Direito Sistêmico: Oficina “Conversas de Família”

O Instituto Ipê Roxo, através do psicólogo, constelador e professor de Direito Sistêmico Paulo Pimont, é apoiador da iniciativa da Juiza Vânia Petermann no projeto “Conversas de Família, no Fórum Norte da Ilha.

A oficina é uma oportunidade onde famílias que estão envolvidas em algum lítigio possam experimentar um novo canal de conversa e mediação. Neste canal são utilizados os conhecimentos do Direito Sistêmico e da Comunicação não violenta (CNV).

A Oficina “Conversas de Família”, passou por alguns “modelos” até chegar no formato atual.

Em uma parceria que já dura mais de um ano, o Instituto Ipê Roxo e a Comarca do Fórum Norte da Ilha vêm conduzindo este processo quinzenalmente.  Este movimento já trouxe resultados expressivos nos processos que passaram por este projeto.

O Projeto

O Instituto Ipê Roxo contribui com a participação de profissionais com experiência e treinamento consistente na visão sistêmica das Constelações Familiares de Bert Hellinger.

Todos os profissionais envolvidos trabalham de forma voluntária.  Eles trazem a postura e exercícios sistêmicos das Constelações que são agregados aos exercícios de CNV.

Quando há processos que se encaixam no perfil do projeto, as partes são convidadas a participar de um encontro.

Não há um cronograma rígido de temas.  Essa oficina, da forma como se realiza hoje, é baseada na metodologia fenomenológica. Isto significa que os facilitadores treinados nessa postura são expostos àquilo que surge do grupo e seguem conforme os assuntos se apresentam.

Com base nestes assuntos, todo o grupo é levado para reflexões acerca da natureza dos conflitos e das possibilidades de solução.

Pela experiência adquirida em todo o período de realização deste projeto, optou-se pela realização de 2 oficinas por mês. Isto permite que as partes tenham maior liberdade de se expressar na Oficina, ao frequentarem em datas separadas.

Assim, requerente vem num encontro e o requerido no outro dentro do mesmo mês. Para este fim, é sugerido que o espaço entre a participação na oficina e a data de mediação seja de 15 a 30 dias para que todos possam assimilar a experiência.

O respeito pelas partes de um processo

Esse tempo faz com que o movimento iniciado na oficina encontre espaço dentro dos participantes. O movimento gerado pelas novas informações e possibilidades de expressão e resolução de conflitos é o que tem feito que o resultado deste projeto seja tão satisfatório.

É importante frisar que não há constelação em todos os encontros, por respeito aos presentes. Quando ninguém manifesta a intenção de olhar para o conflito de outra maneira, esta intenção é respeitada.

Não há imposição e os profisisonais que facilitam estes encontros respeitam completamente a postura fenomenológica.

Também não há o objetivo terapêutico que há num encontro comum de Constelação Familiar. O objetivo principal é auxiliar as partes a verem tudo o que compõe o movimento e que por vezes está sendo coberto por ideias distorcidas.

Entre os preceitos desta postura está também o não-julgamento e a aceitação daquilo que é.  Sem fantasias e desejos de impor mudanças.

Essa forma de lidar com o conflito geralmente traz tranquilidade àqueles que participam do projeto.

Como funciona a Oficina Sistêmica 

O trabalho se inicia recebendo todos os presentes, sem identificar partes de processos ou pessoas que se inscrevem para participar dentro do número de vagas estabelecido.

Frisa-se que a oficina, idealizada pela juíza Vania Petermann, tem por objetivo proporcionar uma reflexão sobre o processo e o conflito nele existente. Desta forma, constrói-se um caminho para que as partes encontrem a melhor solução para os envolvidos. A solução que poderá ser cumprida por todos.

Este é um dos preceitos mais importantes do Direito Sistêmico: que as pessoas envolvidas no conflito sejam protagonistas da solução de seu caso. Esta postura devolve às partes a responsabilidade pelos atos e consequências do que foi levado à justiça.

Esse é também um dos desafios desse projeto, uma vez que as partes procuram o sistema judicial justamente por não conseguirem sozinhos chegar a uma solução.

Mas Paulo Pimont, nos vários projetos que participa relacionados ao Direito Sistêmico, diz que este conhecimento coloca a pessoa em contato com dinâmicas ocultas em sua postura na vida e no conflito.

Esse contato produz movimentos que antes estavam bloqueados pelas dificuldades em perceber as dinâmicas que atuavam nas partes.


Leia esta matéria do TJSC que fala sobre um dos resultados desta oficina: Cejusc, em menos de um mês, concilia pai e filha que litigavam há mais de 23 anos


 

A continuidade do trabalho

O encontro continua com o esclarecimento de que a sala está protegida pelo manto do sigilo, como acontece na mediação.  Isso é importante para que as partes possam tirar suas dúvidas com a tranquilidade que nenhuma informação será repassada para o processo.

É importante frisar que na oficina não há a participação de nenhum profissional do tribunal. Isso permite que as partes se manifestem livremente, sem o medo de algo dito ou falado entre para o processo.

Passa-se então para a CNV, explicando para os presentes o que é esse conhecimento.

Um dos maiores pontos de importância aqui é ressaltar que a comunicação é contínua, mesmo quando nos mantemos em silêncio.

Para uma comunicação consciente, fala-se dos 4 passos da CNV:

  1. Verificar o “fato” livre de julgamentos;
  2. Verificar as “emoções” verbalizando como “eu” me sinto;
  3. Verificar qual é a “minha” necessidade neste cenário;
  4. Elaborar um pedido simples e direto, e aceitar que o pedido pode ou não ser atendido.

Após esse momento, segue-se então para as explicações de como cada um de nós é reflexo de uma longa história, que nos chega através de nossos pais. É exposto uma nova forma de se ver a composição familiar, e como isso nos afeta. 

Neste momento, são trabalhados os conhecimentos trazidos pelo psicoterapeuta Bert Hellinger, que são a base do Direito Sistêmico. É possível perceber que o simples contato com a exposição destas informações já traz movimentos aos presentes.

Seja pela identificação com um caso relatado ou pela emoção de um reconhecimento implícito ao que está sendo dito, muitos movimentos de transformação começam neste momento.

As dúvidas e o caminho do exclarecimento do grupo

Após a explicação, é aberto o espaço para questionamento. Dos temas levantados pelo público nos exercícios, surge a oportunidade de ser feita uma Constelação.

Neste momento, o facilitador atua de forma que o exercício praticado através de um caso encontre utilidade para o maior número de presentes.

São as dinâmicas ocultas que vão se tornando aparentes que produzem os efeitos dessa ferramenta. Elas levam as pessoas a chegarem mais aptas a um acordo ou ao encerramento do processo na fase de mediação.

Ao final, nos despedimos informando que as partes poderão voltar, sempre que quiserem. Isso, mediante prévia inscrição no Cartório Judicial. Relembramos o compromisso do sigilo, para que cada um possa vivenciar a experiência sem informações do que acontece para a outra parte.

Sugerimos que todos deixem repousar a experiência. Assim, a tomada de decisões na próxima etapa do processo se dará de forma consciente e alinhada com aquilo que verdadeiramente move as partes para dentro do Sistema Judiciário.


Saiba mais sobre o Direito Sistêmico e participe deste movimento que tem trazido resultados para todo o Sistema Judiciário.

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