Qual é meu tema para a Constelação Familiar? – Constelação Sistêmica de Bert Hellinger

No trabalho com as Constelações Familiares (ou Sistêmicas), um ponto é de grande importância: o tema levado para o trabalho.

É através do tema que o facilitador se conecta com o que está sendo trazido pelo cliente e assim ambos conseguem olhar para o que é essencial a respeito do que se mostra naquela dificuldade.

É desta forma que o trabalho pode seguir e servir o cliente para seu próprio movimento de desenvolvimento pessoal.

Uma das dúvidas de muitos clientes é saber qual tema ele deve colocar na constelação. Qual seria o assunto que o leva a entrar em contato com aquilo que é essencial, para aquilo que ele precisa ver.

Neste artigo vamos falar sobre isso, e esclarecer este movimento tão simples e tão definidor da boa utilidade do que é oferecido pela Constelação Familiar de Bert Hellinger.

 

O tema da Constelação 

O tema é o assunto para o qual se deseja olhar através do atendimento em Constelação Familiar Sistêmica e Organizacional.

A Constelação Familiar é um conhecimento filosófico que encontra aplicação no processo de desenvolvimento pessoal de cada pessoa. Também nos casos de empresas, o princípio é o mesmo: elas são uma forma de olhar para algo que impede a empresa de se desenvolver, apesar de todos os esforços, assim como pode mostrar e trazer informações importantes para a tomada de decisões dentro das organizações.

Este conhecimento surgiu através dos estudos do Psicoterapeuta e filósofo Bert Hellinger, há mais de quarenta anos.

“O que há de extraordinário nas constelações familiares é primeiramente o próprio método. É singular e fascinante observar, quando um cliente coloca em cena pessoas estranhas para representar seus familiares em suas relações recíprocas, como essas pessoas, sem prévias informações, vivenciam sentimentos e usam palavras semelhantes às deles e, eventualmente, até mesmo reproduzem os seus sintomas.” Jakob Schneider, no livro “A prática das Constelações Familiares.

Ele descobriu que sofremos uma influência “invisível” que surge a partir dos nossos vínculos familiares e anteriores, em especial num intervalo de quatro gerações (bisavós, avós, pais, filhos).

Essa influência existe principalmente por causa do nosso vínculo ao nosso sistema, e não está condicionado à convivência.

Dessa forma, Hellinger observou que acontecimentos difíceis a um bisavô podem ser repetidos pelo bisneto em sua vida, mesmo que estes dois indivíduos não tenham convivido.

Mesmo que eles tenham sequer se conhecido.

 

O Sistema (familiar ou organizacional)

Isso acontece pois, como observado por Hellinger, um sistema compartilha de uma memória inconsciente, que está acessível a todos que pertencem a ele.

Assim, quando algo acontece a alguém do sistema familiar, independente a geração que isso ocorreu, este acontecimento entra para a “memória de experiências deste sistema.

Isso serve para o que é bom e produtivo, e também para o que é ruim e destrutivo.

Com o que é bom, lidamos com muita facilidade. Nossas dificuldades surgem quando estamos identificados com um acontecimento difícil ou com algo que não nos permite prosseguir no caminho do êxito e da realização que buscamos.

Através do nosso vínculo – que é o laço que conecta a todos dentro de um sistema – podemos repetir o que foi difícil, numa busca inconsciente de aliviar ou resolver para o outro esta dificuldade que se manifesta no sistema. 

Essa é uma das principais descobertas de Hellinger sobre os relacionamentos, e quando essas “dores” ou dificuldades são colocadas em uma constelação, o essencial surge e poderá mostrar-se um caminho para que a pessoa ou empresa se libere das repetições ou da busca de compensar algum dano que não foi causado por ela.

“Trata-se de averiguar se no sistema familiar ampliado existe alguém que esteja emaranhado nos destinos de membros anteriores dessa família. Isso pode ser trazido à luz através do trabalho com constelações familiares. Trazendo-se à luz os emaranhamentos, a pessoa consegue se libertar mais facilmente deles.” Bert Hellinger, no livro “Constelações Familiares – Reconhecimento das ordens do amor.”

 

O que é o tema?

Como essa influência ocorre ainda não está totalmente explicado, embora muitas pesquisas estão sendo realizadas em todo o mundo. Sabemos que é um processo que acontece de maneira inconsciente e experimentamos com muita claridade seus efeitos em nossa vida.

Estes efeitos são as dificuldades que sentimos. São eles que nos guiam para o que atua. Por isso, perguntamos no início do atendimento para o cliente: Qual seu tema?

Muitos ficam confusos, pois têm dificuldade de formular, de olhar para o essencial.

Começam a explicar o que acontece em suas vidas. E este pode ser um bom começo se o cliente for claro e conseguir perceber em que movimento está e o que lhe causa sofrimento, dor, angústia.

