O Simplesmente Ser, uma poesia de Maria Leda Lisboa

Tivemos no mês passado um encontro de alunos do Instituto Ipê Roxo, o Simplesmente Ser. Esse encontro proporcionou a todos uma nova oportunidade de rever os colegas e professores, e com o acompanhamento de Marco Schultz, trouxe também novos olhares para nossa postura como consteladores e na nossa vida diária.

Os alunos do Instituto foram recebidos com um café da manhã na sexta-feira, dia 15 de  dezembro, e após esse momento de reencontro, começamos a programação com uma mesa redonda com a participação dos professores e alunos que estiveram no Hellinger Camp 2017, na Alemanha.

A troca de conhecimento, que trouxe um pouco do que foi visto lá para os que não estiveram no evento, foi cimentando a tônica deste encontro. Aos poucos, fomos percebendo que para além de um fechamento deste ano, estávamos ali gestando algo para o próximo ano.

Marco Schultz pontuou bem isso no segundo dia. A boa e rara oportunidade que tínhamos ali para “escutar o nosso silêncio”, e nos gratificar pelo que tinhamos recebido este ano.

No alto do morro da Lagoa da Conceição, rodeado de um dos lugares mais bonitos de Florianópolis, buscávamos nos integrar cada vez mais de um essência simples. Era a busca do Simplesmente ser.

 

Simples assim

Uma música nos acompanhou neste encontro. A letra e melodia de “Simples assim”, do músico Lenine, volta e meia tocava nos intervalos e durante alguns momentos do curso.

No segundo dia, Paulo cantou e tocou para o grupo.

Seu conteúdo reverberava nos participantes, por ser muito alinhado com o que nós nos propusemos a fazer nesses dois dias: Olhar para a essência de cada um, e deixar isso transbordar respeitosamente em nossa vida e no nosso trabalho como consteladores.

Meditamos, sileciamos, buscamos a calma da mente. Mais que um encontro de alunos, o “Simplesmente Ser 2017” proporcionou um momento de parar e olhar para o que passou e integrar, para que púdessemos caminhar inteiros adiante.

 

A poesia especial de Maria Leda

Nossa colega, a consteladora Maria Leda Lisboa Ferreira de Melo, escreveu, a nosso pedido, uma poesia para este momento.

Maria Leda é escritora de dois livros: “Amam-me Depois” e “Espelho Negro”. Artista Plástica, concorreu no prêmio Santander, com a obra “Retrato de Minha Neta”. Nasceu em Joinville em 27 de maio de 1947, criada em Florianópolis, residiu no Rio de janeiro.

Administradora de Empresas, trabalhou na TELEBRAS durante 30 anos. Formada em Psicologia, Psicodrama Pedagógico e Constelações Familiares – segundo Bert Hellinger pelo Instituto de Filosofia de Colônia com Peter e Tsyuko Spelter.

 

Leia abaixo a poesia, linda, que resume bem o movimento desse nosso encontro.

Simplesmente Ser

Um mensageiro da “Bola Dourada”

Como um vento às vezes sutil,
muitas vezes forte,
algumas vezes disfarçado
e até violento…

Tantas outras, passando pelas frestas,
cantos, tetos e telhados, galhos de árvores.
Soprando as águas dos rios,
lagos, mares e oceanos, nas suas profundezas ou margeando.

Penetram, carregam e
tudo que levam fica depositado
em algum certo lugar.

Sem forma aparente mas intenso, denso e dominador,
quase determinante,
segue seu rumo perseguindo seu destino até cansar,
para silenciosamente repousar em  algum secreto esconderijo da alma.

Basta um movimento que o agite para
despertar em sua revoada e tocar novamente
a BOLA DOURADA DA VIDA em sua
alma inquietamente eterna.

Sábio socorro das almas
entrelaçadas nos emaranhamentos
que rompendo cuidadosamente seus
elos soldados diante de coisas indiscutíveis
mas nem por isso,
deixando de existir e persistir.

Ali estão… de muito tempo… hora de calar e sentar no silêncio.
Ele fala.
Dando–se o melhor de mim…
ele conta.
Dando-se um espaço para a dor, ela se mostra.
A verdade simplesmente
não precisa de prova.
Apenas contatar com as energias que
habitam no coração.

Quem tem medo, julga.
Assim posso dar consciência aberta às perspectivas
sem expectativas.
Na luz, encontramos o conhecimento,
no amor, o entendimento.

No tempo do SIMPLESMENTE SER,
cultivo o discernimento que é a fonte das respostas.
Posso me colocar a serviço.
Se consigo ouvir os
ensinamentos da alma e deixando que a BOLA DOURADA
siga seu curso na rota da vida
na contemplação do simples ser
na postura do simplesmente sendo.

