Saúde Sistêmica – O olhar da Constelação Familiar

Somos indivíduos sociais, e nos reconhecemos através de nossos relacionamentos.

Nossas emoções, ideias, saúde e diversos outros aspectos de nossa vida sofrem influência desses relacionamentos.

Com a Constelação Familiar podemos verificar a forma profunda como nossas relações incidem em nosso modo de viver.

Ela também traz uma maior compreensão do quanto estamos identificados com questões ligadas a nossos vínculos para muito além do que temos consciência e o quanto  acontecimentos difíceis de nosso sistema podem exercer influência em nossa carreira, no nosso afeto e claro, na nossa saúde.

Guiados por uma inconsciência que deseja simplesmente manter seu pertencimento, pelo preço que for, tomamos para nós características, tarefas e missões ligadas a destinos difíceis daqueles que pertencem ao mais especial dos grupos: nossa família de origem.

Essa influência acontece em diversas áreas da nossa vida. Mas neste artigo vamos focar em uma em específico: nossa saúde.

O Sistema Familiar

Há algo em nossos genes que reconhece imediatamente nosso lugar no mundo. Sabemos que viemos de um homem e de uma mulher, e que eles também vieram de outro homem e outra mulher, formando uma longa rede de antepassados, a grande maioria dos quais nunca conhecemos.

Muitos de nós temos irmãos, tios e primos. E em algumas outras vezes, outras pessoas passam a pertencer a este nosso sistema por meio de seu destino. E esse pertencimento está sempre materializado no vínculo.

Nosso primeiro e essencial vínculo é com nosso pai e nossa mãe. Nós, neste relacionamento, somos a materialização do vínculo formado entre eles. Indissolúvel.

E é neste vínculo, nessa força de pertencer a este lugar no mundo (nossa família e principalmente ao nosso pai e nossa mãe), que somos capazes de tomar decisões inconscientes para não perder este lugar. E muitas vezes é como se inconscientemente disséssemos: “farei como você, querido papai ou querida mamãe. Assim, eu mantenho meu lugar com vocês.”

A ampla identificação

Nesse movimento, estamos disponíveis a buscar esse pertencimento a qualquer custo não só com nosso pai e nossa mãe, mas com todos aqueles que pertencem ao nosso sistema familiar, e em especial num intervalo de 4 gerações.

E um de nossos maiores “instrumentos” para pertencemos e manter nosso pertencimento é nosso corpo e nossa saúde.

E o que isso significa?

Em termos práticos, conforme observamos pela Constelação Sistêmica isso significa que podemos repetir situações de dificuldades de saúde ou mesmo sintomatizar algum acontecimento no nosso corpo de forma inconsciente, para nos ligar ao nosso sistema.

Uma outra forma de perceber este nossa disponibilidade é nas perguntas:

Como permaneço saudável quando meu sistema não pode aproveitar da mesma saúde? Como posso ser saudável enquanto vejo as pessoas de minha família sofrendo?

Há uma culpa que sentimos quando fazemos algo de forma diferente daquilo que é o recorrente em nosso sistema familiar. E essa culpa nos pressiona com seu canto de sereia: “Se eu fizer diferente, serei excluído do meu lugar.”

Um movimento inconsciente

A maior descoberta de Bert Hellinger, psicoterapeuta alemão que formatou o conhecimento das Constelações Familiares, foi compreender esse mecanismo inconsciente que atua em todos os indivíduos em relação ao seu sistema familiar.

Em especial em relação à saúde, ele percebe que o movimento de adoecer é muitas vezes uma forma de honrar um acontecimento passado ou a condição de um antepassado familiar. 

“Pessoas que se sentem em vantagem se dispõem também a arriscar e oferecer sua saúde, inocência, vida ou felicidade pela saúde, inocência, vida ou felicidade dos outros. Pois alimentam a esperança de que, renunciando à própria vida e à própria felicidade, poderão assegurar ou salvar a vida e a felicidade de outros”. Bert Hellinger, em “Ordens do Amor”

constelacao familiar ipe roxo

Este é um movimento silencioso da nossa alma, e não uma escolha racional (embora, em muitas pessoas, estas dinâmicas se apresentam racionalmente). O desejo de manter nosso pertencimento é um dos mais fortes a atuar em nossa vida.

O desejo de ajudar, de fazer algo por outra pessoa em nosso sistema familiar é tão forte que nossa lealdade inconsciente nos leva, muitas vezes, à direção da beira do precipício.

Sinais de alerta

Quando falamos de nossa saúde e das dificuldades que se manifestam através dela, podemos prestar atenção em alguns sinais que podem ser indícios de que há algo sistêmico atuando para além das questões orgânicas e biológicas:

  • a repetição de doenças (cura e reincidência),
  • diagnósticos que não ficam claros,
  • sintomas que existem porém que não se confirmam nos exames,
  • não-resposta ao tratamento médico,
  • doenças que se repetem na mesma família,
  • doenças hereditárias,
  • quadros crônicos de dor, entre outros.

Também é interessante notar que muitas vezes o enfermo cria um laço afetivo com sua doença. Quando fala dela se sente portador de uma sensação de ser especial ou de até mesmo valorizar sua condição.

