O tempo da espera, do plantio e da colheita – Constelação Familiar

Para tudo na vida tem seu tempo. Muitos de nós já ouvimos essa frase na casa dos avós ou da boca dos nossos pais. Em um momento de dificuldade e desilusão, reclamamos e eles nos diziam: Calma, tudo tem seu tempo.

E como é difícil aceitar o tempo do tempo. Queremos agora, pois nossa insegurança infantil diz que o tempo está passando, que o tempo que temos não é suficiente, que precisamos ser o que planejamos, e ser já! Pois o tempo está passando.

Mas calma, tudo tem seu tempo.

Há um tempo que rege cada fase da nossa vida. Ele não é rígido. Para alguns ele se demora mais, para outros ele permanece por pouco tempo.

Para alguns, o tempo vem em abundância, para outros, somente uma fração.

E nós, que estamos com ele em nossa companhia, como ficamos? Quando jovens, queremos ele já, de prontidão ao nosso lado, com uma linha de chegada bem perto. Somos inquietos e não entendemos a particularidade do tempo. Não entendemos seu passo.

Então o tempo, sem muito se importar com as nossas exigências, vai seguindo em frente e vai trazendo novas coisas. O tempo vai passando, vamos deixando o jovem de lado e nos encaminhando para a fase adulta. O tempo vai junto, e se ainda o percebemos é porque ele não nos abandonou.

Paciente, ele começa a mostrar algumas coisas que antes não estávamos preparados para perceber. Na verdade, ele já havia feitos algumas tentativas antes de nos mostrar certas coisas, mas faltava a nós a fluência da sua linguagem.

 

O tempo da espera

Parece que na juventude estamos imbuídos de um estranho senso de merecimento. Merecemos tudo. A vaga na faculdade, uma atenção maior dos pais, presentes, atenção, afeto. Pouco nos importamos com o que devemos fazer para merecer, geralmente pulamos direto para o “eu mereço”.

Então nós esperamos. Como o mundo não participa da nossa solitária conspiração para receber tudo que “merecemos”, batemos o pé a cada falta daquilo que desejamos. Começamos a nos enganar que estamos certos, num mundo errado. Ou numa família errada, ou com pais errados.

Desejamos que tudo mude, mas dificilmente olhamos para o que nós podemos mudar. Sim, somos jovens. E entre as “funções” de ser jovem é experimentar a vida e seus prazeres e dores, e criar os parâmetros que nos permitirá crescer nos anos seguintes.

 

“Então me abraça forte
Me diz mais uma vez que já estamos
Distantes de tudo.
Temos nosso próprio tempo.”
Tempo perdido, Legião Urbana

 

Assim, vamos criando um ambiente em que a dor e a inconformidade é nossa companheira. Amamos, mas ao mesmo tempo desprezamos. Lutamos por nossas coisas, mas com a cabeça no papel de um mártir que só enxerga os próprios pés.

Alguns de nós ficamos por muito tempo aqui, esperando. Esperando que nosso entorno mude, que nossa família reconheça nosso valor, ou um chefe no trabalho veja o quanto ele é injusto conosco.

O tempo, aquele generoso senhor, vai passando e nós permanecemos sentados, aguardando a recompensa que merecemos. Vamos sentindo dor e dificuldades, pois o tempo passa sem que o vivamos.

Experienciamos o difícil, o peso nos ombros, não caminhamos mais direito. A dor, quando esperamos fora do tempo, é grande. Mas é ela também que prepara o presente para nos colocar de pé. Alguns dizem: quando doer o suficiente, ele se moverá.

Sim, dói. A vida cobra seu preço daqueles que não se colocam nela. Nossos pais, que já aprenderam a caminhar no passo do tempo, olham para nós e dizem: Calma filho, tudo tem seu tempo.

 

Tempo do plantio

A dor que sentimos em algumas fases da vida é muito forte. E talvez haja um motivo para isso. Não nos movemos adiante no conforto, infelizmente. É a dor e a dificuldade que nos transforma em buscadores, e quase por mágica, nos coloca num caminho onde finalmente, podemos aprender a viver.

Vamos ajustando as velas, reconhecemos a necessidade de equilíbrio no mundo e começamos a nos preparar a dar algo, e talvez assim, no movimento de compensação do mundo, ter a chance de também receber algo.

Não há garantias, mas mesmo as ruas sem saída que encontramos no tempo do plantio nos trazem aprendizados. Ficamos mais despertos, como nosso olhar mais aguçado. A cada novo passo ficamos mais perto do próprio tempo, começamos a caminhar com mais harmonia com o que está a nossa volta.

Vemos que a exigência é vazia, e geralmente um movimento incapaz de trazer bons resultados. A exigência sobrecarrega e afasta e nos deixa mais longe daquilo que inicialmente pleiteamos.