Leda Lisboa
13/12/2017

 

O olhar de Sonia Farias

A nossa psicóloga e consteladora Sonia Farias escreveu sobre a nossa experiência um texto muito especial. Leia abaixo e sinta como foi estar lá nesses dois dias, nesses encontro com o simplesmente ser.

“A razão tem asas curtas, já dizia Dante de Alighieri. E C. S. Lewis afirmava que a imaginação é o porteiro de nossa alma. Cada um a seu tempo, Dante e Lewis, pareciam tão presentes no nosso tempo, onde a poesia, filosofia, teologia e a história da humanidade se encontram e conversam amistosamente com as constelações sistêmicas, nos dias 15 e 16 de dezembro, nosso 1° encontro Simplesmente Ser.

A ‘graça da vida’ e ‘aquilo que é’, se encontravam como antigos e saudosos amigos.

Sim, assim vivemos nosso primeiro encontro:

Simples

Mente

Ser,

com nossos alunos formados e em formação do Instituto Ipê Roxo.

Na sapiência da poetisa Leda Lisboa: Simples Ser!

A Mente, ela preferiu que ficasse por uns minutos em paz.

Um mês antes do encontro com a poesia pronta, Leda já antevia de forma profética o que estava por acontecer…

Que tempo incrivelmente rico e inusitado.

Quanto silêncio, quanto amor.

Marco Schultz, nosso querido convidado nos conduziu ao Nobre Silêncio.

Em contato com “Aquele” que nos conecta com os impulsos tão antigos quanto a raça humana, as constelações experienciadas no encontro foram poucas, porém profundas. Os temas trazidos conduziam a todos os presentes.

Seguiamos o mover profundo da alma, expandindo nossos horizontes anímicos, espirituais, criativos e mentais. Emoções, lágrimas, reverências e sensações que nunca havíamos provados, surgiram ampliando e tomando nossos corações.

A razão, após tantas emoções, ganhou novas asas, foi tocada pela alma em sua grandeza. A razão foi ficando encantada, enriquecida e humilhada, tudo ao mesmo tempo.

Com conceitos ampliados, a sensação de todos os presentes era que a postura fenomenológica, como ciência referenciada, se movia suavemente como uma dança aos processos de expansão da alma.

O que vivemos no nosso primeiro encontro SimplesMente Ser, poderia ser comparado a poesias do passado, e ao mesmo tempo poesia tão moderna, atual e apaixonante. Ardia como fogo em nossas mentes e corações.

Vivemos intensamente tudo isto.

Somos todos mensageiros da BOLA DOURADA da vida. Vinha sobre nós sutilmente ou como vento forte, sem forma aparente, como um cicio, o sopro mais suave da vida, e a BOLA DOURADA seguia até encontrar um certo lugar…

Natal!

Exatamente como Maria, mãe de Jesus, após tanto andar, encontrou uma manjedoura para colocar seu bebê.

Sem riqueza aparente mas tão intensamente rico em sua singela, a vida seguia, até silenciosamente repousar em algum secreto esconderijo da alma.

Lagoa da Conceição, da Concepção, nos alertava Marco Schultz em suas reflexões meditativas. Percebam a data, quanta sincronicidade e sintonia. Nada nos chega por acaso. É o novo que se aproxima.

E nada é mais forte do que
deixar vir à luz, deixar existir e persistir o que há de vir.
Ali estão… de muito tempo…

Maria e seu bebêzinho.

Sim, chegou a hora de calar e sentar no silêncio, como diz nossa querida Leda.
O silêncio fala.

Todos nós, alunos e professores, em reverente unidade, sim cada um dando o melhor de si, o silêncio tomou seu lugar e segredou a muitos coisas do profundo.
Por que ele conta.

Repetindo as palavras da poesia, 

…Dando-se um espaço para a dor, ela se mostra.
A verdade simplesmente não precisa de prova… basta tocar as energias que habitam no coração.

Assim sem medo, com nossas consciências aberta às perspectivas sem expectativas, a luz presenteou a todos encontrar conhecimento, mais amor, o entendimento.

A PRESENÇA e o SILÊNCIO no tempo do SIMPLESMENTE SER, trouxe a todos discernimento como fonte de muitas respostas.

Ouvindo os ensinamentos da alma e deixando que a BOLA DOURADA seguisse. Assim desafiados, saímos plenos e prontos a servir, seguindo cada um o seu curso na busca de uma vida de mais contemplação, mais vida de meditação e silêncio. Mais do simples ser. Finalizando com as palavras de Leda Lisboa, na postura do simplesmente sendo.”


 

Fale Conosco! Utilize o formulário abaixo.

Deixe uma resposta