Contoterapia para crianças: uma ferramenta valiosa para pais e educadores

Os contos sempre estiveram presentes nas famílias. É através deles que a cultura familiar vai sendo passada e permite à criança encontrar um lugar seguro de desenvolvimento junto aos pais, aos avós e ao sistema familiar.

Em momentos onde uma história é contada por seus pais ou por algum familiar, a criança sente a alegria e a energia que surge ao ouvir um novo enredo, que a leva para um outro lugar. E nesse caminho, vai experimentando sentimentos, emoções e experiências que passam a fazer parte do seu crescimento.

Ela também descobre a imaginação e desenvolve uma nova capacidade de pensar e raciocinar, num ambiente livre e seguro que a fantasia dos contos proporciona.

“Pelos escritos de Platão sabemos que as mulheres mais velhas contavam às suas crianças histórias simbólicas — “mythoi”. Desde então, os contos de fadas estão vinculados à educação de crianças.” Marie-Louise Von Franz

Um conto para um momento difícil

Junto aos pais, em contos que vez ou outra abordam assuntos mais complexos, (como a tristeza, a dor da perda de um familiar ou de um animal de estimação ou a mudança de escola, por exemplo) a criança também adquire ferramentas para lidar com assuntos difíceis em sua própria existência.

Um conto pode ensinar uma criança sobre os desafios que a vida traz. Um conto pode ensinar sobre o passo seguinte depois da perda, sobre o que pode nos fortalecer e sobre a capacidade que todos temos de continuar a viver, mesmo depois de um processo de dor.

As histórias nos permitem entrar em contato com nossas forças mais profundas e também com as forças que vêm da história da própria família. Elas são um bom caminho e uma nova possibilidade para uma criança dentro do seu processo de crescimento.

Através das histórias, a criança se permite experimentar estes novos “mundos”, colaborando com seu desenvolvimento pessoal. 

 

O apoio de educadores

No ambiente escolar, no papel do educador de crianças, a Contoterapia ajuda a abordar os novos sentimentos que surgem do convívio escolar e das novas regras e responsabilidades que surgem nesta etapa da infância.

Talvez por isso que contos e histórias são tão presentes nesta fase: elas estabelecem uma ligação clara e direta com o emocional da criança. O conto prende sua atenção e a faz pensar – dentro de sua capacidade – em um grande leque de novas possibilidades e emoções.

Através dos contos, as crianças se sentem entretidas, mas também se abrem para a imaginação e o sentir.

E assim, quase sem querer, o conto permite que novos espaços se abram e que novas experiências se instalem na criança. De mansinho, vai ensinando de forma leve, clara e divertida.

As emoções

Os contos também auxiliam na abordagem de sentimentos mais difíceis, como tristeza e a perda.

Em uma matéria do Jornal “El Pais intitulada “O Lobo devorou, sim, a chapeuzinho” fala-se justamente do poder das histórias e como, atualmente, os materiais para crianças e adolescentes evitam contos com passagens tristes.

Uma grande oportunidade se perde então. Através dos contos, há um espaço para o leitor entrar em contato com emoções que farão parte de sua vida adulta.

A força do conto, no entanto, está no fato de que ele fala por meio de uma linguagem simbólica e nos convida a explorar a escuridão do mundo, a cartografia dos medos, tanto ancestrais como íntimos.” trecho da matéria “O Lobo devorou, sim, a chapéuzinho”

E se então, podermos como pais e educadores, utilizar da força dos contos para  instruir, educar e divertir nossos filhos e alunos?

Qual serão as possibilidades de aplicar esta força em nossa relação com eles, em casa e nas escolas?

Novas possibilidades

O efeitos da contoterapia entre pais e filhos e educadores e alunos é excepcional. Aprender a técnica da contoterapia, sua forma de trabalho e sua linguagem é encontrar uma ferramenta valiosa para acompanhar e fortalecer o crescimento de uma criança.

Como um local comum aos dois, o conto e seus aprendizados se tornam um bom ponto de encontro entre o desejo da criança de se desenvolver e o apoio de pais e educadores a este processo de suas crianças.

O mundo imaginativo, que é estimulado através desta ferramenta, faz também as vezes de um laboratório interno e seguro para a criança se mover. Um novo espaço que propicia a experiência interna da análise, do pensamento e da construção de conhecimento.

 

Porquê Contos?

 

Marie-Louise Von Franz

Em seu livro, “A interpretação dos Contos de Fadas”, a psicóloga Marie-Louise Von Franz aprofunda um pouco mais sobre o valor dos contos (em sua abordagem os contos de fadas) na psique humana.

Ela revela que, dentre as possibilidades disponíveis, o conto é aquele que melhor se encaixa para o trabalho com o inconsciente e seus meandros. Ela escreve:

“Contos de fada são a expressão mais pura e mais simples dos processos psíquicos do inconsciente coletivo. Consequentemente, o valor deles para a investigação científica do inconsciente é sobejamente superior a qualquer outro material.

