Eu, filho: um papel que define todos os outros – Constelação Familiar

Neste último domingo, dia das mães, publicamos em nosso perfil no facebook um texto de um aluno nosso da Formação em Constelação Familiar como homenagem às todas as mães.

O texto, escrito do ponto de vista do filho, apresenta algumas das dinâmicas que observamos através da Constelação Familiar. Muitas vezes, estas dinâmicas que nascem da relação entre pais e filhos representam algumas origens de dificuldades para os integrantes deste sistema. E como afirma Hellinger, dentro delas também reside as melhores soluções.

Leia o texto e depois siga conosco em uma percepção especial de como nosso papel como filho influencia todos os outros que exercemos na vida.


“Mãe,
 
Eu ainda sinto que somos um só.
Eu ainda tomo as tuas dores como se fossem minhas.
Eu ainda estou aprendendo a te ver como uma mulher comum, e sabendo o que eu sei de você, esta é uma tarefa gigante, talvez um desafio para uma vida inteira.

Como uma mulher comum, e junto com meu pai, me deu a vida.
Nessa permissão transformou três pessoas em uma família.
Permitiu que seu relacionamento se tornasse um lar.
Me deu uma oportunidade de vir fazer parte dele.

Você e meu pai foram minha casa por muito tempo.
No seu útero e no coração dele.
Eu sou uma parte de você.
Eu sou uma parte dele.
As vezes ainda é difícil, minha mãe.
Porque ainda tento compreender o que está além da compreensão.

Eu te vejo todos os dias em mim, e isso me alegra.
Aos poucos eu chego, mãe.
Estou no meu movimento.
Eu to crescendo.
Tomando tudo que vem de você.

A vida tem desses movimentos, incompreensíveis.
A infância passa mas algumas partes de nós continuam crianças.
Demoram a crescer. Vão aos poucos, lentos.
Têm medo de soltar o conhecido, a segurança, o colo.

Sabe mãe, aos poucos percebo que não preciso ser criança para pedir teu aconchego, e isso me libera.
Sinto segurança de saber que diante de ti, posso ser só um filho.
Jogo todos meus outros papéis para o alto e confio nesse que meu pai, você e eu exercemos juntos.

Eu sei de tudo isso mãe.
E garanto que isso tudo está dentro de mim.
Algo assim, tão complexo e profundo, só pode vir de algo igualmente complexo e profundo. E belo também.

Hoje eu te dedico meus pensamentos, meus sucessos, meus abraços, meus beijos e minhas capacidades.
Eu te dedico minha felicidade e minha ação, o meu pensamento, minha inteligência e meu esforço.
Dedico o que faço com a vida que você e meu pai me deram, que foi muito e que me permite sempre mais.

Mãe, você é vida, que persiste mesmo com todas as dores que existem.
Você fez muito, e me ensina todo dia o extraordinário que está contido na simplicidade.
O seu sim para mim eu transformo no meu sim para o mundo.
 

Feliz dia das Mães. Eu te amo.”


Pais e filhos

O texto acima foi escrito com foco na mãe, embora as dinâmicas descritas sejam comuns no relacionamento com ambos os pais.

A primeira estrofe fala de como é difícil para um filho separar seus sentimentos e emoções daquilo que a mãe sente. Em seu amor imaturo, não consegue observar os limites entre ele e seus pais.

Essa é uma herança da nossa infância, lugar onde construímos as bases das nossas relações com nosso pai e mãe. Aprendemos (e necessitamos) dessa simbiose, porque enquanto crianças, não temos muitas chances de dar conta da vida sozinhos.

Mas isso não é verdadeiro na fase jovem e adulta. A medida que crescemos, temos a capacidade de lidar com as nossas emoções e necessidades, deixando para nossos pais a possibilidade de nos servirem somente como fonte de afeto de pais e de força familiar.

Porém, é comum não fazermos isso. Acostumados com a dinâmica da infância, levamos para nossa fase adulta alguns vícios dessa falta de limites que exercemos entre nós e nossos pais, e então surgem os emaranhamentos.

Emaranhamento é quando o meu “eu” está envolvido com questões com a quais a responsabilidade de resolução não pertence a mim, mas me envolvo com o problema do outro do mesmo jeito. É a origem do pensamento mágico: não tenho como resolver, mas me envolvo na busca de uma solução. Com isso, gero mais uma dificuldade no campo daqueles que realmente podem resolver ou se responsabilizar pelo acontecimento.

Quando eu solto do meu papel de salvador, posso olhar também para meus pais de maneira realista, reconhecendo suas limitações. Quando eu os libero de minhas expectativas infantis, eu também me libero das minhas próprias expectativas irreais em relação a mim mesmo. Isso torna a minha vida leve. Essa solução passa através da relação com meus pais.


O pai e a mãe

Na segunda e terceira estrofes fica claro o profundo vínculo que temos como nossos pais. Isso é algo óbvio, mas também bastante ignorado.

Muitas vezes não reconhecemos a força deste vínculo, como se sua influência estivesse à nossa escolha. Na verdade, a imagem da casa, trazida no texto é também a imagem que nossa alma carrega, dentro de si.

E se algo não vai bem dentro dessa casa, esse sentimento se espalha para muitas áreas da nossa vida. Nesse sentido, nós, enquanto filhos, criamos reflexos em todas as áreas da nossa vida por questões de nosso relacionamento com nossos pais.

