Como a Constelação Organizacional pode impulsionar sua empresa

Por Ana Cht Garlet

As Constelações Sistêmicas de Bert Hellinger nasceram como uma forma de olhar para dificuldades que atuam na vida das pessoas.  Essas dificuldades podem ter origem dentro do sistema familiar da qual ela faz parte.

Sendo a empresa também um sistema – configurando aqui como um grupo de pessoas com relações interdependentes – o conhecimento de Hellinger passou a ser trabalhado também para consultorias empresariais. E os resultados desde então tem sido surpreendentes.

Esse método de avaliação empresarial consegue olhar para além do aparente ao trazer questões que influenciam a rotina da empresa e sua trajetória.  O olhar abrange aquilo que nem sempre é contemplado em consultorias regulares.

As leis que regem o trabalho de Hellinger no campo familiar são as mesmas que direcionam o trabalho na Constelação Organizacional: o vínculo, a ordem e o equilíbrio. Elas são o norte neste trabalho com empresas.

 

O sistema organizacional

Empresas não são famílias. Possuem a mesma qualidade de serem um sistema de relações interdependentes. Mas a forma como as leis de Hellinger são aplicadas é diferente e consideram  o tipo único de laço e vínculo criados entre seus colaboradores.

Os critérios são os mesmos, mas a forma como se manifestam é distinta. A forma onde isso é mais facilmente percebido é na lei do pertencimento. Em uma família, todos pertencem, e esse pertencimento não pode ser rescindido.

Já em uma organização, o direito de pertencer inicia-se na contratação e encerra-se na demissão, caso esta venha a ocorrer. Quem faz parte, faz parte, mas ninguém possui o direito inato de pertencer. O pertencimento não significa contratação vitalícia.

Novos integrantes

A lei da ordem possui uma leitura desafiante para a empresa. No conhecimento familiar de Hellinger, a ordem fala sobre a prioridade de quem veio antes. Na aplicação desta lei nas empresas, essa leitura é correta, porém existe uma pré-condição.

Empresas são direcionadas para objetivos. O alcance desses objetivos é o sentido de existir de uma organização. Então, se para a empresa realizar suas metas for necessário a contratação externa de uma nova pessoa, um gestor, por exemplo – esse novo colaborador exercerá seu papel com todas as garantias possíveis.

Porém, aqui ocorre pode ocorrer um choque, dependendo do tipo de clima e das dinâmicas que atuam na empresa. O que ocorre é que ambos os lados são equivalentes: o tempo de chegada na empresa e a necessidade de realização dos objetivos da empresa.

Por um lado, os colaboradores que já pertencem há mais tempo tem prioridade. E se houver desrespeito isso poderá se manifestar através de dinâmicas que normalmente geram dificuldades para a empresa.

Por outro, um novo integrante que entra em uma posição superior na hierarquia da empresa tem a prioridade na decisão, já que seu pertencimento a esse grupo está ligado a esse papel.

O importante aqui é aquele que chega por último aplicar suas ações com respeito e honra em relação aos que chegaram antes.

Isso implica numa atitude interna paradoxal: A esse novo integrante é necessário desenvolver a capacidade de liderar sendo ele o último elo da corrente, e não como o primeiro. Ele lidera criando um novo direcionamento para um fluxo já existente.

A Consultoria Organizacional-Sistêmica

Em empresas de pequeno porte, muitas vezes questões pessoais do proprietário geram manifestações dentro de sua empresa. Isso se dá pois em um sistema empresarial pequeno, formado por poucas pessoas, possui em si uma força sistêmica “menor” e o fundador ou proprietário (que podem ser a mesma pessoa ou não) acaba exercendo grande influência dentro da empresa, muitas vezes, levando para dentro dela as dinâmicas que atuam em sua própria vida, dentro de seu próprio sistema familiar.

Quanto mais uma empresa cresce, mais seu campo sistêmico se torna auto-suficiente, desvinculando-se do campo familiar do seu proprietário e criando um campo sistêmico próprio, que atua sobre todos.

Neste sentido, muitas vezes em constelações de empresas de pequeno porte, o movimento necessário se mostra na vida familiar do dono do negócio.

Em grandes empresas esse campo da própria empresa já é extremamente fortalecido. As questões que surgem se relacionam às dinâmicas entre áreas, à cultura da organização, reação à fusões e incorporações. Muitas vezes também se mostram questões culturais em relação a um mercado. Ou até mesmo a um grupo de clientes ou fornecedores.

Essas relações e suas dificuldades podem ser observadas através das Constelações Organizacionais.

