O Casal: o olhar para o relacionamento afetivo através da Constelação Familiar

A figura do casal é central em nossa vida. Nós somos resultado de um relacionamento afetivo e muitos de nós escolhemos também este modelo de relacionamento quando adultos.

É a partir do relacionamento entre um homem e uma mulher que é possível passar a vida adiante. É através do encontro entre duas pessoas que uma terceira é possível. E esse é um trabalho importante para o fluxo da vida.

Ainda assim, poucos tipos de relacionamentos apresentam tantos desafios quanto a vida a dois. Mesmo que haja o sentimento do amor, ou da paixão, às vezes o relacionamento não flui como esperamos. Ou como desejamos.

Porque será que isso acontece? A Constelação Familiar e seu olhar para as relações familiares tem algumas boas informações sobre isso.

A cultura familiar

Quando falamos do casal, precisamos olhar para os dois indivíduos que fazem parte dele. Estes indivíduos foram filhos ou filhas que receberam um carga de cultura, conhecimentos, linguagens e significados bastante específicos em sua criação.

Podemos imaginar que cada um, nesse relacionamento, vem de um mundo, de um “país” totalmente diferente.

Ela vem de um lugar que fala uma língua que exprime seus conhecimentos e sua forma de ver o mundo. Uma forma própria de lidar com os seus afetos e o que é valioso ou não.

E todo esse aprendizado veio de seus pais e da convivência familiar, onde esses conhecimentos e modos vão sendo passados de forma sutil, porém constituem a base daquela pessoa do que é um relacionamento e o que se deve esperar dele.

Ele também vem de um outro lugar, com suas culturas, seus valores e até mesmo uma linguagem própria. Lá, ele aprendeu o que é afeto, numa educação que vai muito além do verbal. Ele aprendeu com tudo que ele experienciou, viu, ouviu e registrou durante todos os seus anos de vida exclusiva naquele “país”.

Sua “gramática” vem de experiências específicas e também de tudo aquilo que faz parte do seu campo familiar. Isso é algo que atua sobre esta pessoa, e seu espaço de movimento diante desta influência é limitado.

 

O encontro

Assim, essas duas pessoas saem pelo mundo. Em um momento se encontram, se apaixonam e começam um relacionamento.

Num primeiro momento, esse olhar, dos dois lados, é bastante idealizado. Ou pode ser até mesmo guiado por um senso de “esta pessoa vai me dar o que falta”. Sobre isso vamos falar um pouco mais logo adiante.

A medida que o relacionamento evolui, a intimidade vai crescendo e ambos os lados permitem que suas sombras fiquem mais visíveis, e que aquelas características que se prefere esconder venham mais à tona.

Muitas vezes essas características começam a gerar ruídos no relacionamento, que dificultam a manutenção da relação. A “preguiça” de um contra o “perfeccionismo” do outro. Ou “Eu faço tudo e você não me ajuda em nada” e “você me exige demais”.

E nessa hora, como numa posição de um duelo de faroeste, cada um vai para um lado da batalha, com suas armas em mão. E como arma, cada um saca tudo aquilo que aprendeu que deve existir em um relacionamento, com base nas suas experiências, linguagens, cultura que vivenciou – ou que desejava vivenciar – na sua família de origem.  E isso é muito difícil de fazer funcionar.

O que falta?

Os integrantes deste casal, foram, antes de tudo, filhos de um pai e de uma mãe. Como bons filhos que são, há carências não atendidas que numa fase adulta, podem ressurgir dentro da dinâmica de casal. Esta é uma dinâmica básica que dificulta o relacionamento do casal, quando um ou os dois lados do relacionamento buscam no parceiro a compensação de algo que faltou em relação aos seus próprios pais.

É muito comum quando se fala do amor idealizado, falar que o amor dará certo porque “o outro me trará algo do qual eu sinto falta”.

O olhar da Constelação fala que isto é um gatilho para as crises e as dificuldades de um casal. Isso porque esse sentimento de falta está ligado com um afeto esperado do pai ou da mãe, que nenhuma outra pessoa é capaz de suprir, independente do nível de afeto que seu parceiro ou parceira esteja disposta a dar.