Crianças muitas vezes sintomatizam conflitos e dores familiares (morte de um familiar; conflitos entre os pais, separação, divórcio, irmãos adictos, perda do emprego dos pais, violência e todos os acontecimentos que podem ser traumáticos para uma criança).

Elas, em sua inocência, são as mais suscetíveis aos movimentos gerados pela lealdade familiar e por este amor cego. E por esse prisma, são também as mais vulneráveis às disfunções do sistema familiar.

Hellinger e seu conhecimento sistêmico

Bert Hellinger trouxe da sua observação através do método da Constelação Familiar, as leis da vida: ordem, equilíbrio e pertencimento. São estes os três parâmetros que precisam ser respeitados em todos os relacionamentos.

Quando estas regras não são respeitadas, o sistema passa por um tensionamento, e muitas vezes, esse movimento é sentido por um dos indivíduos do sistema como uma dificuldade ou sintoma na sua saúde.

A ordem é o fato de que os que vieram antes têm prioridade. Então, quando nos colocamos ou tentamos nos intrometer nas questões pessoais dos mais velhos (ainda que tenhamos a ilusão de ajudar), experimentamos isso através de uma dificuldade pessoal.

O equilíbrio é a possibilidade de gerar relacionamentos que tendem à igualdade nas suas trocas. Quando um lado recebe a mais ou a menos e não encontra um caminho para retribuir ou receber o necessário, o sistema tensiona e algum integrante deste sistema poderá experimentar uma dificuldade pessoal.

O pertencimento é o direitos de todos que nascem em um sistema de terem seu lugar dentro dele. Ninguém pode ser excluído. Este é o parâmetro que também mais leva ao adoecimento, pois através da doença, muitos de nós podemos sentir um reforço no  pertencimento ao grupo familiar.

“Por si só ninguém tem um lugar. Ocupamos nosso lugar com muitos outros ao nosso lado.”

Bert Hellinger

Trazer para a consciência

Ainda que essas regras e nossa lealdade ao nosso sistema atuem em nossa alma, e na grande maioria das vezes de forma inconsciente, é possível buscar uma postura mais saudável ao reconhecer essas leis e seu funcionamento em nossa vida.

A primeira grande força do trabalho feito através da Constelação Familiar reside justamente em trazer para a luz aqui que se encontra escondido no inconsciente.

Ao ver e perceber em qual dinâmica estamos presos, podemos nos colocar em um novo movimento em direção à nossa cura e liberdade, em direção de viver nossa vida e nossa história, deixando o que aconteceu no passado como parte de nossa história, mas que não precisamos repetir.

Então, uma nova possibilidade de pertencer, com respeito e reverência, se abre.

E se antes nos identificamos com algo pela dor, podemos agora encontrar um caminho na responsabilidade pessoal e na força contida naquilo que é difícil.

As Constelações e as doenças

Stephan Hausner, um Constelador e terapeuta alemão que trabalha com o enfoque na saúde dentro da Constelação familiar, fala sobre a capacidade de auxiliar no movimento curador deste trabalho:

“Na constelação, o paciente reconhece onde está preso e apresenta possibilidades de desatar esses laços. Aqui não se trata de mudar o comportamento, mas de mudar posições fundamentais, nas quais se trata de crescer. Talvez, desse crescimento possa então mudar seu comportamento. Ao começar a trabalhar com um grupo de constelações, explico que, em grande medida, é o conceito de vida do paciente que o levou ao ponto em que ele está.

Por que um corpo pode manter uma doença às vezes ao longo da vida? Isso é explicável quando a doença tem um significado mais profundo ou quando o cliente se beneficia inconscientemente da doença.

Esta imagem da doença afeta a responsabilidade pela situação atual. Essa concordância com a atual situação vital é para mim na premissa de um trabalho de constelações, e é também o primeiro passo na direção de uma solução.

A experiência mostra que quando alguém não pode dizer “sim” à sua situação de vida, a sua vida como ele recebeu de seus pais, então ele não pode dizer “sim” para o que é mostrado em uma constelação. Nesta situação, eu trabalho primeiro naquele “sim”.”

Olhar para tudo o que faz parte

E nesse caminho, de olhar para a nossa saúde e para as dificuldades que fazem parte do nosso caminhar na vida, vamos ampliando nosso olhar e também nos aproximamos do nosso contato com tudo que faz parte da nossa raiz.

Dessa forma, não é exagero dizer que todo sintoma ou dificuldade de saúde é também uma benção escondida.

E também aprendemos com eles a ouvir nosso corpo, tantas vezes negligenciado em movimentos que buscam apenas silenciar uma voz que sussurra, e que vem de dentro. Um sintoma pode ser algo que chega para nos orientar, sempre que preciso.


Seguindo aquilo que é trazido por Hellinger e no olhar das Constelações, durante 2 dias vamos abordar questões de saúde dos participantes dos seminários sob esta ótica, e dessa forma, aprenderemos e observaremos aquilo que atua nas nossas questões de saúde.

É uma excelente oportunidade para todos que trabalham como profissionais de saúde e terapeutas. Mas também para pessoas que se encontram em tratamento de questões de saúde, uma vez que o evento é aberto ao público em geral.



Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br | Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


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