Abrindo espaço para o novo – um olhar sistêmico

Não há outro lugar de onde possamos tirar maior força do que da nossa origem e da nossa história. Há um grande impulso ao olhar para trás e reconhecer que há todo um movimento de acontecimentos e conhecimentos que nos guia para frente.

Ao mesmo tempo, quando não nos apropriamos do nosso centro, essa mesma história nos serve como uma desculpa para esquecer da nossa responsabilidade e nos conectar com outras coisas, as mais difíceis, do nosso sistema familiar.

Dessa forma, jogamos nossa âncora no passado, e lá ficamos, a espera de alguém que venha nos salvar.

Constelação Familiar Abrir para o novo 1
 

E quanto mais tempo ficamos neste lugar, mais e mais nos conectamos com a nossa criança, que tudo quer e tudo exige. Que olha para cada um que chega até nós na esperança de ser ele o salvador que nos levará a sair daquele lugar.

Então, neste tempo de fim de ano, onde encontramos um novo espaço para a renovação e para as novas oportunidades, onde alimentamos nossas esperanças que uma nova chance está por vir, é propício falar de abrir espaço. Dessa forma temos uma nova chance de acolher o novo que deseja, verdadeiramente, chegar até nós.

 

As dores do passado

Há um movimento inconsciente, presente em todas as famílias. É um movimento motivado pelo amor e pelo vínculo, e que nos liga a todos que fazem parte do nosso sistema.

É esse pertencimento que nos cega para o limite que há entre nós e todos os outros. Em cada conflito, em cada dor, tomamos o lado da inocência e muitas vezes assumimos para nós, em um acordo silencioso, a responsabilidade de resolver algo para alguém.

E ainda que firmemos o compromisso, quase nunca percebemos o que estamos fazendo. E o peso de caminhar com essa responsabilidade que não nos pertence vai nos fechando para os movimentos que fazem parte da nossa vida.

É como se a vida não pudesse chegar, uma vez que não estamos disponíveis para ela. Estamos muitos ocupados cuidando de outras coisas.

A constelação Familiar é uma chance de experimentar uma nova possibilidade.

O vazio de uma vida cheia de preocupação

E presos neste movimento de um amor que esvazia, que nos ocupa mesmo que não alcançamos nenhuma solução, vamos sucumbindo às dores da emoção,  às dores do insucesso, às dores que resultam do não olhar para si.

Estamos com todos os nossos espaços cheios de coisas que não nos pertencem, mas que carregamos mesmo assim.

E quando a vida tenta uma aproximação, com algo que é para nós, estamos ocupados demais para dar atenção. Sem atenção e sem espaço disponível para acolher o que poderia ser útil para nós.

E mais adiante, sem perceber a nossa responsabilidade, dizemos: “nada para mim dá certo.”

De novo, como uma criança inocente, perdemos a oportunidade de ouro de acordar para a mensagem que a vida está tentando passar.

Fale conosco no Whatsapp. Clique aqui.

Abrindo espaço

Mas então uma dia, uma nova dor um pouco mais forte aparece, e nos empurra a olhar para o lugar dessa dor. Encontramos nossos amores, nossas identificações, nossas lealdades invisíveis e nossos vínculos. E talvez então possamos ir abrindo as gavetas e deixando que tudo que não é nosso, que tomamos pelo caminho, possa finalmente sair.

Recebemos uma força que nos permite acreditar que os “donos” dessas dores serão capazes de suportar ou mesmo resolver o que lhes cabe.

Nossas gavetas, antes cheias, ficam agora com mais espaços livres. Em cada gavetinha, um pouco ainda fica, pois em todas as dores há algo que é nosso. Mas já não estamos mais tão pesados. Abrimos espaços novos e desejamos preenchê-los com o que é nosso, com o que pertence ao nosso destino.

A liberdade e a leveza de se viver a própria vida.

Cheios de novos espaços

Esta é uma boa analogia do trabalho da Constelação Familiar. Ela nos ajuda a olhar para as identificações, para o amor silencioso da criança que está em nós e que toma tudo para si, inclusive responsabilidades que não lhe cabem.

Quando partimos para realizar nossa constelação, o caminho que se desenrola, é o de abrir nossas gavetas e permitir que aquilo que está ocupando espaço se vá. Nós entramos em um caminho de nos encontrar, com as felicidades que nos pertencem, e também com as dores que fazem parte do nosso destino. 

Desejamos e abrimos espaço para percorrer o nosso caminho. Não seria este um bom desejo para um novo ano?



Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br | Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


Se você sente que precisa de um movimento novo, permita-se viver o movimento da Constelação em sua vida:

Deixe uma resposta