A dívida como sintoma: Painel de Paulo Pimont no 1º Congresso Hellinger de Direito Sistêmico

Neste último final de semana, aconteceu em São Paulo o 1º Congresso Internacional de Direito Sistêmico Hellinger.

Foram dois dias em que o assunto abordado foi como a aplicação das Constelações Familiares de Bert Hellinger tem se ampliado no Brasil e como seus resultados estão sendo positivos e eficazes.

O Congresso foi organizado pela Hellinger Schulle, escola de Bert Hellinger para ensinamentos sistêmicos e contou com a presença de Sophie Hellinger, Sami Storch e muitos outros professores da instituição.

Os participantes, num total de 12 países presentes, puderam participar de dois dias de imersão em conhecimentos e troca de experiências dos diferente projetos pioneiros que estão ocorrendo em todo o Brasil no âmbito do Direito Sistêmico.

Em todo o Brasil, 19 destes projetos foram selecionados para painéis de exposição de conhecimentos e resultados. O Professor Paulo Pimont foi um dos selecionado com a iniciativa que ocorre na Justiça Federal de Florianópolis conduzido pela Juíza Micheli Polippo no Cejuscon.

Esta oficina tem abordado, em grande parte, questões conciliatórias entre devedores e a Caixa Econômica Federal (CEF).

O 1º Congresso Internacional Hellinger de Direito Sistêmico.

“Michelli Pollipo, juiza responsável pelo Cejuscon, nos procurou para começar a fazer um trabalho similar ao que fazíamos (Núcleo de Direito Sistêmico do Instituto Ipê Roxo) na justiça estadual. Uma grande parte da demanda atendida pelo Cejuscon e pelas audiências de conciliação são os devedores da Caixa Econômica Federal. E lá nós começamos primeiro um trabalho com oficinas e palestras com os conciliadores e servidores da justiça federal e depois de algum tempo começamos com os jurisdicionados, porque os defensores da DPU se sentiram movidos à chamá-los para estas oficinas. “Paulo Pimont, no seu Painel no Congresso Hellinger de Direito Sistêmico

O trabalho da aplicação dos conhecimentos da Constelação Familiar em fases conciliatórias do processo permite uma abertura maior entre as partes no direcionamento para uma verdadeira solução do processo.

E o que se tem observado, é que após o acontecimento destas oficinas, onde uma, as duas ou até mesmo nenhuma das partes esteja presente, movimentos interessantes de solução acontecem, trazendo como resultado um número maior de processos finalizados na conciliação registrados do que a realidade anterior, sem as oficinas.

 

A Experiência na Justiça Federal, por Paulo Pimont

Leia a transcrição de uma parte do painel de Paulo Pimont no Congresso Hellinger, onde ele fala da experiência na Justiça Federal:

“Eu gostaria de falar algo a respeito para vocês das oficinas com os devedores da Caixa, advogados e prepostos, que são convidados para estas oficinas. Algumas coisas que eu tenho descoberto neste trabalho, é que, assim como Bert Hellinger, aprendemos com a coragem dele de ir para o campo sem pré-conceitos. Sem estudar a respeito. Não li coisa alguma a respeito. Simplesmente eu me expus àquilo que o campo mostrou. E do que o campo mostrou, há duas coisas que eu gostaria de compartilhar com vocês hoje.

A primeira coisa é que duas pessoas só podem negociar uma dívida ou duas partes só podem negociar algo, se forem dois adultos. Quando eu falo sobre isso, digo sobre a importância de reconectar as partes com a sua própria origem.

Enquanto uma pessoa vem diante, por exemplo, de uma CEF para negociar uma dívida que ela tem, muitas vezes ela vem acuada, se sentindo pequena diante de algo tão grande, como este banco.

Ou muitas vezes também levada por emaranhados sistêmicos, ela chega, como muitos conciliadores me falam, dizendo: “O problema é do banco, que colocou esse dinheiro na minha conta”.

