Eu tenho um lugar no mundo: a força da ordem e do pertencimento

Nossos sentimentos guiam nosso movimento no mundo. São tantas as informações que recebemos desde nossa concepção, que perceber o que verdadeiramente nos move é um grande desafio.

Permanecemos, muitas vezes, presos em uma visão superficial das nossas motivações. Acreditamos no desejo de querer algo, naquilo que nos dá prazer, do que é bem visto pelos outros e de como sentimos o nosso valor.

Nós juntamos tudo isso e colocamos o nome de “vontade pessoal”, como algo sobre o qual temos pleno controle.

Porém, no mundo inconsciente de cada um, outras variáveis se colocam de forma imperativa. Essas informações vem de variadas experiências e origens. O que a constelação familiar tem observado é que grande parte delas vêm da rede familiar, das suas experiências e dos afetos que rondam o sistema.

Então, numa influência silenciosa, estas variáveis nos movem através de sensações, sentimentos e lealdades. Imaginamos que temos a liberdade de escolher e de gostar do que gostamos.

Mas ao ampliar nosso olhar através da constelação familiar, vemos o quanto somos leais ao curso de vida que outras pessoas do nosso sistema familiar tomaram, e de alguma forma, assumimos motivações que não são nossas e que passam a estar presentes naquilo que desejamos e fazemos da vida, de forma totalmente inconsciente. Assim, nossa liberdade é limitada.

O peso de viver a vida do outro

 

Dois sentimentos surgem então: uma sensação de inocência, pois nos colocamos como salvadores no nosso mundo inconsciente. E neste movimento, nossa sensação de ter um lugar no mundo se acalma, pois esta dinâmica supre também a necessidade de pertencer a um lugar que todos temos.

Outra sensação é a que resulta da quebra da ordem. Toda vez que nos movemos na vida carregando as dores de outra pessoa, estamos fora do nosso lugar. E isso é uma transgressão da lei da ordem.

Como resultado desta transgressão, sentimos um tensionamento em nosso corpo e em nossa vida, um tensionamento que traz dificuldades. Ainda que motivados por um amor inconsciente, este “tomar o que é do outro” é uma invasão em direção daquilo que não nos pertence. 

Nesta gangorra de sentimentos, muitas vezes nos colocamos em um lugar que dificulta o nosso caminhar na vida. Sentimos o peso que nos sobrecarrega e nos deixa muitas vezes imóveis e presos no sofrimento. 

O destino de cada um

 

E como aliviar essa pressão que sentimos?

Sair dessa pressão significa voltar para o nosso lugar e muitas vezes voltar ao nosso lugar nos faz perder a importância, nos tira do lugar de salvadores.  Aceitar isto é uma das maiores dificuldades que o nosso ego no impõe.

Estar no nosso lugar é ver também os limites que existem na própria vida, e também na vida das pessoas que amamos. É estar consciente que mesmo amando alguém, pouco podemos fazer por esta pessoa, pois só ela pode ser a protagonista de sua vida.

É aceitar o sofrimento do outro, e ajudar de um lugar possível, se for possível. E aprender a lidar com a realidade e a forma como ela se apresenta. De forma concreta, sem fantasias.

Assim, como filhos, por exemplo, nos cabe muitas vezes olhar  para o sofrimento dos pais e aceitar que ele existe. Ou mesmo para o sofrimento de um irmão ou irmã.

Nós somos, em boa parte da nossa vida, impotentes perante o destino dos outros. E por mais que amamos, nossa capacidade de ação é bastante limitada.

Muitas vezes, na ânsia por ajudar, acabamos por complicar ainda mais a situação, pois nos enredamos e nos tornamos mais uma pessoa a sofrer com o que é difícil.

O meu lugar

 

Há um antídoto para tudo isto: reconhecer o nosso lugar e permanecer nele, assumindo o que é bom e o que é difícil que surge a partir disso.

Quando faço isso, o peso que eventualmente surge em nossas costas é possível de ser carregado. É um peso que não interrompe o caminhar.

Do meu lugar e reconhecendo as minhas limitações, posso oferecer uma ajuda possível, sem me emaranhar junto com os problemas dos outros.

No meu lugar, encontro força para lidar com tudo o que é difícil e que me pertence.

Esta é a principal força do trabalho da constelação familiar. Ela auxilia cada um a encontrar e sentir o que é estar em seu lugar no seu sistema. 


Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br | Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


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