Enfrentando dificuldades pessoais? “Olhe para o seu relacionamento com seus pais”, diz a Constelação Familiar.

Nossa vida é espelho do nosso relacionamento com nossos pais. Nossa dificuldade com eles reverbera em outras áreas da nossa vida. Descubra como essa influência acontece e como a Constelação Familiar de Bert Hellinger pode auxiliar você.


Na visão da Constelação Familiar, o nosso relacionamento com nossos pais e nosso sistema familiar é definidor da forma como nos portamos na vida.

A forma como lidamos com os nossos vínculos familiares, e principalmente, com nossos vínculos parentais, refletem diretamente no nosso movimento em direção a um relacionamento afetivo, profissional e de realização pessoal.

Dentro dos vínculos sistêmicos familiares, os laços com o pai e a mãe são os que mais influenciam, de forma direta e de forma indireta.

 

Influência direta

De forma direta quando nosso relacionamento com eles não é bem resolvido, e nós como filhos temos ressalvas. Pedimos por coisas que eles não deram e que nos achamos no direito de receber. Entre estas coisas estão o afeto (desejamos ter tido mais), segurança (gostaríamos de não ter nos sentido tão vulneráveis) e até mesmo bens materiais.

Vale dizer, para um filho, as coisas que se imagina exigir dos pais são infinitas. De certa forma, é difícil para um filho se sentir plenamente satisfeito com o que recebeu de seus pais. Parece sempre haver um porém.

Influência indireta

De forma indireta, nossos pais nos fornecem acesso a dois sistemas familiares, que em nós se torna o nosso sistema familiar. Nesse acesso, também por eles sentimos as dores e as alegrias de pertencer a este grupo familiar. E muitas vezes, engatamos nas dores dos que vieram antes de nós, de forma inconsciente.

Isso demonstra o papel fundamental dos pais em nossa constituição. Nossas percepções, muitas vezes, passam por eles. Esta influência acontece em um nível muito profundo. E diariamente gera movimentos em nós.

 

Para além de uma decisão

Neste sentido, em que pais são tão fundamentais para seus filhos, e para além do que sentimos em nossa consciência, podemos começar a perceber como nosso relacionamento com eles afeta nossa vida diária.

Pode parecer que essa relação não é tão direta, mas é isto que temos observado em nosso caminho como psicólogos e consteladores familiares. Principalmente no campo da Constelação Familiar, esses vínculos e suas influências se tornam visíveis e capazes de serem experienciados de forma clara.

Para os filhos, este caminho para estar reconciliados com os pais exige uma postura verdadeira de renúncia das expectativas. Olhar para os pais com olhos maduros, que enxergam os limites do homem e da mulher por trás da função de pai e mãe.

Nesse caminho, também renunciamos ao nosso papel de vítima, tão confortável quando precisamos nos responsabilizar pela nossa vida e tomá-la em nossas mãos. E esse é um dos maiores desafios.

Para que isso seja possível, para além da decisão de tomar os pais, está um movimento ativo de trabalhar as questões que dificultam renunciar as exigências que temos com eles,  que muitas vezes provêm de uma fase infantil.

 

Com a palavra, Hellinger

Quando encontramos o ponto que nos deixa presos na cobrança de algo que imaginamos que “deveria” ter sido diferente, nosso corpo e nosso afeto também se liberam para voltar (correndo) para o abraço de nossos pais.

“Pode haver uma resistência ao movimento em direção aos pais quando se trata de um filho adulto que despreza ou censura seus pais por sentir-se ou desejar ser melhor do que eles, ou por querer deles coisas diferentes do que efetivamente recebe. Nesses casos, o movimento amoroso deve ser precedido por uma reverência profunda.

Essa reverência profunda é, em primeiro plano, um ato interior, mas é mais profundo e forte quando se faz de forma visível e audível. Isso acontece, por exemplo, quando num grupo experiente é feita a constelação da família de origem do filho.

