Parentificação: Quando os pais buscam nos filhos o que eles não podem lhes dar

No livro “A fonte não precisa perguntar pelo caminho” Bert Hellinger fala um pouco sobre a parentificação, um movimento dos pais que buscam nos filhos algo que eles (os pais) desejariam ter recebido de seus próprios pais.

Nesta dinâmica, os filhos encontram um ambiente que os estimula a sair de seus lugares de filhos, e com o “incentivo” dos pais, para que tomem um lugar que trará a eles sofrimento e dor na vida.

Isso é, na grande maioria das vezes, um movimento inconsciente dos pais. Porém, os resultados que isso traz para os filhos em suas vidas é visível e pesado para eles e para toda a família.

Leia o trecho em que Hellinger fala um pouco mais sobre essa dinâmica, em uma entrevista concedida ao jornalista Johannes Kaup.


Sobre Pais e filhos

Johannes Kaup: Gostaria ainda de chamar a sua atenção e fazer perguntas quanto a isso, para uma forma de amor onde ocorrem sempre grandes feridas. O senhor trabalha isso também em seus seminários. O amor entre pais e filhos que pode existir, mas que também pode permanecer perturbado e pode ter seus efeitos até uma idade avançada. O que o senhor diria: qual é, na verdade, a essência do amor entre pais e filhos, um amor saudável entre pais e filhos? De que se trata realmente? Pode ser comparado com o amor que tenho por um animal doméstico e que levo para passear? Onde está a grande diferença?

Bert Hellinger: Aqui fica evidente que somente se olha para o que acontece entre essas pessoas, ou seja, entre esses pais e a criança ou entre essa criança e seus pais. Mas isso só pode ser entendido se for visto num contexto maior. Se, por exemplo, a mãe rejeita sua própria mãe e não quer saber nada dela, então a sua filha vai representar para ela a sua mãe.

 

Ipê explica: Quando Hellinger fala que a filha vai “representar” o papel de mãe da mãe, é uma figura de linguagem que denota que esta filha irá encontrar espaço no sistema familiar para adotar posturas que seriam condizentes com a de sua avó no relacionamento com sua mãe.

Numa dinâmica que se constrói inconscientemente, ambas (mãe e filha) alimentam esse deslocamento de lugar de cada uma, resultando em dificuldades de desenvolvimento para a filha no âmbito de sua vida. É como se a filha se ocupasse a partir desse momento a suprir as necessidades de sua mãe, ficando indisponível para cuidar de sua própria vida.

 

Bert Hellinger: O relacionamento não resolvido, da mãe com a sua mãe, será transferido para o relacionamento da mãe com a filha. Isso se denomina parentificação. Não existirá nenhuma solução entre a mãe e sua filha antes que a mãe olhe para sua mãe, faça uma reverência e a honre como sua mãe.

Bert Hellinger: E antes que tome o que a sua própria mãe lhe deu, honre-o e deixe que se desenvolva dentro de si e presenteie a filha com isso. A filha fica imediatamente aliviada, quando a mãe realiza esse ato perante a própria mãe.

 

Ipê explica: Quando uma mãe, um pai ou ambos os pais se encontram na situação de pessoas que exigem algo que não receberam de seus pais, tendem a buscar uma forma de suprir essa necessidade de afeto no relacionamento homem e mulher ou então no relacionamento com filhos. Ambos são fórmulas fadadas à dor.

Porém, quando há a possibilidade desses pais olhar com honra para seus próprios pais, onde reconhecem o que foi possível receber e o que não foi possível receber, e que de antemão o mais importante foi repassado – a vida – há uma chance de que esses relacionamentos se liberem para sua verdadeira essência.

Assim, um homem procura uma mulher, e não uma mãe. A mulher procura um homem, e não um pai. Pais estão inteiros para prover aos filhos o afeto necessário para seu desenvolvimento, sem desejar algo em troca. Dessa forma, o fluxo saudável do desenvolvimento pode seguir adiante.

 

Johannes Kaup: Mas isso é extremamente difícil para algumas pessoas, porque possivelmente a mãe não reconhece que deva honrar a própria mãe. Não pode reconhecê-lo, principalmente, porque talvez tenha apanhado dela ou tenha sido menosprezada ou não aceita a própria feminilidade e, por assim dizer, a sua própria história de culpa se baseia numa história de uma culpa.

Bert Hellinger: O senhor reconduz a um relacionamento a dois. Não é um relacionamento a dois. Nem nas famílias nem nos casais existe um relacionamento a dois. São sempre relacionamentos entre sistemas. Se permaneço fixado no relacionamento a dois, não há solução.

 

Ipê explica: Quando duas pessoas se relacionam, elas levam para o relacionamento todas as dinâmicas, conceitos, moral, etc do que compõe seu sistema familiar, inclusive relacionamentos anteriores. Elas não chegam “vazias” para se relacionar. Muito pelo contrário: estão ligadas de forma profunda àquilo tudo que se manifesta na sua rede familiar e vínculos passados. Por isso, considerar que um relacionamento aconteça somente “a dois” é estreitar a visão de tudo que atua verdadeiramente nessa relação.

 

Bert Hellinger: Todo bom conselho para a mãe e todo bom conselho para a filha não levaria a nada, aqui. Vou dar um exemplo. Uma mulher, que nem conheço, me escreveu uma carta. É a segunda mulher de seu mando, e eles têm uma filha em comum, uma filha que não queria saber mais nada de seus pais. Ela tinha interrompido totalmente o contato.

Bert Hellinger: Então ocorreu à mulher que talvez algo tivesse que ser colocado em ordem com relação à primeira mulher do marido e com relação ao pai dele. Ambos menosprezados e excluídos. Então, à noite, acendeu uma vela, fez uma reverência profunda para a primeira mulher do marido e disse: “Agora eu a reverencio”.

Bert Hellinger: Na noite seguinte fez o mesmo com o pai do marido. Acendeu uma vela, fez uma reverência profunda e lhe disse: “Eu o reverencio”. Alguns dias depois a filha telefonou: Mamãe, eu estou chegando”. Ela veio, estava radiante, não parava de falar como era bom estar em casa. Assim tudo ficou em ordem.

 

Ipê explica: Reverenciar é uma verdadeira aceitação ao pertencimento daquele à quem se dirige esse movimento. É quando honestamente dizemos sim à existência e ao papel daquela pessoa na nossa história. Reverência é quando nos dobramos, humildemente, à realidade.


O atendimento em Constelação Familiar

Bert Hellinger é o psicoterapeuta que há mais de 40 anos estuda e pratica o olhar para as dinâmicas familiares através da Constelação Familiar. Esta terapia, que é aplicada em todo o mundo e encontra resultados práticos e produtivos para todos que a procuram, auxilia no resgate da força de vida presente na nossa história.

Em Florianópolis, o Instituto Ipê Roxo é pioneiro na aplicação desta ferramenta terapêutica, com mais de 10 anos de experiência no atendimento e no treinamento de novos profissionais dessa abordagem.

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Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br | Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


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