As repetições movidas pela consciência – Constelação Familiar de Bert Hellinger

Dentro de sistemas familiares, é comum que um de seus indivíduos repita acontecimentos difíceis da vida de outro familiar que veio antes: esta é uma das premissas do conhecimento da Constelação Familiar de Bert Hellinger, uma filosofia aplicada que se tornou, para alguns como uma terapia breve, para outros, como uma verdadeira filosofia de vida.

Para Hellinger, esta repetição é uma forma de identificação entre gerações que tem uma grande utilidade ao sistema: garantir o pertencimento de todos.

Ao repetir, um membro mais jovem do sistema traz de volta a experiência daquilo que em algum momento foi difícil para a família. Algo que talvez tenha motivado a exclusão e daquele membro anterior.

Ao se deparar com a mesma situação, a família se vê “movida” a lidar com a mesma dinâmica. É como se fosse uma segunda chance do sistema lidar com o que ocorreu, porém, desta vez gerando um novo movimento, uma nova memória que irá restaurar aquele que teve seu pertencimento negado.

É uma segunda chance de lidar com a mesma situação, porém sem excluir, pois, na vida e na natureza, tudo faz parte, tudo sem lugar, ninguém pode ser excluído, todos fazem parte do todo.

REPETIR  é um movimento inconsciente, ligado aos nossos instintos mais PRIMITIVOS de grupo.

 

“Dentre os dois tipos de consciência, a consciência coletiva inconsciente é, evidentemente, a original, a arcaica. Por assim dizer, ela se originou antes que o indivíduo pudesse se diferenciar e seguir uma consciência pessoal. É a consciência de um grupo.Esse grupo é mantido unido através de uma instância em comum, que zela para que nessa coletividade sejam mantidas certas ordens, para que a violação dessas ordens seja expiada e assim tenta anular a violação ou, pelo menos, que sejam trazidos à memória aqueles que sofreram injustiça, fazendo com que seu destino seja repetido por outros.“ Bert Hellinger

 

Porém, este movimento é pesado para todos aqueles que se vêem envolvidos em emaranhamentos familiares. Somos colocados de encontro a este movimento cego por nossas consciências coletiva e pessoal.

 

A Consciência coletiva

Quando falamos de Constelação Familiar, há um termo que é bastante utilizado: o campo. Damos este nome para o conjunto de informações que pertence a um sistema.

Neste campo, estão inclusos todos os registros e memórias dos acontecimentos, bons e ruins, que aconteceram à família. Perdas e ganhos, sucessos e fracassos, vida e morte.

Este campo de informações influencia nossa vida diariamente. Como é comum observarmos nas Constelações, muitos de nossos movimentos na vida são conectados com situações e repetições no nosso campo familiar, ainda que inconscientes.

 

“Essa consciência coletiva cuida para que a coletividade, portanto, o sistema que dirige fique intacto e que ninguém seja excluído, ninguém seja expulso e que ninguém fique esquecido. Se isso acontecer, essa consciência coletiva escolhe então um outro membro dessa família, para que substitua esse membro excluído. Aqui atua uma compulsão coletiva de repetição, com a qual se tenta restaurar a perfeição, mesmo que na prática não tenha êxito dessa maneira. Aqui há, portanto, uma tentativa de compensação em andamento, para que ninguém dos que pertencem seja perdido.” Bert Hellinger

 

Este campo é uma consciência coletiva familiar que atua em nós de forma inconsciente, embora possamos perceber claramente seus resultados. Temos facilidade em aceitar em nossa vida aquilo que encontra ressonância em nosso campo familiar, e é comum resistirmos aquilo que vai contra esta consciência familiar.

 

A Consciência pessoal

Abaixo desta consciência arcaica está a consciência pessoal. Seu objetivo principal é nos dotar de uma ferramenta que “nos avisa” quando nosso pertencimento está em risco.

Reconhecemos este aviso da consciência através do sentimento de culpa e de inocência.

Quando vamos a favor daquilo que é estabelecido pela consciência familiar (muitas vezes repetindo algo difícil), sentimos em nosso interior o sentimento de inocência.

Porém, se caminhamos em direção contrária ao que faz parte da consciência familiar, somos acometidos por um sentimento de culpa, que muitas vezes tem o poder de nos persuadir a abandonar o comportamento que gera este sentimento, mesmo quando é algo que nós como indivíduos desejamos. E, com esse dois sentimentos da consciência pessoal, nosso caminho na vida é desenhado.

 

“O sentimento de culpa que serve a essa função da consciência é vivenciado por nós como medo de perder a pertinência. É o sentimento de culpa que mais fortemente experimentamos, aliás, talvez até o sentimento mais forte. Ele nos obriga a mudar o nosso comportamento, para podermos assegurar ou recuperar a nossa pertinência. Nesse

contexto, a inocência é experimentada como o direito de podermos pertencer. Essa inocência é, talvez, o mais profundo sentimento de felicidade e é o fundamento dos piores emaranhamentos, porque devido à necessidade de pertinência, fazemos tudo, também aquilo que nos prejudica, para que possamos manter este sentimento.”

Bert Hellinger

 

Amadurecer sem excluir

Em um primeiro momento, temos a impressão de que essas dinâmicas trazem dificuldades para nossa vida, em função dessa identificação entre nós e nossa história.

Mas algo que Hellinger costuma trazer com muita frequência é que nos movemos em direção a estas dificuldades através da dor própria por um amor cego e fora de ordem, que deseja ajustar tudo e cessar o sofrimento que reside no sistema familiar.

Repetimos e adoecemos por tentarmos nos colocar no lugar de ser o salvador daquilo que é difícil no nosso sistema, sem perceber o quão irreal é esta função a que nos propomos.

Porém, podemos olhar verdadeiramente para estes acontecimentos através da Constelação Familiar, e acolher de forma madura, sem excluir, sem tentar mudar ou tentar negar o que faz parte da nossa história.

Recebemos assim uma força especial, conectada com aquilo que reverbera em nosso sistema e que pode nos levar ao crescimento. Ao reconhecer o que é verdadeiro, ainda que difícil, realizamos um movimento de inclusão que abarca todo nosso sistema.

E quando incluímos tudo o que faz parte, estamos, do nosso lugar, permitindo que o sistema continue adiante, com respeito com o que foi e abertura para o que será.


As citações de Hellinger deste artigo foram retiradas do livro “A Fonte não precisa perguntar pelo caminho”. Editora Atman. Compre aqui.


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