Série especial Constelação Familiar – As leis de Hellinger: Ordem

O trabalho do estudo sistêmico fala das relações que acontecem em um grupo de indivíduos e como estes relacionamentos geram influências entre si.

Bert Hellinger, psicoterapeuta alemão e um dos maiores filósofos e estudioso das relações familiares, observou neste campo algumas constatações surpreendentes da visão sistêmica dentro das famílias.

Em seu trabalho, conhecido como “Constelação Familiar”, Hellinger fala sobre como, dentro do nosso sistema familiar, recebemos e exercemos influência, mesmo de gerações com quem não tivemos contato como também das gerações que chegaram depois de nós.

Todos os indivíduos dentro de um sistema familiar estão ligados entre si pelo fio da vida, da genética, da cultura e dos valores familiares.

E neste cenário, uma das descobertas mais espetaculares de Hellinger foi perceber que há 3 leis, ou parâmetros, que atuam nos relacionamentos: a lei da ordem, a lei do pertencimento e a lei do equilíbrio.

Então, iniciamos hoje uma série especial de 3 textos, em cada um deles abordando estas leis separadamente, ampliando a compreensão sobre este tópico tão importante.

E no artigo de hoje, falaremos sobre ela: a ordem.

Ordem: Cada um em seu lugar.

O que é estar em seu lugar?

Hellinger através do seu trabalho nos traz a importância de ver e permanecer no nosso lugar dentro do nosso sistema familiar.

Mas como percebemos isto?

Nosso lugar é condicionado pela nossa ordem de nascimento. Antes de nós existem os que vieram antes, e depois de nós existem os que vieram ou virão depois. Parece simples, mas não é tanto assim…

Nosso lugar na nossa família é exatamente este. Somos o último a chegar em relação aos que vieram antes, e somos os primeiros a chegar para aqueles que vieram depois.

Pequeno para os que vieram antes

Chegar por último significa reconhecer que aqueles que vieram antes têm precedência. Somos menores em relação à eles e de certa forma, não podemos reconhecer verdadeiramente suas experiências na totalidade. Muitas delas aconteceram quando ainda não estávamos aqui.

Grande para os que vieram depois

Já para aqueles que vieram depois de nós, que são mais jovens do que nós, somos grandes. E do nosso lugar, podemos olhar para eles e perceber que podemos dar algo a eles, mas que o caminho inverso é mais difícil e nem sempre é possível.

E, mesmo assim, podemos dar algo sempre a partir do nosso lugar – por exemplo: eu posso dar apoio ou auxílio para um irmão mais jovem, mas sempre no lugar de irmão mais velho e jamais no lugar de pai ou mãe dele.

Uma boa medida quando ajudamos um irmão, como por exemplo quando este precisa de um auxílio financeiro é quando temos uma relação de tal forma que possamos ser capazes de dizer: “eu te ajudo e quando você puder você me devolve.” É importante que seja uma ajuda capaz de ser compensada depois, pois quando é algo que o irmão não poderá compensar, esta ajuda irá gerar desequilíbrio entre os irmãos e tenderá a nos colocar nos lugar de pais, podendo dar origem à conflitos inconscientes que se originam da impossibilidade de compensar.

Já o irmão que recebe a ajuda financeira, aqui no nosso exemplo, se quer manter o relacionamento e o amor fluindo entre eles, poderá, devolver a ajuda recebida e um pouquinho a mais, assim o relacionamento entre eles continua a fluir, pois é como um espiral que vai crescendo e cada um sempre vai acrescentando um pouco de amor, de gratidão, de apoio e, mesmo assim, ambos continuam livres.

O lugar, que compreende a ordem do nosso sistema, é onde estamos em contato com o nosso papel, nossas possibilidades e nosso destino.

Se temos consciência deste lugar e atuamos a partir dele, teremos a capacidade de seguir adiante na vida com leveza e conectados com a ordem do sistema ao qual pertencemos. 

 



Dinâmicas que trazem dificuldades

O outro lado desta moeda acontece quando não respeitamos nosso lugar – nossa ordem – dentro do nosso sistema familiar. Um exemplo comum é na relação entre pais e filhos.

Pais são maiores que seus filhos, e esta imagem interna nunca se altera.

Pais dão aos seus filhos a vida, e dessa forma, os conecta ao fluxo da vida que passa através deles.

Pais chegaram antes que seus filhos, e por isso, a experiência deles nunca poderá ser completamente compreendida por aqueles que vieram depois. A visão dos filhos sobre tudo aquilo que move seus pais é geralmente incompleta.

O que acontece então quando um filho não aceita, por qualquer motivo, um dos pais? Ou mesmo ambos?

A ordem nesta relação se bagunça, pois através deste movimento, o filho se coloca superior aos pais, na crença que aquilo que desaprova poderia ser mudado (e que, muitas vezes, no seu amor mágico, o filho acredita ter a solução).

É sua arrogância e uma imagem interna de superioridade em relação aos pais que facilita o movimento de sair do seu lugar de filho.

Consequências

Este movimento de quebra da ordem (neste exemplo entre pais e filhos) leva a um tensionamento para o filho. Esta é uma pressão exercida pelo sistema para reaver os lugares corretos de cada.

Este movimento também pode acontecer entre avós e netos, irmãos, e mesmo em outras relações familiares. A dinâmica é sempre muito semelhante: a troca de lugares, tanto do mais velho quanto do mais novo, entre suas posições na família, gera conflitos e prejudica os relacionamentos.

Isso porque muitas vezes esse movimento é também facilitado por aqueles que vieram antes e não permanecem nos seus lugares como maiores.

É comum acontecer de uma pessoa transferir uma dinâmica que acontecia com seus pais para o seu relacionamento com os seus próprios filhos, por exemplo. Ou seja, se alguém foi colocado no lugar de maior, por seus próprios pais (que por algum motivo não conseguiram tomar seu lugar de grandes), ele poderá tender a fazer o mesmo com seus filhos, buscando neles a força e o apoio. As consequências de casos assim é o surgimento de muitas dificuldades no relacionamento e na vida de ambos.

Isso porque muitas vezes esse movimento é também facilitado por aqueles que vieram antes e não permanecem nos seus lugares como maiores.

Aprendizado e crescimento

É verdade que muitas vezes essa é uma dinâmica que move a pessoa a crescer e se desenvolver como indivíduo.

Se somos capazes de escutar o que nossas dores – físicas ou emocionais – querem nos dizer, encontramos uma bela oportunidade de crescimento.

Para além disso, é importante atentar cada vez mais para os conhecimentos sistêmicos trazidos por Bert Hellinger: nós como indivíduos somos um ser sistêmico. Nossa origem é a partir de dois sistemas familiares, dos quais sempre faremos parte. Vivemos em sociedade (também um sistema) e estamos inseridos em muitos sistemas: no trabalho, no grupo de amigos e assim por diante.

E em todos estes, e de forma mais forte, no sistema familiar, a atenção e respeito à ordem e ao nosso lugar em cada um deles, nos trará leveza no nosso caminhar na vida.

 


Na próxima terça: Equilíbrio


Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito:material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br|Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.”


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