“Portanto, a ordem do amor entre o homem e a mulher envolve também uma renúncia, que já começa na infância. Pois o filho, para se tornar um homem, deve renunciar à primeira mulher em sua vida, que é sua mãe. E a filha, para tornar-se mulher, precisa renunciar ao primeiro homem de sua vida, o seu pai.” Bert Hellinger, no livro “No centro sentimos leveza.”

Uma boa imagem aqui é a sabedoria popular: “Dar murro em ponta de faca”. Eu tento obter do meu parceiro/parceira algo que ele não pode me dar. E quanto mais eu insisto, mais pesada se torna a relação para os dois lados e mais eu me machuco.

 

As dificuldades de casal

Já sabemos que a carência dos pais pode transparecer através de dificuldades no relacionamento, pois buscamos em nosso parceiro algo que ele não tem para nos dar (afeto dos nossos pais).  Porém, ainda assim há um outro grau de dificuldade, e ele está na comunicação.

Como bons estrangeiros que são, cada lado de um casal decodifica o afeto e o relacionamento de uma forma diferente. Cada um com base no seu aprendizado familiar.

Isso se complica ainda mais quando surgem as cobranças sobre problemas da família do outro. Quando eu, sendo um estrangeiro na cultura familiar do meu parceiro, me ponho a tecer opiniões e até mesmo soluções para problemas que surgem no território do outro.

Esse é um dos maiores desafios dos relacionamento.

Nessa liberdade que é construída através do afeto e dos novos vínculos que se formam no relacionamento, muitas vezes a tentação de sair do lugar e invadir o espaço do outro é muito grande. E nossa criança interior muitas vezes são suporta a sedução e cai no erro.

Existe então a quebra da ordem, e como Hellinger nos mostra tantas vezes, isso é vivenciado com um tensionamento da relação. Muitas vezes isso se mostra de forma instantânea e claramente, com uma das partes do par se sentindo invadida pela outra.

 

Dupla-Cidadania

Um outro nível que se mostra aqui no relacionamento é dos casais com filhos. Se cada parte de um relacionamento vem de um país próprio, com culturas e valores específicos, os filhos são a imagem clara da dupla-cidadania dos campos familiares dos pais.

Isto porque nos filhos, os dois campos que os compõem não estão separados, como acontece com os pais. Estes, ao passarem para seus filhos a possibilidade da vida, entregaram a eles também o pertencimento aos seus respectivos campos familiares. E estes dois campos permanecem unido neste vínculo que é o filho.

“O vínculo entre um casal, principalmente quando se tornam pais, é muito profundo. É o vínculo do casal que dá também aos pais a força para cuidar dos filhos.” Bert Hellinger, no livro “A fonte não precisa perguntar pelo caminho.

Isso também atua num nível profundo. Quando o casal se desentende e cai no julgamento dos valores de um ou de outro, o filho aqui também se sente julgado. Pois não há lugar em sua composição em que algo que veio do pai ou da mãe possa ser excluído. Simplesmente tudo faz parte, o filho é seu pai e é sua mãe. 

Isto é interessante notar principalmente no processo de divórcio, e como este processo é muitas vezes bastante pesado para os filhos, tanto quanto é para os pais. (sobre isto, você pode ler este artigo especial).

Nesse caso, quando há para o casal a necessidade do divórcio, a separação pode acontecer de forma mais leve quando se reconhece os bons frutos daquele relacionamento – principalmente os filhos – e se pode olhar para o amor que houve um dia e que permitiu que algo se movesse adiante.

Cada um assumindo o que lhe cabe na responsabilidade de reconhecer que um relacionamento de casal é sempre fruto do movimento de duas pessoas, sem exceção.


O Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano é pioneiro em Florianópolis no trabalho com as Constelações Sistêmicas. Foi fundado pelos consteladores Sonia Farias, Maria Inês Araujo Garcia Silva, Paulo Pimont e Ana Garlet.

Constelação Sistêmica é uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger após anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo.

O resultado desses estudos se transformou em um trabalho simples, direto e profundo que se baseia em um conjunto de leis naturais que regem o equilíbrio dos sistemas que o próprio Bert gosta de chamar de “Ordens do Amor”.


Você está sentindo dificuldades no seu relacionamento? Entre em contato conosco pelo formulário abaixo e saiba como a Constelação Familiar pode ajudar você.

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