Todos os pais de Hellinger – A paternidade pelo olhar da Constelação Familiar

Bert Hellinger tem somente um pai. Como nós todos. Viemos todos através de um homem e uma mulher.

Podemos ver um vislumbre deste homem através da carta que o psicoterapeuta escreveu a ele. Palavras que nos guiam a olhar para nós mesmos.

Em seu trabalho, Bert olha para muitos pais e mães. E para cada um deles, abre espaço em seu coração e os acolhe. Dessa forma, seu trabalho se movimenta e permite que algo se mova também nos outros.

Hellinger, em seus livros e seminários, fala de diversos pais que encontrou ao longo de suas experiências.

Houve os pais exemplares, os pais que davam muito e os pais mais difíceis.

Houveram pais que falavam uma língua diferente daquelas que comumente “acreditamos” ser amor.

E para cada filho que chega, trazendo nas suas dores a companhia de um pai, Hellinger indica o caminho do coração e da aceitação.

Somente com este pai esta vida é possível. E se pagamos um preço alto pela dor do nosso amor e do nosso vínculo, podemos carinhosamente reconhecer que também há dor na história destes pais difíceis.

Como pessoas bem comuns, que lidaram com o que apareceu em suas vidas da forma possível para cada um e em cada momento.

Será que podemos direcionar nosso olhar para estes pais?

Um homem

Um pai, dentro de casa, é a lei. Ensina, muitas vezes, de forma dura. Nós, crianças, não compreendemos a responsabilidade daquele papel. Sem ver todo o quadro, acusamos que ele deveria ter feito diferente.

Este era nosso desejo.

Na dureza que muitas vezes esse contato ocorre, passamos para a raiva sem reconhecer que o que desejamos é mais aproximação, e não menos.

Mas as vezes a aproximação dói, porque o pai, em seu centro, olha pra muito além de um conforto momentâneo. Ele faz o que é necessário, não o que ele apenas deseja.

Ele é ao mesmo tempo criador e refém do papel de educar, colocar limites e prover, para muito além do material, aquilo que um filho precisa para crescer e seguir adiante.

O pai é movimento e expansão. É nele que nos agarramos quando precisamos ir para o mundo. Ele cuida, sem superproteger.

Ele permite que o erro surja para que a lição seja aprendida.

Nós, como filhos, demoramos muito para compreender isso. Muitos de nós nunca chegam nesse olhar.

Filhos

Para os que tem dificuldade de um olhar mais benevolente sobre os pais, só restam as acusações. De que faltou, de que deveria ser diferente, de que o pai “deveria” ser assim.

Fazemos um jogo de mágica, e no caminho, direcionamos a raiva para nós mesmos.

De forma inconsciente, o que atua é: como posso amar esse homem? Se ele não foi o que eu desejei, como posso ainda estar vinculado a ele?

As pessoas que ficam na acusação aos seus pais, saem pelo mundo, negando seu afeto, e desejando outros pais, um para cada situação da vida. Vivem o mundo da fantasia, onde neste lugar imaginário cada pessoa é exatamente como ela deseja.

As acusações os afastam da realidade para não ter que aceitar um novo olhar para seu próprio amor.

“Sim, pois o pai existe. Ele é o que é. Da forma como foi e como tudo aconteceu. O papel de um pai e também de uma mãe não está atrelado à aceitação dos filhos.”

Estes papéis foram definidos no vínculo gerado no momento da concepção. E não há outros que possam ocupá-los. Para cada filho, há somente um pai e uma mãe. Se fosse outro pai, ou outra mãe, seria também outro filho.

 

A benção

Se aceitamos, ou se simplesmente permitimos olhar para esse amor, o que surge?

Dentro da concordância daquele homem e mulher que são a personificação mais profunda do meu vínculo com o todo, chega até a mim a benção.

Benção de poder viver, de ser o que me compõe e do que está dentro de mim. Benção de sentir meu pai e minha mãe como meus. Tomá-los, sem ressalvas.

E especialmente este pai que foi difícil, que tanto nos desafiou no amor. Um amor que por vezes foi confuso, raivoso e com dor.

“A vida é algo que os pais receberam e passaram para seus filhos. Uma bênção é sempre um dar a vida, vai na mesma direção de dar a vida. Por isso, compete aos pais dar uma benção. Mas não é a sua benção pessoal. É a benção dentro do grande movimento da vida, que vem de bem longe e segue fluindo através dos pais. Os pais estão nesse movimento e o passam adiante para os filhos.” Bert Hellinger, no livro “A fonte não precisa perguntar pelo caminho.”

Se a cada momento pudermos olhar para o homem real que está à nossa frente, e perceber a grandeza de sua missão de pai, da forma como foi, podemos nos liberar para uma vida mais leve e abençoada, vinculados apenas no amor e na gratidão da oportunidade de viver.

Este acesso nos foi dado somente porque um homem e uma mulher, os dois bem comuns, disseram sim ao que estava em seu caminho.


DE ONDE VEM UM PAI?

Por J.J.Neto

Um pai vem do amor, ainda que tenha em sua vida experimentado a dor.

O pai vem do homem, ainda preso na armadura do herói para qualquer situação.

Um pai vem do mundo, e por isso está autorizado a nos mostrar a ele.

Um pai vem de uma infância, e lá guardou algumas de suas melhores e também mais difíceis experiências.

Um pai vem do silêncio, pois sabe que certas coisas pertencem somente a si.

Um pai vem da responsabilidade, pois antes do seu prato tem outros para encher.

Um pai vem da solidão, do seu masculino ainda selvagem e autoritário.

O pai vem da lei, da cultura e do tempo que vive.

O pai é a lei.

O pai vem da vulnerabilidade, que ninguém nota. E assim ele aceita e segue.

O pai vem de seu pai e sua mãe, e como um filho, carrega também as dores de sua pequena criança.

O pai vem da surpresa e do medo.
Ele, um homem bem comum e que viveu tanto, dizendo sim para o que surgiu, nos faz chegar nele.

A nós, como filhos, fica somente a possibilidade de dizer sim a ele. E aceitar os presentes que este ato nos traz.

A todos os pais que aceitaram, em seu coração, a tarefa de serem pais, o nosso profundo agradecimento. Obrigado por deixarem o mundo mais próximo dos nossos pés!

Que todos nós possamos celebrar esta data com um grande Sim ao pai que a vida nos deu, da forma que foi e com tudo o que faz parte. 

 


O olhar de Hellinger para nossos relacionamentos, vínculos familiares e dificuldades na vida é conhecido como o trabalho terapêutico da Constelação Familiar.

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