Nossa mãe e nosso trabalho. É através do trabalho que podemos nos sustentar. É através dele que alcançamos novas possibilidades para a vida. Muitas vezes, são as situações profissionais que nos retiram de nossa zona de conforto e nos empurram para o mundo.
Muitas vezes o trabalho nos impõe desafios que, se pudéssemos escolher, não vivenciaríamos. Seus movimentos nos fazem mudar, e assim, caminhar para frente.
É o trabalho que nos chama para o mundo, um movimento atribuído ao nosso pai.
É o trabalho que permite nosso acesso ao alimento, à segurança e à vida, movimentos atribuídos à nossa mãe.
Então, uma boa dica para olhar para nosso papel profissional é olhar como estamos como filhos. Ou até mesmo ampliar essa percepção: a forma como nos colocamos no trabalho é muito semelhante à forma como nos portamos com nossos pais.
De onde a gente veio?
Nossa primeira experiência no mundo se dá com nossos pais, e em especial, com à mãe. A busca pelo alimento no seio materno e nossa segurança está totalmente relacionada pela nossa disponibilidade à ela, e a dela à nós.
Como bebês, não decidimos isso racionalmente. No nosso pequenino ser, somos programados para buscar nesta mulher o que nos falta. Enquanto crianças, fazemos isto instintivamente.
Mesmo que, em nossos primeiros anos, nossos sistemas emocionais e físicos não estejam totalmente desenvolvidos, sabemos que é nela que encontramos o que é necessário. E quando bebês, quando sentimos que algo está errado, é na sua presença que encontramos conforto.
É possível perceber como esses primeiros movimentos se assemelham a movimentos que temos para o trabalho? Como o trabalho nos dá acesso a áreas da vida assim como foi dado a nós pela mãe, quando chegamos ao mundo?
Movimento interrompido
Por esse motivo, é comum também que nós projetamos em diversos aspectos do nosso trabalho, questões relacionadas à nossa família de origem. Esse é um dos pontos onde podemos ver como a falta de sucesso profissional está ligado à algo em nosso relacionamento com a mãe.
Se em nossa história tivemos um movimento interrompido em direção à ela, isso se torna um desafio que irradia para muitas áreas da vida, e claro, também para a parte profissional.
Bert Hellinger, fez este exercício sobre a prosperidade e o trabalho em um de seus seminários. Veja o vídeo abaixo:
Aqui é possível já perceber muitas relações. Mas uma coisa interessante a ser notada: a postura da representante para a prosperidade no trabalho e da representante da mãe são muito próximas e muito semelhantes. Da mesma forma, a postura da cliente permaneceu igual diante das duas.
Essa é a correlação que Bert nos mostra em seu trabalho: Nossa história familiar, e principalmente nossa relação com nossos pais se mostram como o fundamento base onde construímos nossa vida adulta, em áreas que muitas vezes sequer percebemos.
Sobre as mães que foram difíceis
É possível encontrar familias onde a mãe tem posturas que julgamos como erradas, fora do normal. Dar seus filhos em adoção é um exemplo, ou mesmo quando as mães são cruéis com seus filhos, negando a eles afeto ou sendo muito duras com eles.
Estes casos são realmente muito dolorosos e marcam a existência do filhos, com certeza. Nós olhamos para estas mães que não foram capazes de amar, como pessoas que um dia foram crianças e que, com certeza, passaram por momentos de grande dor e dificuldade.
Isso não significa que não olhamos para o que houve. Mas sim que a honramos quando deixamos com ela todas as consequências sobre aquilo que ela foi e nos liberamos. Quando podemos olhar para esta mãe deste lugar, poderemos tomar a força que vem dela e, apesar de ela não ter conseguido construir vínculos de afeto, nós podemos nos liberar para fazer diferente dela com as pessoas que amamos.
E o que significa deixar com a mãe as consequências sobre aquilo que ela foi? Significa abrir mão de julgá-la, abrir mão de acusá-la…deixar com ela a responsabilidade sobre as escolhas dela é um grande respeito e, desta forma, podemos talvez nos autorizar a fazer diferente daquilo que foi difícil para nós em relação a nossa mãe. Talvez.