Mas, se essa explicação se alonga, uma intervenção se faz necessária. Pois para uma boa constelação não é preciso entender racionalmente o problema.

Então perguntamos: “o que dói?”

A dor de uma pessoa pode ser uma sensação física no próprio corpo, uma doença, um relacionamento que fracassou, o campo profissional que não evolui, o relacionamento de pais e filhos que se deteriora, as perdas financeiras recorrentes, uma falência, uma repetição de processos judiciais.

O cliente, ao ouvir essa pergunta, se conecta com algo mais profundo.

É o momento onde ele se abre para a possibilidade de realmente ver o que atua em sua dificuldade.

A importância do tema

O tema, é então, tudo aquilo que o cliente identifica como um ponto onde sua vida se encontra estagnada, paralisada, bloqueada. 

É onde ele sente que suas forças estão fracas, sem vitalidade. É comum descrever como algo que está travado, que surge dentro si.

Quanto mais verdadeiro for sua conexão com este sentimento, mais produtivo será o trabalho na Constelação.

Outro caminho para encontrar um bom tema para a Constelação é através de questões de saúde. Nossos sintomas, muitas vezes agem de forma a nos trazer uma informação. E quando escutamos, nos liberamos para a possibilidade de cura.

“O método ideal para mostrar os efeitos transgeracionais dessa consciência coletiva oculta é a constelação familiar. O modo mais efetivo de realizá-la é em seminários de vários dias, onde cada participante tem a possibilidade de escolher, entre as pessoas do grupo, representantes para si e para membros de sua família. O paciente “constela” esses representantes em suas relações recíprocas, de acordo com a imagem interior que ele faz dos membros de sua família.

O fenômeno surpreendente, e até agora inexplicável, é que os representantes, uma vez posicionados pelo paciente devidamente centrado, são tomados por um movimento e imediatamente passam a sentir-se como as pessoas reais que representam, manifestando sentimentos delas e por vezes exibindo sintomas físicos semelhantes, quer estejam representando pessoas vivas ou já falecidas.

A partir do modo como os representantes se inter-relacionam, dos seus sentimentos e expressões e dos impulsos que manifestam, o “constelador” e o paciente reconhecem os acontecimentos relevantes da história familiar e as dinâmicas que atuam nessa família e que podem estar em conexão com a doença e os sintomas do paciente.” Stephan Hausner, no livro “Constelações Familiares e o caminho da cura.”

O importante é que o sentimento que é levado para o tema seja de alguma forma concreto. Que ele seja experimentando na realidade, e não no mundo das idéias.

Assim, é possível acessar, com força, o resultado do trabalho com a Constelação Familiar.

 

A repetição

Um indicativo de um bom tema para olhar através da Constelação Familiar é olhar para os acontecimentos da vida que parecem ter um padrão que se repete, tanto na própria biografia da pessoa, como no sistema familiar – desde pessoas que vivem na mesma geração do cliente como em gerações anteriores.

Também nas empresas muitas vezes é possível observar a repetição: cargos que “parecem sobrecarregados”, onde as pessoas contratadas não conseguem permanecer; perdas recorrentes, ações judiciais recorrentes, problemas com determinados produtos ou em determinados setores.

Na vida pessoal a repetição se mostra por exemplo com trabalhos que parecem sempre fracassar, independente do esforço colocado; com relacionamentos que terminam de forma semelhante; com o uso repetitivo de substâncias como álcool ou drogas em excesso, entre outros.

“A consciência nos vincula tão poderosamente à nossa família e a outros grupos que, mesmo inconscientemente, sentimos como exigência e obrigação para nós o que outros membros sofreram ou ficaram devendo no grupo. Assim a consciência nos leva a nos emaranhar cegamente na culpa alheia e na inocência alheia, em pensamentos alheios, preocupações alheias e sentimentos alheios, em brigas alheias e em suas consequências, em metas alheias e num desfecho alheio.” Bert Hellinger, no livro “Amor do Espírito”

Olhar para aquilo que se repete em nossa vida ou empresa é uma possibilidade de tema que se pode colocar no trabalho da Constelação.

Pois a repetição é uma ferramenta do próprio sistema para que aquele grupo olhe para algo. Cada repetição é uma nova tentativa do sistema de colocar algo em ordem.

 

A imagem que surge do tema

Quando o cliente coloca seu tema, a partir de então se desenvolve a dinâmica da Constelação, conforme os conhecimentos trazidos por Hellinger.

Através de representantes, movimentos que surgem vão deixando claro o que atua na questão que se manifesta como uma dificuldade para o cliente.

Em seu interior, o cliente reconhece essas informações. É isso que possibilita que um novo movimento surja em sua vida.

É também através dessas imagens que o cliente pode buscar assumir a sua responsabilidade perante estas informações. Somente como uma pessoa adulta, que assume o que lhe pertence, ele terá a oportunidade de caminhar para a imagem final trazida pela Constelação.