 

“Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei
Pra você correr macio.”
Sobre o tempo, Pato Fu

 

Ainda queremos alcançar algumas coisas, afinal o nosso tempo vai se transformando aos poucos. Estamos naquele meio tempo onde as vezes em alguns momentos ainda esperamos, e em outros já ativamente plantamos e tomamos conta da nossa vida.

É nesse balanço que o nosso plantador vai tomando conta e ensinando que esperar o trem na estação é possível, mas que também há outras possibilidades para seguir adiante, geralmente mais tranquilas do que apenas sentar e esperar.

Os pais se alegram de ver o movimento do tempo chegando aos filhos, que agora já se colocam de pé. Filhos que se movimentam, e nas dificuldades, reconhecem a si mesmos nos seus pais. Todos eles, passando pelos mesmos movimentos da vida.

Sem garantia de resultados, decidem caminhar adiante, ao invés de esperar.

“Tu está plantando, filho. E eu me alegro de te ver assim.” Em tempo de plantio, redescobrir a presença dos pais nos chega como o melhor adubo.

 

Tempo da colheita

Então o tempo continua passando, e chegamos no lugar onde a vida passa a nos olhar mais de perto.

Não falamos aqui de merecimento. Já jogamos essa fantasia fora a muito tempo. Mas cultivamos uma amizade com o tempo e com a vida ao longo de toda nossa existência, que descobrimos os segredos recompensadores dos seus movimentos.

Debaixo do manto da tristeza descobrimos o oceano da gratidão. Debaixo das pequenas perdas, descobrimos que somos fortes e que podemos seguir adiante, e bem.

 

“Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo.”
Oração ao tempo, Caetano Veloso

 

Sabemos que somos parte de um movimento muito maior que chegou a nós através dos nossos pais, e estar bem com esse pertencimento é um dos maiores presentes deste mundo. É como se recebêssemos o presente no dia do nosso nascimento, mas só desembrulhamos depois de muitos anos.

Ficamos à vontade com a nossa história e com o que somos e temos. O que se plantou no tempo, aqui floresce e voltar a nutrir. O que não floresceu, aceitamos e seguimos adiante. Aproveitamos o tempo e a vida da forma como eles se propuseram.

Afinal, eles não estão aqui por mim, mas eu estou aqui para eles. E neste serviço, seguimos caminhando adiante, no tempo em que eles desejarem me fazer companhia.


Faltam poucos dias para o início da sua nova Jornada

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Leia o depoimento de Rozangela Maria de Souza Carneiro, participante da primeira turma:

Foram três meses de jornada o equivalente a três trechos.

Em 2016 tive a oportunidade de conhecer o trabalho do Instituto Ipê Roxo, por meio de um convite para participação de constelação familiar.

A partir desta data me identifiquei com o trabalho que até então desconhecia e tive interesse em conhecer um pouco mais sobre os trabalhos de Bert Hellinger, iniciando pelo livro “Além do Aparente”, que me encantou.

Em seguida veio a leitura do livro “No Centro Sentimos Leveza”. Continuo na leitura de outros livros deste autor que muito me interessou pela abordagem sistêmica e familiar. Em meados deste ano recebi um convite do Instituto Ipê Roxo para a Jornada “Caminhando com as Constelações”.

Nestas alturas já uma simpatizante por esta abordagem em psicologia. Senti que estava pronta para participar desta jornada, que se realizou em três trechos, como mencionado acima, nos meses de setembro, outubro e novembro.

Considerei muito bom os dois dias sábado e domingo e o intervalo de um mês entre os trechos. O suficiente para podermos assimilar e amadurecer o conteúdo administrado.

A Jornada me proporcionou a compreensão de muitas coisas que levarei para o resto da vida que já está surtindo efeito. Percebo esta mudança na minha postura referente a minha família de origem, a minha família atual, ao meu trabalho e a minha saúde, com a cura de uma enxaqueca que há anos me acompanhava e nem com tratamento neurológico havia resolvido.

Claro que surgiram algumas questões nas constelações que me deixaram inquieta, mas ali mesmo aprendemos que devemos compreender que certas questões não nos pertence. Hoje posso dizer que com estas conquistas sei como chegar ao meu centro e dizer SIM para a vida e constatar que “No Centro Sentimos Leveza”.  Saí da Jornada “Caminhando com as Constelações”.

Gratidão ao Instituto Ipê Roxo e sua equipe, às amadas coordenadoras da Jornada, Maria Inês Araújo Garcia Silva e Ana Garlet e ao grupo querido que em todos os momentos atuou com muito respeito representando a história de cada um.

GRATIDÃO


Leia mais sobre a nova turma da Jornada Ipê – Caminhando com as Constelações.


 


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