Mãe: uma mulher comum – Constelação Familiar de Bert Hellinger

Não se assuste com o título deste texto. Pode parecer que chamar nossa mãe de uma mulher comum se assemelha a diminuí-la, ou ao seu papel. Não é nada disso.

Na verdade, a nossa recusa, como filhos, em ver a ela desse jeito, dentro da realidade como ela é, nos conduz a problemas e dificuldades de relacionamento e na vida.

É bom esclarecer: nossa mãe é comum, ainda que capaz de coisas extraordinárias.

A maior delas é a capacidade de gerar vida.

Uma outra é a capacidade de a partir do seu corpo, nos alimentar. E nos prover segurança, carinho e um ambiente que nos permite crescer.

Mas ainda assim, ela é somente uma mulher comum.

O que isso significa?

Que ela também foi uma filha com suas carências, ou uma mulher de coração partido. Significa que ela também foi uma jovem com seus sonhos, e talvez também frustrações. Significa que a vida que passa e passou por ela também trouxe desafios que ela talvez não soube lidar bem.

Como uma mulher bem comum, ela pode ter passado por situações que foram muito fortes, e onde ela se viu sem saída. No seu senso de sobrevivência, algo teve que se reposicionar para que ela pudesse ir adiante.

Esse ir adiante, ainda que de forma não perfeita – ou melhor, não da forma idealizada por nós, filhos – é que permitiu que ela construísse uma vida, da forma como foi.

E foi essa vida que alimentou a nossa vinda. Também da forma como foi.

 

Despedindo-se da mãe ideal

É possível olhar para sua mãe e se despedir da super-heroína? Olhar para ela na sua grandeza comum, de quem tomou a vida e fez algo com ela?

Falar sobre a mãe lembra também que tem que se falar dos filhos. São papéis interdependentes, onde um não existe sem o outro. E nesse ponto, os filhos, através de seu amor e conexão profunda com a mãe, caem na armadilha da idealização.

Isso é prejudicial pois ao identificar a mãe com o olhar idealizado, também passa a exigir dela um comportamento que é impossível de ser alcançado.

E nesse movimento, muitas vezes, cria-se um espaço onde o filho experimenta esta expectativa e sua não realização por parte da mãe como falta de amor e falta de carinho, como se a capacidade de sua mãe de ser mãe não fosse o suficiente.

Por olhar o inatingível, sua conexão com a mãe real fica estremecida.

Isso é prejudicial, antes de tudo, para o próprio filho. Nesse ponto, onde se percebe o ciclo de dificuldades que nós inconscientemente criamos para nós mesmos, é que Hellinger, o criador das Constelações Familiares, nos coloca a nossa responsabilidade pessoal.

O relacionamento com a mãe é algo definidor que gera reflexos em muitas áreas da vida. Um estremecimento na relação com a mãe traz dificuldades no desenvolvimento e no  caminhar de uma pessoa.

Se eu, como filho, idealizo algo que minha mãe não pode me dar, eu também tenho responsabilidade nas minhas dificuldades com ela. E se eu aceito essa responsabilidade, então é possível olhar para uma boa solução.

 

Como retornar à mãe

Filhos desejam seus pais. O vínculo que os une é muito mais forte que qualquer desavença ou exigência. Vemos continuamente em nossos workshops, que o que atua no coração de cada filho é amor e lealdade a seus pais, ainda que na superfície esse sentimento seja experimentado como raiva ou exclusão.

Reconhecendo isso, é possível encontrar uma porta onde podemos retornar à nossa mãe. No caminho de volta, faremos apenas um pequeno ajuste: nos preparamos para encontrar nossa mãe real.

Para nos ajudar nesse caminho, um pequeno exercício de imaginação pode nos ajudar.

Então, que tal olhar você para aquilo que é difícil em sua vida pessoal? Aquilo que negamos, tentamos esconder ou mesmo que batalhamos para mudar, mas que nem sempre saímos vitoriosos? Lembramos da nossa sensação de confusão quando somos confrontados por outros que nos pedem outras atitudes, e nos sentimos perdidos sem saber direito o que fazer.

Sim, nós, como pessoas bem comuns, com nossas limitações.

Se você pode experimentar isso, veja se é possível olhar para sua mãe e perceber nela essa mulher, também bem comum, que se defrontou com coisas na vida em que ela tenha se percebido também com dificuldades para resolver.

Uma mulher comum, que também caminhou na vida como a gente, sem manual de instrução. Acertou e errou, em um método de aprendizado comum a todos.

Veja se a exigência que ainda existe em você é algo que você possa soltar. Veja também se esta exigência está servindo à você, no seu medo de tomar responsabilidade pela sua vida.

“Enquanto eu culpo minha mãe, pouco me resta fazer a não ser esperar. E exigir. E também assim escapo da minha responsabilidade com a minha vida.”

 

Comum, ainda que com feitos extraordinários

Que tipo de relacionamento nos espera, ao vermos nossa mãe como uma mulher comum? O maior reflexo da mudança deste olhar é encontrar novamente o caminho para nossa mãe, e retomar o fluxo da nutrição para nossa vida.

Saimos do imaginário e lidando com o real, encontramos nossa mãe e a nós mesmos.

Descobrimos onde está o nosso porto seguro e todo o mar disponível para navegar.

Com uma base forte, nos sentimos seguros para tomar nosso próprio caminho, conquistando nossas alegrias e aceitando nossas dores. Tudo aquilo que nos pertence entra em nosso caminho.

Há também um interessante efeito secundário de vermos nossa mãe através do que se apresenta como verdadeiro e real. Ao liberá-la de expectativas extraordinárias, liberamos a nós mesmos para conduzir nossa vida dentro dos parâmetros reais. Ficamos menos ansiosos, mais satisfeitos e vemos a leveza adentrar na nossa rotina.

Seguimos bem por estarmos tranquilos na nossa origem. Não brigamos mais com a fonte da nossa vida. E por consequência, não brigamos mais com a vida em si.

Caminhamos, gratos, por ter a mãe e o pai que temos. E tudo que faz parte se torna força em nossos movimentos diante da vida.


À todas as mães, nossa gratidão pela coragem. Um grande abraço de toda a equipe do Instituto Ipê Roxo.



O Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano é pioneiro em Florianópolis no trabalho com as Constelações Sistêmicas. Foi fundado pelos consteladores Sonia Farias, Maria Inês Araujo Garcia Silva, Paulo Pimont e Ana Garlet.

Constelação Sistêmica é uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica. Foi criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger após anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo.

O resultado desses estudos se transformou em um trabalho simples, direto e profundo. Que se baseia em um conjunto de leis naturais que regem o equilíbrio dos sistemas. Leis estas que o próprio Bert gosta de chamar de “Ordens do Amor”.



Gostaria de saber como fazer sua Constelação? Fale conosco pela caixa abaixo.

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