A “criança” se ajoelha diante dos representantes de seus pais, inclina-se até o chão diante deles, estende-lhes os braços, com as mãos abertas e voltadas para cima, e permanece nessa atitude até que esteja pronta a dizer a um deles ou a ambos: “Eu lhe(s) presto homenagem.” Às vezes, pode acrescentar: “Sinto muito”, ou: “Eu não sabia”, ou: “Por favor, não fiquem zangados comigo”, ou ainda: “Vocês me fizeram muita falta”, ou simplesmente: “Por favor!”

Só então o filho poderá levantar-se, mover-se amorosamente para eles, abraçá-los ternamente e dizer: “Querida mamãe”, “querida mãezinha”, “querido papai”, “querido paizinho” ou simplesmente: “Mamãe”, “Mãezinha”, “Papai”, “Paizinho”, ou outra expressão que tenha usado com seus pais.” (Bert Hellinger em “Ordens do Amor”)

Neste lugar, estamos mais completos para seguir para vida. Sem buscar nas situações que se mostram na vida uma nova possibilidade de cobrar dos pais. Estamos livres, e lidamos com o que vem para nós sem misturar os afetos.

 

Algumas dinâmicas

Bert Hellinger, psicoterapeuta que observou as Constelações Familiares, escreveu em seus livros sobre muitas dinâmicas entre pais e filhos que reverberam no caminhar da vida, principalmente dos filhos.

Vamos trazer algumas neste artigo como exemplos. Acreditamos que isto irá facilitar a compreensão desta influência entre pais e filhos.

 

Movimento interrompido aos pais:

Quando alguém que tenha sofrido a interrupção de um movimento precoce vai ao encontro de outra pessoa, digamos, de um parceiro, a lembrança daquela interrupção torna a aflorar, mesmo que apenas como memória corporal inconsciente. Então a pessoa torna a interromper o movimento, no mesmo ponto em que o interrompeu da primeira vez.”(Bert Hellinger, no livro “Ordens do Amor”)

Quebra da ordem:

“Quando um filho infringe a hierarquia do dar e do tomar, ele se pune com severidade, frequentemente com o fracasso e o declínio, sem tomar consciência da culpa e da conexão. Pois, como é por amor que ele transgride a ordem ao dar ou tomar o que não lhe compete, ele não se dá conta da própria presunção e julga que está agindo bem. Porém, a ordem não se deixa suplantar pelo amor. Pois o sentido de equilíbrio que atua na alma, anteriormente a qualquer amor, leva a ordem do amor a fazer justiça e compensação, mesmo ao preço da felicidade e da vida” (Bert Hellinger, em “No centro sentimos leveza”)

 

Movimento amoroso para além dos pais:

“O movimento em direção a nossos pais e a reverência diante deles são bem-sucedidos quando, ao mesmo tempo, vão além dos pais. Experimentamos esses atos, quando bem-sucedidos, como uma aceitação de nossa própria origem e de suas consequências e como uma realização muito profunda de nosso destino. Quando o movimento amoroso e a reverência são bem-sucedidos, neste sentido pleno, o filho pode ficar de cabeça erguida e com dignidade, ao lado de seus pais e no mesmo nível que eles — nem mais alto, nem mais baixo.” (Bert Hellinger, no livro “Ordens do Amor”)

 

O sentimento de completude:

Podemos experimentar em nós os efeitos dessa aceitação imaginando que nos ajoelhamos diante de nossos pai e nossa mãe, nos inclinamos profundamente até o chão, estendemos as mãos para a frente, com as palmas para cima, e lhes dizemos: ‘Eu lhes presto homenagem’. Então nos levantamos, olhamos nos olhos do pai e da mãe e lhes agradecemos pelo presente da vida. (…) Quem consegue realizar esse ato fica em paz consigo mesmo, sente-se certo e inteiro.” (Bert Hellinger, em “No centro sentimos leveza”)

 

A identificação inconsciente com um parceiro anterior dos pais:  

“Não é necessário conhecer as pessoas com quem nos identificamos. Com efeito, a pressão que leva à identificação provém do sistema e atua sem que saibamos coisa alguma sobre as pessoas que precisamos representar. Assim, se houve um relacionamento anterior intenso do pai com outra mulher, podemos tomar como ponto de partida que uma filha irá imitar essa mulher e representá-la na família, sem ter consciência desse fato. 