Também é possível ver manifestações em setores como financeiro e vendas, marketing e produção, etc, e como a interação entre esses integrantes podem estar interferindo no objetivo da empresa.

Outra possibilidade é constelar um problema específico ou até mesmo estratégias da empresa. Na colocação destes parâmetros, muitas vezes informações cruciais vêm à tona através de papéis subjetivos, como falta de dinheiro ou dificuldades de vendas.

A imparcialidade dos participantes

A constelação organizacional se utiliza de pessoas de fora do sistema empresarial para a representações das questões trazidas pelo cliente.

(Em alguns casos em que são realizadas dentro da empresa, durante um processo de consultoria por exemplo, poderão ser chamados alguns colaboradores para representar o tema, porém, neste caso, é aconselhável que o tema não seja público dos participantes e que estes não saibam quem ou o que representam, pois, muitas vezes, estas informações podem ser distorcidas ou mal interpretadas, gerando vários problemas dentro da empresa. Nossa experiência porém, nos mostra, que esta não é uma opção muito indicada se o facilitador não estiver muito preparado e se o clima organizacional não for o de uma empresa madura.)

Assim como na constelação pessoal, é solicitado somente as informações necessárias para uma primeira leitura sobre o papel dos integrantes, a história do sistema e o problema para qual se deseja olhar.

Dessa forma, evita-se que surjam informações que sejam parciais ou que surjam com uma ideia pré-concebida.

É importante salientar que não se trata de validar ou desacreditar uma ideia, independente de onde ela venha. O que se busca é uma forma de olhar para a realidade do que realmente está se manifestando naquele grupo empresarial.

Normalmente, as dificuldades enfrentadas na empresa são as manifestações de um sintoma que pede atenção, para que algo seja observado, ajustado ou corrigido.

Desta forma, direcionando o olhar para aquilo que o problema empresarial quer mostrar, é possível encontrar soluções.

 

O que uma constelação empresarial pode mostrar

Muitas são as possibilidades que se abrem durante uma constelação organizacional, muitas são as dinâmicas ocultas que podem ser esclarecidas durante um trabalho com as 3 leis sistêmicas, tais como:

  • O que atua para que a empresa não alcance o sucesso?
  • O que impede a empresa de crescer?
  • O que acontece que os bons funcionários vão embora?
  • O que atua para que a equipe se desmotive?
  • Do que a empresa realmente precisa? Investimento? Inovação? Pessoas?
  • Esta empresa realmente olha para o cliente?
  • Uma fusão vai trazer crescimento ou dificuldades?
  • O que é necessário para que uma fusão seja bem sucedida?
  • Queremos comprar uma empresa e integrar ao grupo empresarial. Esta é uma “boa decisão”?
  • Em um lançamento de produto, qual marca poderá exercer mais impacto no cliente?
  • Existe um chefe?
  • Quem realmente lidera a empresa?
  • Quem é que manda nessa empresa?
  • Existe uma ordem ou ela está perturbada?
  • Cada um tem o seu lugar?
  • Todos estão contentes com o seu lugar? (por exemplo, de acordo com a sua qualificação, idade, tempo na empresa?)
  • Todos estão ligados à empresa? São todos leais?
  • Alguém foi excluído? Alguém quer ir embora?
  • Onde está o cliente e o produto?
  • Qual o tipo de relacionamento da empresa ou dos funcionários com o cliente e o produto? O dar e o receber está equilibrado?
  • Existe um padrão de fracasso na empresa?
  • E muitas outras questões….

Quando o responsável da empresa ou de um setor se propõe a olhar para o que atua em sua organização, aquilo que atua em um nível sistêmico se mostra e apresenta possibilidades de solução.

Esse olhar tem favorecido empresas em todo o mundo e tem trazido uma visão integradora das empresas e suas dificuldades. Permite olhar para a verdade que se manifesta nos desajustes das organizações.



Este conteúdo é exclusivo e produzido pelo Instituto Ipê Roxo. A reprodução é autorizada respeitando-se os devidos créditos.

Curadoria de conteúdo realizada por Ana Cht Garlet, professora do Instituto.



 

O Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano é pioneiro em Florianópolis no trabalho com as Constelações Sistêmicas. Foi fundado pelos consteladores Sonia Farias, Maria Inês Araujo Garcia Silva, Paulo Pimont e Ana Garlet. Constelação Sistêmica é uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger após anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo. O resultado desses estudos se transformou em um trabalho simples, direto e profundo que se baseia em um conjunto de leis naturais que regem o equilíbrio dos sistemas que o próprio Bert gosta de chamar de “Ordens do Amor”.


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