[Constelação Familiar] – Podemos constelar amigos e familiares?

Recebemos uma dúvida de uma aluna, que consideramos tão importante e que faz sentido para nós compartilhar a forma como trabalhamos com a relação de ajuda. Ela fez a seguinte pergunta:

 

“Boa noite, pessoal!

Uma pessoa que não é constelador mas que tem vivência de constelação (Já participou de vários workshops e constelou alguns temas pessoais) pode ser apta a realizar exercício sistêmico sem mediação direta de constelador?

Por exemplo, eu sugerir um exercício sistêmico que ela possa fazer em sua casa?

É uma amiga que leu bastante, participou de vivências e está com uma dúvida muito pontual de tomada de decisão.

Enquanto conversávamos tive a percepção de que um exercício poderia ser muito útil para que ela entrasse em contato com a sua questão.

Mas estávamos conversando por telefone (whats), e não pessoalmente. Então fiquei com dúvida se pelo fato de ela não ser consteladora eu poderia sugerir o exercício, apesar de no meu coração ter certeza de que ela suporta. Dúvidas técnicas…”

 

Explicando a questão, a pessoa que fez a pergunta é consteladora e queria saber se poderia oferecer um exercício para a amiga fazer, mas sem estar fisicamente junto dela.

 

A resposta do Ipê

A pergunta foi respondida pela nossa coordenadora pedagógica e professora do Instituto Ipê Roxo, a psicóloga Maria Inês Araújo Garcia Silva.

Trazemos o conteúdo neste artigo, que você lê abaixo:

 

“Percebam diante dessa questão, qual o meu lugar como “amigo” ou “constelador”?

Nessa postura me afasto ou me aproximo do desejo de ajudar? Tenho intenção? Confio que minha amiga tem as respostas?

Sugerir que ela se centre e busque internamente perceber seu corpo diante das possibilidades de resolução, com a real convicção de que ele ou ela tem todas as respostas é possível.

Perceba se de fato você está na postura de respeito a seu amigo, se confia que as escolhas que ele venha a fazer serão as “certas” para ele, pois vêm dele.

No entanto, sugerir um exercício sistêmico nesse contexto, me parece estar, você, amigo-constelador, desejando a solução.

Cuidado…como dissemos a vocês, diante amigos e familiares, o mais prudente é permanecermos amigos e parte da família.

Percebam queridos, se suportam que essa pessoa querida, busque por si mesma, utilizando seus próprios recursos, o caminho para a solução.

Os exercícios sistêmicos são de fato facilitadores para ampliar nossa percepção, nossos clientes muitas vezes desenvolvem a habilidade em se expor ao campo, mas é importante cuidar para que não se eximam de sua responsabilidade diante suas escolhas, colocando nesse recurso a “solução” para todos os problemas, ficando no pensamento mágico das crianças.

Nosso trabalho é simples, porém delicado e preciso quanto ao que se é possível revelar e tomar. Tenhamos sempre em perspectiva o nosso lugar…como constelador, amigo, familiar. Cuidado amoroso, percepção ampliada, respeito e aceitação é a que precisamos sempre estar atentos.

 

Aproveitando a resposta da nossa professora, vamos falar um pouco das ordens da ajuda trazidas por Hellinger, e que estão contidas na resposta da Maria Inês.

“me afasto ou me aproximo do desejo de ajudar?”

Uma das principais características da postura do constelador – e uma das mais desafiantes – é abrir mão do desejo de ajudar. Isso porque o “oferecer a ajuda” é uma sedução que pode tirar o constelador do seu centro, e que pode levá-lo a interferir, mesmo com uma “boa intenção”.

Além do mais, nosso conceito de ajuda é geralmente restrito à retirar a dor, e dessa forma, nossa visão pode não alcançar o que é necessário para a alma e para o sistema do cliente.

Neste ponto, é preciso confiar no que a Constelação mostra: o que o cliente precisa para se mover em direção ao seu crescimento está contido naquilo que está ligado intimamente a seu movimento interno, quer consideramos isso bom ou não.

“diante amigos e familiares, o mais prudente é permanecermos amigos e parte da família.”

A ordem é um dos temas centrais da Constelação Familiar. Em todos os sistemas que fazemos partes – família, amigos, trabalho, profissão… – temos um lugar.

E esse é um desafio quando enquanto terapeuta, nos colocamos à disposição de trabalhar com parentes e amigos. Como escrevemos acima, nossa postura pode ficar abalada pelo nosso envolvimento, e muitas vezes participação, nas questões daqueles que propomos ajudar.

Uma boa pergunta nesta situação é:

Eu estou livre para permitir que o que quer que seja necessário ser visto seja visto por esta pessoa? Eu estou livre para exercer meu trabalho de Constelador com o distanciamento necessário e saudável?

“…se suportam que essa pessoa querida, busque por si mesma, utilizando seus próprios recursos, o caminho para a solução.”

Olhar para o destino dos outros sem querer tomar para si e sem interferir é um aprendizado para a longa caminhada da vida. Como estar à disposição sem se intrometer no movimento do outro, independente de qual seja este movimento.

Como consteladores, muitas vezes acompanhamos emaranhamentos difíceis no campo dos nossos clientes. E, por mais profunda e poderosa que seja esta ferramenta, nosso papel como facilitadores é bastante limitada. No nosso centro, somos somente um pequeno apoio no processo do cliente, que é responsável por qualquer movimento que venha a vir de seu trabalho pessoal.

Nesse ponto, cada vez que não interferimos – muitas vezes uma interferência travestida de ajuda – mandamos uma mensagem poderosa à pessoa: Eu vejo em você a força e a capacidade para encontrar uma boa solução.

“Nosso trabalho é simples, porém delicado e preciso quanto ao que é possível revelar e tomar.”

É importante sempre estar atento ao que o cliente traz, e o quanto ele está disposto a levar com ele desse trabalho. Novamente, nosso desejo de ajudar pode “atulhar” a caixa do cliente, e de tanta coisa, ele não consegue tomar nada para si.

O campo é extremamente sábio.

No trabalho transparece o essencial, o que permite um novo movimento em uma nova direção.

Se colocamos nossa intenção, muitas vezes, a medida se perde.

Na ânsia de ajudar (um desejo bem humano, mas que precisamos estar atentos) podemos ir para uma posição posição ingênua ou arrogante e que não quer ver o outro sofrer.

Para conseguirmos ficar saudáveis com este trabalho, precisamos aprender a deixar a vida  ser o que é, e nós, como menores diante da grandeza da vida, olhar, ver integrar e seguir adiante.

 


Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito:material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br|


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