Sim, muitas vezes também ela está ali compensando algo que foi retirado de sua família em algum momento. É verdade que existem essas questões.”

 

Olhando para o essencial

“De qualquer forma, uma das coisas que tem se apresentado como essenciail é que se vamos para uma mesa de negociação, uma mesa de audiência de conciliação, precisamos de dois adultos que tem algo a oferecer. E algo a receber.

Então, só é possível assim, conectados com a sua origem.

Quando eu olho para a minha origem e vejo pai, mãe, avós, todos aqueles que venceram de alguma forma e passaram a vida adiante, por mais miserável que seja a minha condição hoje, eu me vejo alguém reconectado à riqueza das pessoas que venceram na minha história. Então, eu tenho algo a oferecer.

Mesmo que no momento pareça que não tenha dinheiro no banco para negociar uma dívida. E também chego para negociar com a Caixa, ou qualquer outro banco, também olhando para a sua história. Também com a sua grandeza.

E eu também tenho a grandeza da minha família. Então eu chego aqui, olho no olho e os resultados têm começado a aparecer a partir daí.”

 

 

O que movimenta cada um

“A outra questão que eu gostaria de compartilhar rapidamente com vocês, que me impactou de forma profunda nas oficinas,  foi quando nós colocamos um representante para a caixa econômica. Esse representante da Caixa sempre olha para aquele devedor, e foi interessantíssimo, logo na primeira oficina, quando eu coloquei o representante da CEF ele logo se dirigiu bem ao lado, e olhava para o representante do devedor.

E essa representante (do devedor), num primeiro momento se sentiu acuada, e disse: “nossa, parece um generalzão aqui do meu lado”. O representante da Caixa era um homem, forte, tinha pouca ou nenhuma experiência com Constelação.

Só o que ela não via, mas que todos nós víamos, é que esse representante da Caixa tinha lágrimas nos olhos. Então eu disse: olhe para ele.

Ela se virou e quando ela viu as lágrimas nos olhos daquele representante  da caixa, ela pode dizer: eu vejo você e a dor que você carrega.”

 

Dois lados

“E nós brasileiro, conhecemos a CEF. Um banco que faz parte da nossa história no Brasil. Na verdade, que carrega em si, no seu coração, uma missão de ajudar a população. E tem se mostrado dessa forma, de novo e de novo.

Então, ela conseguiu se colocar ao lado da CEF, a dívida veio ao seu lado, e ela olhava para o apartamento, e de repente, sentimos aquele alívio. Sabe, agora sim, há uma possibilidade. Com a Caixa de um lado, a dívida do outro, olhando para o apartamento.

E foi lindo e impactante para todos ali, e isso tem gerado um movimento bastante bonito nas conciliações, e nos movimentos entre os conciliadores, da justiça federal. 

Após uma sessão da oficina, eu estava lá tomando café na Justiça Federal, veio uma advogada da CEF. Ela passou por mim e disse assim: ‘olha, acabei de sair de 4 audiências de conciliações, e nas 4 nós conseguimos um acordo.’

Isso está mexendo não só nos devedores, mas também com os representantes, os advogados e os entrepostos da CEF e eu espero que este movimento chegue no Brasil inteiro.”


Paulo Pimont é professor do curso “A prática das Constelações Sistêmica no Direito” do Instituto Ipê Roxo, com a nova turma iniciando em outubro de 2018. As inscrições já estão abertas e as vagas são limitadas.

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O Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano é pioneiro em Florianópolis no trabalho com as Constelações Sistêmicas. Foi fundado pelos consteladores Sonia Farias, Maria Inês Araujo Garcia Silva, Paulo Pimont e Ana Garlet. Constelação Sistêmica é uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger.

Conhecimento este desenvolvido após anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo. O resultado desses estudos se transformou em um trabalho simples, direto e profundo. Baseia-se em um conjunto de leis naturais que regem o equilíbrio dos sistemas que o próprio Bert gosta de chamar de “Ordens do Amor”.


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