger, Ordens do amor, pg. 274.

 

Encerrar e excluir não são sinônimos. O caminhar da vida se faz por meio de inúmeros começos e encerramentos e, como vemos claramente na constelação, todos estes movimentos fazem parte de um profundo serviço à vida que flui em nós.

Reconhecer a realidade, como ela nos serviu, como ela ocorreu e também distinguir o que é a nossa parte e o que é responsabilidade dela é um bom primeiro passo para lidar com o fim de ciclos na nossa vida.

 

O bom encerramento

Aos que já frequentaram os workshops de Constelação Familiar, sugerimos uma reflexão: lembrem quando vivenciaram em um grupo um rompimento entre duas pessoas, sejam elas familiares, seja de um relacionamento ou seja de um negócio comercial.

Quando existem questões não ditas ou mesmo mágoas não escutadas, permanece neste ponto um vínculo do destino entre todos os envolvidos.

Isto porque o encerramento, o rompimento ou o fim de um ciclo é o delicado momento onde algo que foi (e ainda pode ser) muito importante é finalizado na consciência.

Porém, no inconsciente, é comum revivermos estes acontecimentos ou coisas relacionadas ao ciclo. Desta forma, trazemos à tona um vínculo que não é mais praticado, embora esteja de alguma forma presente em nós.

Por este motivo, é importante que encerramentos sejam feitos com respeito. Não importa o que aconteceu: os ciclos terminados fazem parte de nós.

Fins demoram um tempo para se realizar completamente e, talvez, o ciclo que eles encerram verdadeiramente nunca deixe de existir em nosso interior. Ele apenas vai perdendo a força e segue se acomodando num espaço onde está tudo que pertence e remonta a nossa história.

Respeito ao que passou

Dessa forma, para o fim não ser uma exclusão, é necessário ver o que restou destes ciclos e que faz parte do que somos hoje. É preciso aceitar que há algo deles que permanece sendo parte de nós.

Somente com atenção a isso, de forma verdadeira, podemos nos liberar para o que vem depois e para o novo que se avizinha. Quando aceitamos o fim, nos submetemos à realidade e isto tem uma grande força positiva para nós.

É nesta aceitação que reside o movimento que nos coloca em contato com o fluxo da vida e que permite que algo novo chegue até nós.

Quando nosso movimento interno é de exclusão, desenhamos uma linha invisível que nos liga em relação ao que encerramos ou ao que desejamos encerrar. A exclusão nos deixa vinculados, com muita força, ao que desejamos retirar de nossa realidade.

E o resultado é justamente o que não desejamos: quanto mais longe queremos estar de uma situação, relacionamento ou mesmo de uma característica, mais presente isto se faz.

 

O fim de ciclos

O fim de algo nos traz medo e é natural que seja assim.

Em cada pequeno fim de ciclo nós experimentamos o sentimento de algo que é maior do que nós e que também nos assusta – mas não precisamos ter medo. 

Há algo que flui e que deseja se manifestar através de cada início e fim que acontece para nós: o movimento da vida.  Mas, para isso, é necessário o espaço livre para florescer.

Aceitar o papel daquilo que se encerra na sua vida prepara o espaço para que a próxima experiência possa surgir. Assim, com cada vínculo no seu lugar, o fluxo do todo seguirá adiante.


Conheça o nosso curso “Jornada Ipê” e vivencie o conhecimento da Constelação Familiar na sua vida.

Clique na imagem abaixo e saiba mais sobre a próxima turma.


Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br | Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


Fale conosco!

Tire suas dúvidas utilizando o formulário abaixo:. Responderemos em breve!

Deixe uma resposta