Quem pertence ao meu sistema familiar? Constelação Sistêmica de Bert Hellinger

O trabalho da Constelação Familiar de Bert Hellinger olha para os vínculos familiares e como eles influenciam nossa vida.

Em uma visão ampla, traz como membros pertencentes a uma família, um olhar para além do que habitualmente estamos acostumados a considerar.

Por exemplo, vínculos afetivos anteriores de um dos pais pode influenciar e atuar sobre o campo que influencia os filhos.

Também olha-se com essa visão ampla para nossos antepassados. Para esta filosofia humanista,  todas as gerações da qual descende uma pessoa, fazem parte deste campo pertencente, porém, com mais força as 4 últimas gerações (os pais, avós, bisavós e trisavós).

Também, no campo inconsciente que atua sob o sistema familiar, o estar presente ou não, ou o fato de conhecer e conviver ou não com algum membro do sistema familiar não diminui a influência que este exerce sobre o todo.

Dentro do seu pertencimento, o inconsciente familiar (ou alma familiar) reconhece todos que fazem parte, vivos e mortos, pertencentes e excluídos. E através deste campo inconsciente, a influência de todos também é espalhada para todos os integrantes, quer haja convivência ou não.

 

“Gostaria ainda de dizer algo sobre a ordem na família. No sistema familiar reina, na profundeza, uma lei fundamental. Podemos ver o que ela exige através dos seus efeitos. Essa lei diz: todos aqueles que pertencem têm o mesmo direito à pertinência. Todos, também os mortos. Na verdade, os mortos não estão fora do sistema, estão presentes de uma forma especial. Quando os mortos que foram excluídos ou esquecidos são reinseridos na família, os outros vivenciam isso como completude. Quando todos estão lá, os vivos se sentem completos e, ao mesmo tempo, livres.” Bert Hellinger, no livro “A fonte não precisa perguntar pelo caminho.”

 

O que assegura o pertencer?

 

Pertencem a um sistema familiar, primeiramente, todos os que foram gerados por integrantes do sistema ou que nasceram nele. Isso abarca os nascidos e também os filhos não nascidos, que passam a pertencer ao sistema familiar a partir do momento de sua concepção.

Para além dos filhos, os pais e seus irmãos, também aqueles que nasceram ou que morreram durante a gestação. Os avós e bisavós, e todos aqueles que vieram antes, também fazem parte deste sistema.

O que assegura o pertencimento é o vínculo que une todas estas pessoas no fluxo da vida.

Esse é um vínculo que atua diariamente sobre TODOS nós em nossos movimentos no mundo, cada um em seu sistema. Que nos liga a todas essas pessoas que vieram antes de nós e que ajudaram a construir a nossa realidade interna, tanto para o que é positivo, quanto para o que é mais difícil.

 

“Sinto-me pleno e completo se todos forem reconhecidos, e eu lhes der um lugar de honra em meu coração. Ao mesmo tempo fico livre dos emaranhamentos do sistema. Nada que estava pendente me prende mais. Os membros da família me acompanham como uma boa força e não estou ligado mais a coisas ruins. Então, posso me erguer.” Bert Hellinger, no livro “A fonte não precisa perguntar pelo caminho.”

Quem também pertence

 

Hellinger traz ainda algumas observações sobre o que nos influencia e atua dentro do sistema familiar. Por exemplo, relacionamentos anteriores dos pais, mesmo que não concretizados por meios legais, podem gerar uma influência no sistema dos filhos de relacionamentos posteriores.

Ou pessoas através das quais um integrante do sistema recebeu uma vantagem também entram no campo de influência da rede familiar para todos aqueles que virão depois.

Todos estes movimentos geram vínculos que entrelaçam os destinos das pessoas envolvidas e que podem influenciar a vida daqueles que virão depois.

Também estão vinculados aqueles que passam por situações limites como guerras, vínculos gerados entre companheiros de combates como também pelas vítimas e algozes que existem em situações como esta.

 

“Frequentemente, alguém se sente ainda ligado, por exemplo, a outros companheiros de infortúnio que morreram. Quando isso ocorre, é preciso que ele lhes dê um lugar no coração. Isso pode ser visto nos sobreviventes do holocausto em relação àqueles que morreram, nos soldados perante os camaradas e os inimigos tombados. E ainda em assassinos perante suas vítimas.” Bert Hellinger, no livro “A fonte não precisa perguntar pelo caminho.”

A força do sistema

 

O sistema então cuida para que todos que fazem parte dele não sejam desrespeitados através da sua exclusão. Nós, como membros atuais do nosso sistema, excluímos quando não damos um lugar de direito a estes membros em nosso coração – e dessa forma, na alma do sistema familiar.

Ter um olhar de respeito ao que está contido em nossa história, e principalmente um olhar de aceitação ao papel de cada um, é o que permite que os membros atuais do sistema se libertem da tensão que surge na família quando algo está em desordem.

Reconhecer tudo o que aconteceu como parte do que construiu o que hoje vivenciamos é um caminho de sabedoria para lidar com o que é difícil em nossa história e acessar a força contida nestas situações.

Dessa forma, podemos seguir fortes e leves para frente. Deixamos as responsabilidades dos outros com os outros. Cuidamos só do que nos pertence.


Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br | Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


Se você sente que precisa de um movimento novo, permita-se viver o movimento da Constelação em sua vida:

 

Deixe uma resposta