As 3 leis da constelação familiar de Bert Hellinger

As 3 leis da vida trazidas por Bert Hellinger e que influenciam os nossos relacionamentos.


Estamos em constante desenvolvimento. Independente se estamos conscientes ou não, nossas experiências no mundo (assim como as experiências daqueles que vieram antes de nós) vão trazendo movimentos que influenciam a nossa vida e, quando temos filhos, também a vida deles. E dessa forma trilhamos o caminho da nossa evolução.

Se não estivermos bem atentos, apenas sentimos os efeitos de nossas ações (sejam efeitos “positivos ou dificuldades e desafios). Muitos vezes, não percebemos onde podemos estar contribuindo para que algo, positivo ou negativo, se manifeste em nossa vida.

Bert Hellinger, psicoterapeuta alemão e precursor da Constelação Familiar, observou que há 3 leis que são os parâmetros para todos os nossos relacionamentos e seus efeitos em nossa vida. Segundo ele, a atuação destas leis é que geram consequências em nossas vidas e naquilo que acontece quando nos relacionamentos com outras pessoas, principalmente com nossos familiares, pois é na família que os laços são mais fortes e é onde geralmente nosso ser é “moldado”. 

Para Hellinger, as Leis atuam em nossa vida quer nós saibamos de sua influência ou não e, por isso, nossa motivação ao escrever este artigo, é falar um pouco sobre elas, para que você possa compreender um pouco mais desta nova filosofia que tem transformado a percepção de milhares de pessoas em todo o mundo.

Compreensão que nos ajuda a caminhar

Talvez, conhecê-las poderá nos fornecer uma chave que pode nos ajudar a compreender os acontecimentos e desdobramentos em nossa vida. Nos ajudar a compreender porque tantas vezes repetimos “os mesmos erros”, mesmo quando sabemos que o resultado não será bom. Nos ajudar a compreender porque temos tudo para atingir o sucesso, porém, algo nos desvia da rota. Nos ajudar a compreender porque, quanto mais tentamos “ser  ou fazer diferente” das pessoas da nossa família, mais “parecidos” nos tornamos. 

Segundo Hellinger, qualquer grupo (por exemplo, uma família, uma empresa, uma escola) é regido pela força de 3 leis:  a Ordem, o Pertencimento e o Equilíbrio. Quando algo dentro de um grupo fere estas leis, seus integrantes sentem essa quebra como tensionamento, restrição e resistência em suas vidas.

Esta é a atuação do sistema para que aquilo que está sendo transgredido seja restituído, garantindo que esses parâmetros sejam respeitados.

Vamos falar um pouco mais sobres as leis a seguir.


Lei da Ordem

“aqueles que vieram antes tem autoridade sobre quem veio depois”

Dentro de um sistema, a hierarquia é comandada pela precedência no tempo. Isso significa que aqueles que vieram antes tem autoridade sobre quem veio depois. O avô tem precedência sobre um neto. Um pai tem precedência sobre o filho. O irmão mais velho tem precedência sobre o irmão mais novo. 

Aqui é o lugar onde uma das transgressões mais comuns acontecem: quando os pequenos em um sistema se colocam numa postura de entrar no lugar dos que são maiores do que eles no sistema. Um movimento alimentado por amor mas também por uma arrogância inconsciente.

Muitas vezes, ainda preso no amor infantil, aqueles que vieram depois em um sistema se colocam num lugar de resolver ou de acreditar que tem melhores soluções do que aquelas realizadas e que foram possíveis.

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Este é um movimento ingênuo e movido também pela imaturidade. E este é um caminho que exige de nós um apequenamento e humildade que muitas vezes não estamos preparados para exercitar.

Quando vemos esses movimentos nas Constelações de clientes, podemos igualmente notar as complicações que a quebra da ordem traz para o sistema.

Por esse motivo, os que sucedem não podem nem devem interferir nos assuntos dos que vieram antes. Não podem tomar dores ou insucessos, mesmo que justificado pelo amor.

Esse amor “arrogante” é tomado pelo sistema como uma interferência e desrespeito pelo destino do outro, e na sua busca por restabelecer a ordem, seus integrantes podem vivenciar problemas e dores.


Lei do Pertencimento

“Todo membro de uma família tem o mesmo direito de pertencer.”

O sistema preocupa-se em proteger todos da mesma forma.

Se por acaso esse direito é negado a algum membro, o sistema o reconduz ao grupo através da sua representação por outro familiar, geralmente as crianças, que são mais suscetíveis a esse amor cego. Através dessa lembrança, ainda que deslocada, o sistema garante o pertencimento de todos.

Assim como uma árvore não determina onde cresce, uma criança se submete ao grupo de origem sem questionar, e adere a ele com força e persistência. 

Por esse motivo, muitas vezes, as crianças assumem de forma cega as dores e sofrimentos que pertencem a outras pessoas do sistema, e sem perceber que ao invés de ajudar, estão trazendo dores a si mesmos e suas famílias.

O direito de pertencer é de todos em um grupo. O sistema não conhece nenhuma exceção, nem em casos onde nosso julgamento aponta para penalizar com a exclusão aqueles que agem de maneira diferente ou que se comportam de forma diversa daquilo que é aceitável pelo grupo.