 

Sobre temas organizacionais e empresariais

A Constelação Organizacional (também chamada Empresarial) e a Consultoria Sistêmica têm se mostrado uma grande ferramenta para encontrar respostas sobre temas difíceis dentro das empresas.

Através desta modalidade de análise de problemas e apoio na tomada de decisão, é possível perceber as correlações e a origem de dificuldades nas organizações, assim como ganhar novas informações e percepções sobre determinada área, setor, produto, equipe ou mesmo da organização como um todo.

Muitas corporações já utilizaram este trabalho em momentos de fusões e aquisições, como forma de integrar as culturas e e equipes, assim como para escolha de sócios e investidores da organização.

Sinais de alerta de que podem existir temas sistêmicos ocultos na empresa ou organização:

  • existem conflitos entre sócios, equipes e setores;
  • estagnação nos resultados apesar de todos os esforços;
  • “parece” existir algo oculto que interfere no bom andamento da organização;
  • os produtos apesar de bem desenvolvidos não vendem;
  • repetição de padrões de erros, falhas de processos, ações judiciais;
  • falta cooperação, ordem e clareza sobre o que deve ser feito;
  • dificuldade de inovação e renovação;
  • o sucessor encontra dificuldades de continuar na organização;
  • processos de fusão e aquisição gerando conflitos;
  • recorrentes perdas financeiras  e negociações mal-sucedidas;
  • alta rotatividade de pessoas em um determinado cargo ou setor;
  • as pessoas se sentem infelizes e adoecem na organização.

Para todos os “líderes sistêmicos” que se arriscam a olhar para os temas de empresa através deste trabalho tão inovador, vemos um resultado em comum: esta forma de olhar se mostrou como uma ferramenta prática de aprendizagem e tomada de decisão, além de trazer uma compreensão muito mais ampla sobre o propósito e o futuro da organização.

 

E para encerrar…

Um pequeno trecho de Bert Hellinger, no livro “O amor do espírito” que fala de nós (como filhos) e nossos pais. Este é um tema que é trazido com certa frequência nas Constelações. Bert Hellinger.

“Nossos pais não nos dão somente a vida. Eles também nos nutrem, educam, protegem, cuidam de nós, dão-nos um lar. E é adequado que tomemos tudo isso tal como recebemos deles. Então, lhes dizemos: “Eu tomo tudo – com amor”.

E é claro que isso faz parte: “Eu tomo com amor”. Essa é uma forma de tomar que equilibra ao mesmo tempo, porque os pais se sentem apreciados e respeitados e dão com mais prazer. Se tomamos de nossos pais dessa maneira, via de regra, é o bastante.

Existem exceções que todos conhecemos. Pode não ser sempre o que desejamos ou o quanto desejamos, mas, via de regra, é o bastante. Quando o filho se torna adulto, diz aos pais: “Recebi muito, e isso basta. Eu o levo comigo em minha vida”. Então ele se sente satisfeito e rico. E acrescenta: “O resto eu mesmo faço”. Também essa é uma bela frase. Ela nos torna independentes.

A seguir, o filho diz ainda aos pais: “E agora eu os deixo em paz”. Então se solta deles. Não obstante, ele os conserva como pais, e eles também o conservam como filho.

Quando, porém, o filho diz aos pais: “Vocês têm de me dar mais”, o coração dos pais se fecha. Já não podem dar ao filho tanto quanto lhe davam, nem com o mesmo prazer, porque ele o exige. O filho, por sua vez, ainda que receba algo, não consegue tomá-lo; caso contrário, sua cobrança cessaria.

Quando um filho insiste em sua exigência aos pais, não pode se tornar independente, pois sua cobrança o prende a eles. Contudo, apesar dessa amarra, o filho não tem os seus pais, nem os pais têm o filho.”

Este conteúdo (textos, imagens e artes gráficas – exceto trechos de livros, citações de outros autores, e imagens de banco de imagens, quando houver) é exclusivo e produzido pelo Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano. Sua reprodução é permitida se acompanhada com o devido crédito: material de propriedade do Instituto Ipê Roxo – disponível em www.institutoiperoxo.com.br

Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.


Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano é pioneiro em Florianópolis no trabalho com a Constelação Familiar e Sistêmica. Foi fundado pelos consteladores Sonia Farias, Maria Inês Araujo Garcia Silva, Paulo Pimont e Ana Garlet.

Constelação  Familiar Sistêmica é uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger. Esse conhecimento surgiu após anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo.

O resultado desses estudos se transformou em um trabalho simples, direto e profundo. Se baseia em um conjunto de leis naturais que regem o equilíbrio dos sistemas, Algo que o próprio Bert gosta de chamar de “Ordens do Amor”.


O olhar de Hellinger para nossos relacionamentos e dificuldades na vida é conhecido como o trabalho terapêutico da Constelação Familiar.

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