Há um texto de Hellinger sobre isso:
“Muitos que reclamam dos seus pais olham para questões secundárias e não para o essencial. Assim perdem o essencial. Em todas as situações onde alguém critica seus pais está diminuindo o essencial dentro de si. Fica mais estreito, menor, limitado. Quanto mais o fizer, mais limitado fica. Ao contrário, se alguém olha para o essencial e toma a vida em sua plenitude e pelo preço total que custou aos seus pais e que lhe custa, essa pessoa pode enfrentar todas as situações.” Bert Hellinger
Sim, é isso mesmo, enquanto nós temos reivindicações e julgamentos aos nossos pais, podemos ficar impedidos de chegar ao nosso sucesso.
Mãe: uma meditação por Bert Hellinger
Nós sabemos, dentro de nós, que amamos nossa mãe. Mesmo quando há raiva, esse sentimento está no espectro do amor. (Se não houvesse amor, não haveria raiva, somente indiferença.)
Porque temos esse sentimento, se nosso direcionamento interno é o amor?
Bert fala que por vezes, algo aconteceu na infância, e que devido a esta nossa dificuldade de compreensão na época, isso cresceu em forma de um sentimento de separação, ou um sentimento de falta de amor. Ele chama isso de “movimento interrompido”.
Leia o exercício abaixo, trazido por Bert Hellinger e perceba a sua posição em relação à sua mãe. Faça-o verdadeiramente, com intenção e seriedade. Estas palavras podem ser uma porta para a cura de nosso movimento interrompido.
Meditação por Bert Hellinger
“Eu gostaria de dizer algo sobre nossas mães. Fechem seus olhos agora.
Olhe para as imagens que você tem de sua mãe. Quantas são? Existem mais de cinco imagens, após anos de cuidados que ela teve com você? Estando disponível dia e noite? Incapaz de dormir bem por estar tão conectada com você, levantando no momento em que você se agitava no seu sono, para ter certeza que você estava bem?
Quantas imagens você tem agora? Cinco? Muitas delas talvez sejam imagens ruins, imagens arrogantes, imagens destrutivas?
Talvez você já tenha até desejado sua morte? O que sobrou de sua mãe? Quanta força? Nós agora vamos mudar essas imagens.
O que foi difícil
As vezes é um rompimento em nossas infâncias. Por exemplo, quando sua mãe não estava presente, por qualquer razão que isso tenha acontecido.
Talvez você estava no hospital ou você teve que estar em algum lugar por um momento.
Então, você tomou a decisão: nunca mais retornar para ela. Tudo o que aconteceu antes, as imagens profundas e belas como que se apagadas.
Agora, voltamos um pouco para as imagens de antes do rompimento, para as memórias felizes, para as imagens felizes, e damos a elas um lugar dentro de nós.
Nos permitimos experienciar essas tenras felicidades de novo: a segurança, o acolhimento, a proximidade, o carinho.
Com essas imagens felizes nós encontramos coragem para dar um passo em direção de nossa mãe.
Apesar da raiva, apesar do desapontamento, nós desprezamos nossa decisão anterior de nunca mais ir em sua direção. Nos atrevemos a um primeiro passo, um pequeno passo, e nós olhamos para seu olhar o tempo todo.
Então, nós juntamos toda nossa força e tomamos o próximo pequeno passo. – E de novo outro passo, muito devagar, nossos olhos conectados com ela o tempo todo. – Tomamos nossa alma para o próximo passo… até cairmos em seus braços abertos.
Finalmente estamos em casa novamente. Querida mamãe.”
Texto traduzido do inglês, presente no livro “In the service of live” de Bert Hellinger
O Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano é pioneiro em Florianópolis no trabalho com as Constelações Sistêmicas. Foi fundado pelos consteladores Sonia Farias, Maria Inês Araujo Garcia Silva, Paulo Pimont e Ana Garlet.
Constelação Sistêmica é uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica. Foi criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger após anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo.
O resultado desses estudos se transformou em um trabalho simples, direto e profundo. Que se baseia em um conjunto de leis naturais que regem o equilíbrio dos sistemas. Leis estas que o próprio Bert gosta de chamar de “Ordens do Amor”.