Para essa consciência de grupo, todos que nasceram em um sistema sempre farão parte.

Aqui há um adendo: Em casos onde houve vínculos de violência e morte, o perpetrador passa a influenciar o sistema da vítima, assim como a vítima passa a influenciar o sistema do perpetrador.

Essa influência está no reconhecimento que ambos os lados geraram um vínculo no episódio. E embora através da dor e violência, estão unidos em suas histórias para sempre. Esse é um grande desafio de compreensão, mas que é facilmente percebido nas constelações que entram neste tema.

Quem pertence a essa rede de influência?

Toda nossa rede de antepassados pertencem ao nosso sistema, mas de um forma mais direta, somo influenciados de forma mais objetiva pelos seguintes níveis:

  1. Os filhos: Nós e nossos irmãos e irmãs. Os que vivem e os que morreram (considerando a concepção o momento inicial da vida). Os abortados intencionalmente ou e forma espontânea. Filhos ilegítimos ou de outros casamentos. Todos fazem parte.
  2. Um nível acima dos filhos: Nossos pais e seus irmãos e irmãs biológicos. Parceiros anteriores de nossos pais, os rejeitados e mortos. Todos pertencem.
  3. Os avós: Os pais de nossos pais, e parceiro anteriores deles.
  4. Bisavós: com menor força, a incidência do sistema das figuras dos bisavós pode ocorrer, mas com menos frequência.
  5. Pessoas que geraram vantagens para a família através de sua morte ou destino: pessoas que deixam heranças a um membro da família e pela qual esta pode prosperar.
  6. Vítimas de membros do sistema: São trazidos para dentro do sistema ao terem sido objeto de violência por um membro do sistema. A vítima deve ser lembrada com respeito e amor.
  7. Agressores de membros do sistema: Agressores de membros do nosso sistema se tornam parte do mesmo. Através da violência, especialmente se resulta em morte, cria-se um laço do destino. Ignorar ou excluí-lo pode fazer com que o sistema busque um representante para ele dentro da família.

Lei do Equilíbrio

“Onde houverem pessoas se relacionando, as trocas entre elas devem ser equilibradas.”

Esta é a lei também chamada de “Lei do dar e tomar”. Onde houver pessoas se relacionando, essa lei estará atuando.

Esta lei diz que onde houver um relacionamento entre pessoas, as trocas (financeiras, afetivas, amorosas, etc) devem ser equilibradas. Existe uma busca de reciprocidade e compensação nas relações humanas. Nelas o dar e tomar deve ser praticado de forma equivalente entre os envolvidos.

Quando há em desequilíbrio nessas trocas, é comum que um dos lados se sinta pressionado a se afastar ou sair do relacionamento.  Isso ocorre pois o desequilíbrio faz com que uma das partes se sinta menor.

Uma imagem aqui é bem ilustrativa: imagine que um relacionamento é como uma conta financeira de ganhos e perdas que, para permanecer saudável, deve permanecer equilibrada, sem grandes créditos e nem grandes débitos. Quando recebemos algo de alguém, ficamos devedores, e procuramos a oportunidade de pagar, também dando algo. Assim a conta fica equilibrada e as pessoas estão livres para continuar a se relacionar ou não.

Porém, quando uma das partes dá sem receber (seja porque tem muito e quer dar, seja porque o outro não tem para retribuir), o outro lado começa a sentir o peso da dívida. Nosso “credor” não nos dá oportunidade de pagar, e nossa dívida fica cada vez maior. Angustiados, fugimos dessa situação.

A dívida é sempre uma situação difícil, pois não é possível aqui estar no mesmo nível que a outra pessoa. A que dá muito se sente grande, a que recebe muito se sente pequena. E nesse caminho o afastamento ocorre.

Há a possibilidade que, o lado doador, ao perceber o peso de sua “benevolência”, para de ceder, dando uma chance ao outro de se equalizar na relação (seja da forma que for, da forma como é capaz de compensar), ficando os dois novamente iguais perante o relacionamento.

Essa lei encontra uma exceção na relação entre os pais e filhos. Nesses relacionamentos, os pais somente dão e os filhos tomam. A compensação acontecerá quando os filhos se tornarem pais, e então, darão aos filhos sem exigir algo em troca. E, segundo Bert, aqueles que não tem filhos poderão compensar o que ganharam de seus pais, contribuindo com seu trabalho e sua obra para o bem estar do todo, fazendo algo para o bem comum da sociedade.

Os pais fazem isso pois também foram filhos e receberam, sem ter que dar nada em troca. Dessa forma, a vida caminha adiante com equilíbrio para todos.


 O Ipê Roxo – Instituto de Desenvolvimento Humano é pioneiro em Florianópolis no trabalho com as Constelações Sistêmicas. Foi fundado pelos consteladores Sonia Farias, Maria Inês Araujo Garcia Silva, Paulo Pimont e Ana Garlet. Constelação Sistêmica é uma nova abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomenológica criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger após anos de pesquisas com famílias, empresas e organizações em várias partes do mundo. O resultado desses estudos se transformou em um trabalho simples, direto e profundo que se baseia em um conjunto de leis naturais que regem o equilíbrio dos sistemas que o próprio Bert gosta de chamar de “Ordens do Amor”.


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