Eles representam os arquétipos na sua forma mais simples, plena e concisa. Nesta forma pura, as imagens arquetípicas fornecem-nos as melhores pistas para compreensão dos processos que se passam na psique coletiva.

Nos mitos, lendas ou qualquer outro material mitológico mais elaborado, atingimos as estruturas básicas da psique humana através de uma exposição do material cultural. Mas nos contos de fada existe um material cultural consciente muito menos específico e, consequentemente, eles espelham mais claramente as estruturas básicas da psique.” (Marie-Louise Von Franz)

Marie-Louise foi uma das discípulas de Jung, trabalhando com ele por mais de 20 anos. Em seu estudos, dedicou atenção à força das histórias e suas capacidades especiais de elaborar arquétipos e movimentos do nosso inconsciente pessoal, tanto quanto do inconsciente coletivo.

Os arquétipos que são abordados nos contos, falam algo ao nosso íntimo, algo comum a nós como indivíduos.

A linguagem dos contos, a fantasia e o poético contido neles, permite a criação de um ambiente sem os limites do concreto, do nosso mundo físico. Este acaba sendo o meio onde principalmente as emoções e os arquétipos, que não são concretos nem lineares, possam ser expressados e também experienciados de forma mais completa e integral, diferente de qualquer outro meio de trabalho terapêutico.   

O trabalho com crianças

Com este apelo, da diversão, da imaginação e do aprendizado ativo, a ferramenta da Contoterapia se mostra como um caminho possível e valioso para o trabalho com crianças e no apoio de pais e educadores ao desenvolvimento emocional dos pequenos.

Com os contos apropriados para determinadas situações, e também através do desenvolvimento desse olhar para lidar com as histórias que as crianças também trazem no seu interno, pais e educadores se alimentam de uma ferramenta verdadeiramente útil e de grande eficácia.

As crianças, com seus mundos internos ricos e ainda não tão controlados pelas socialização também falam muito através das histórias que elas contam. Saber ouvir esta linguagem infantil é um grande diferencial naqueles que convivem com elas e são interessados no seu desenvolvimento.

Por tudo isto, desenvolver-se na linguagem da Contoterapia se torna uma grande ferramenta no trabalho e na educação de crianças, tanto na escola quanto em casa: pais e educadores podem se beneficiar enormemente deste conhecimento.


Saiba mais sobre o curso de

 do Instituto Ipê Roxo

O curso de Contoterapia do Instituto Ipê Roxo é direcionado para pais, educadores, terapeutas, consteladores e profissionais que, no seu trabalho, atuam como facilitadores e acompanhantes de processos de desenvolvimento humanos. 

Para profissionais, tanto da área terapêutica quanto de outras iniciativas, os contos auxiliam na comunicação de propostas que falam diretamente ao inconsciente, trazendo mudanças, empatia, reflexões e desenvolvimento.

Liderado pela psicóloga e contoterapeuta Sonia Farias, o curso é dividido em 3 módulos intensivos de três dias cada, abordando a teoria e a fundamentação científica por trás deste trabalho, além de casos práticos, contos e formas de trabalhar com esta ferramenta nos diferentes contextos profissionais.

Sonia fala que “o conto é útil para todas as pessoas. Revela caminhos que apontam soluções. Com instruções precisas, o conto respeita a realidade e evoca uma transformação real. Sua missão é abrir a mente, ampliar o coração e dar espaço à esperança.”


6 razões para conhecer a Contoterapia

  1. A Formação ‘O conto dá conta’,  promoverá, em pouco tempo, um crescimento interno autêntico, puro, concreto;
  2. Os Contos possuem a dádiva de nos ajudar a compreender as complexidades da vida, bem como suas soluções, por vezes aguardadas há anos;
  3. Um conto pode lhe ajudar a descobrir seu próprio caminho, e isso tem um efeito que marca toda a vida;
  4. O poder de um conto é surpreendente: nutre a alma, pacífica e acalenta as emoções, o corpo e espírito.
  5. O conto nutre e instrui sobre como identificar e lidar com as adversidades a tudo aquilo que se opõe ao Crescimento Interno.
  6. Resolução de casos terapêuticos difíceis são beneficiados por este trabalho. No processo terapêutico, muitas vezes conseguimos resultados com os contos que não havíamos alcançado com nenhuma outra técnica, pois este é um trabalho que consegue entrar por um outro canal de escuta do cliente.

Faça parte de nossa Formação em Contoterapia e aprenda as técnicas de contação, aprenda a perceber o momento exato para trazer um conto que vai tocar a alma do cliente, aprenda a ler o mapa que todo conto traz.

Te esperamos para nossa próxima turma!

Inscreva-se aqui! https://goo.gl/efFeQn


Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br | Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


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