Outro ponto importante é o papel do pai, desde o momento da concepção. Embora a parte maior de gerar um filho cabe a mulher, é comum nos atendimentos de Constelação Familiar ver como o homem se torna pai (em seu coração) logo no início do desenvolvimento do feto. Aquele filho, desde o começo, já pertence aos dois.

Em relação à mãe, o filho é gerado através dela, e talvez seja esse início que nos move com uma força tão grande em direção à nossa mãe no resto de nossa vida. E talvez seja com esta força, e não com nossa mãe em si, que ficamos zangados quando queremos nos individualizar na fase adulta.

Há algo em ser pai, mãe e filho que cabe somente ao mistério da vida. São laços profundos e definidores, que cada vez se mostram maiores do que pensamos anteriormente.


Preso na infância

Pais prestam um grande serviço. Possuem uma postura interna e, independente das dificuldades apresentadas por seus filhos, eles permanecem disponíveis.

Isso não significa que eles são passivos. Não é isso. Pais e mães são pessoas comuns, e muitas vezes, nós como filhos ultrapassamos os limites deles.

Mas os pais geralmente estão prontos para nos receber de volta, dentro daquilo que é possível para eles. E nesse sentido, uma filho que acorda para olhar sua relação com seu pais através da realidade, sabe que o encontrará na linha de chegada do seu desenvolvimento. Sim, o filho demora a amadurecer.

O amadurecimento chega aos poucos. O filho vai ajustando o seu olhar, e vê que por trás de toda sua exigência estava uma criança, incapaz de se sentir satisfeita. Uma criança comum.

Mas ao abrir seus olhos, percebe o tanto que ganhou, e se ainda há alguma exigência, passa a entender que estas podem não ser supridas, e tudo bem. Muitas outras foram supridas, para muito além do mínimo.

O que foi possível receber veio dos pais veio com a melhor qualidade possível. Essa percepção de um filho pede tempo. Tempo este que os pais estão disponíveis para dar, do jeito deles.


Crescendo

E por mais antagônico que pode parecer, quando amadurecemos é que aprendemos a ser filhos na totalidade. Aceitamos o presente que vem sem exigir nada além dele. Aceitamos o que encontramos, e não ocupamos nosso relacionamento com nossos pais com aquilo que desejamos encontrar.

Encontramos espaço para amadurecer, pois temos a segurança de saber para onde podemos retornar. Voltar para nossa casa, sempre que for necessário.

Nesse amadurecimento, descobrimos que nossos pais não esperam nada de nós além de sermos seus filhos, e que possamos encontrar paz e sucesso para que a vida possa seguir adiante, também através de nós.

E nós também, como filhos, temos nossos próprios assuntos e desafios que nos competem na nossa vida. O amadurecer é isso: assumimos o que é nosso. Deixamos com eles o que é deles. E assim, a vida encontra espaço para se movimentar.

Cada um com suas dores e suas alegrias, e com um fluxo de vida em comum.


Agradecer

Hellinger fala que nosso agradecimento aos nossos pais passa pela nossa vida. Mostramos nossa gratidão aos nossos pais ao assumir todo nosso potencial. Mostramos nosso respeito a eles quando caminhamos em direção ao sucesso.

Pais se realizam ao ver seus filhos realizados. Então, ao tomarmos na mão a vida que eles nos deram, e fazendo o que é necessário para se ter uma boa vida (próspera, capaz, e frutífera) estamos deixando claro o quanto respeitamos aquilo que eles nos deram, e por consequência, o quanto os valorizamos por nos ter passado o dom da vida.

O inverso é também verdadeiro. Às vezes, o movimento de insucesso na vida pelos filhos pode ser uma tentativa destes de punir seus pais, através do próprio movimento de fracasso. Este é, em grande parte das vezes, um movimento inconsciente.  Movimento este que os filhos se colocam quando acreditam que o que receberam não foi o suficiente, e que seus pais deveriam dar mais.

Este é mais um exemplo de como nosso relacionamento com nossos pais influencia nossa vida no mundo, e como faz a diferença estarmos verdadeiramente reconciliados com eles e de acordo com tudo, da forma como foi.

E o caminho para isso é ver a realidade, como ela é.

Ver a vida como ela chegou até nós.

Dar um sim no coração a tudo o que aconteceu e à nossa família do jeito que é. Cada um, com toda certeza, buscando sempre realizar e viver o que acredita ser o certo, da melhor maneira possível.


A Constelação Familiar pode te ajudar!

Através da Constelação Familiar de Bert Hellinger, é possível perceber o que atua nas dificuldades de seu relacionamento com seus pais. O atendimento em constelação é também uma oportunidade para perceber que o vínculo de amor entre pais e filhos é indissolúvel, mesmo com todas as dificuldades que possam ter acontecido na sua vida.

É comum ao constelar um tema que a pessoa encontre um ambiente propício para o resgate desse vínculo, e depois aplicá-lo em sua vida. É uma conhecimento com aplicação terapêutica que tem ajudado milhares de pessoas em todo o mundo a encontrar novas possibilidades para suas vidas, de forma mais leve e produtiva.


 

O Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano é pioneiro em Florianópolis no trabalho com as Constelações Sistêmicas. Foi fundado pelos consteladores Sonia Farias, Maria Inês Araujo Garcia Silva, Paulo Pimont e Ana Garlet.

Constelação Sistêmica é uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger após anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo.

O resultado desses estudos se transformou em um trabalho simples, direto e profundo que se baseia em um conjunto de leis naturais que regem o equilíbrio dos sistemas que o próprio Bert gosta de chamar de “Ordens do Amor”.


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