E, se houve uma relação anterior intensa da mãe com outro homem, podemos pressupor que um filho irá imitar esse homem e representá-lo na família, igualmente sem estar consciente desse fato. Assim, a filha torna-se rival da mãe, sem que a filha e a mãe saibam por que, e o filho torna-se rival do pai, sem que o filho e o pai conheçam a razão. A pressão que sofre uma filha para representar, por identificação, uma mulher ou amante anterior do pai, cede quando sua mãe presta reconhecimento a essa mulher, na qualidade de parceira anterior de seu marido, colocando- se, porém, conscientemente, entre ambos e tomando-o plenamente como seu marido. 

Contudo, independentemente do comportamento da mãe para com a anterior mulher ou amante do pai, a filha pode livrar-se dessa identificação, logo que dela tome conhecimento, dizendo à sua mãe, mesmo que só interiormente: “Você é minha mãe, e eu sou sua filha. Só você é a verdadeira para mim. Com a outra não tenho nada a ver.” E dizendo a seu pai, mesmo que só interiormente: “Esta é a minha mãe, e eu sou filha dela. Só ela é a verdadeira para mim. Com a outra não tenho nada a ver.” (Bert Hellinger, no livro “Ordens do Amor”)

 

Cada sistema é único

Existem muitas outras dinâmicas, e como Hellinger escreve em seus livros, cada sistema apresenta sua própria dinâmica personalizada.

Mas é possível perceber que de forma geral, as dinâmicas acima se mostram presentes em grande parte dos sistemas, cada um com a sua particularidade.

Através da Constelação Familiar, é possível olhar para estas dinâmicas e recuperar a ordem, o equilíbrio e o pertencimento saudável de cada um na sua história pessoal.

Essa reorganização tem se mostrado um dos principais frutos desse trabalho incrível, e gera resultados visíveis e movimentos de vida daqueles que chegam até a essa terapia breve.

 

Então, como a Constelação pode ajudar? Como ter acesso a este novo olhar?

Através do Workshop de Constelação Familiar, é possível verificar a origem daquilo se manifesta na dificuldades que vivenciamos na vida.

Muitas vezes, tomamos por nossos pais dores que pertencem a eles e a sua história. E através do nosso amor e da nossa lealdade familiar assumimos isto como um fardo pessoal. Não nos damos conta que nada podemos fazer em relação aos problemas que não nos pertencem.

Através do atendimento em Constelação Familiar, que acontecem nos workshops, é possível verificar o que está atuando na dificuldade entre pais e filhos.

Pela dinâmica apresentada no momento da Constelação, é possível também haver um resgate do sentimento que fica escondido pelas nossas exigências infantis em relação aos nossos pais. Dessa forma, podemos nos liberar com amor para uma vida mais leve e significativa.


Saiba mais sobre o Workshop de Constelação Familiar no Instituto Ipê Roxo. Clique no link https://iperoxo.com/agenda/workhops-de-constelacoes-sistemicas/


O Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano é pioneiro em Florianópolis no trabalho com as Constelações Sistêmicas. Foi fundado pelos consteladores Sonia Farias, Maria Inês Araujo Garcia Silva, Paulo Pimont e Ana Garlet.

Constelação Sistêmica é uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger. Esse conhecimento surgiu após anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo.

O resultado desses estudos se transformou em um trabalho simples, direto e profundo. Se baseia em um conjunto de leis naturais que regem o equilíbrio dos sistemas que o próprio Bert gosta de chamar de “Ordens do Amor”.


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