Pais e filhos: A chave da vida, por Joan Garriga

Neste fim de semana o psicólogo, constelador e escritor espanhol Joan Garriga esteve em Florianópolis para um seminário de dois dias e para o lançamento do seu novo livro: “A chave para uma boa vida.”

O Instituto Ipê Roxo esteve no evento pela presença da professora Ana Garlet e alunos da formação em constelação familiar e do direito sistêmico.

Joan Garriga é o escritor que ficou conhecido pelo livro “Onde estão as moedas”, um clássico da constelação que tem ajudado milhares de pessoas em todo o mundo, a compreender e resgatar o relacionamento com os pais.

Em seu novo livro, ele conta a história de um casal de pais que ao ver o filho completar 18 anos, entrega para ele a chave que abre todas as portas da vida. E com algumas indicações, o libera para viver sua vida.

Então esse filho caminha pela vida e encontra bençãos e também dificuldades.

Mas em determinado momento, algo parece ficar difícil demais, e o filho retorna para os pais, na busca de alguma nova informação. E assim, no desenrolar da história, Garriga vai nos trazendo lembranças e indicações de que temos um lugar para nos recarregar, conectar e enfim, seguir em frente.

Uma chave com três dentes

O presente dos pais ao filho, que agora é impelido a buscar seu caminho, é uma chave com 3 dentes. Cada dente tem dois lados: de um, representa uma virtude que impulsiona e, de outro, representa o lado oposto e que dificulta a vida.

No lado das virtudes, encontramos  a força, a verdade e a plena atenção.

Como força, Garriga fala da nossa coragem em buscar e assumir a nossa vida, com tudo que a compõe. Com seus pesos e dificuldades. Coragem também é termos a capacidade de dar para a vida aquilo que temos para dar, que é natural para nós, superando os medos que por vezes nos paralisam.

Como verdade, o escritor fala da nossa integralidade como ser, com nossas esquinas claras e escuras. Ser verdadeiro é apoiar nossos impulsos, aquilo que nosso centro no direciona a fazer. É a capacidade de sermos inteiros, do jeito que reverberamos internamente. Evitamos a projeção e a identidade do ego. Somos quem somos, da forma que somos, sem segundas intenções.

Como plena atenção, Garriga nos aponta para nossa mais poderosa ferramenta. Através do nosso corpo, podemos perceber as indicações e as respostas mais verdadeiras em relação ao nosso ser e nosso caminho na vida.  É necessário aguçar os sentidos, aprender a ouvir nosso ser interior, o acaso, a intuição, os sentimentos e tudo aquilo que extrapola a percepção normal do dia-a-dia.

As distorções das virtudes

No outro extremo de cada virtude, reside seu oposto direto, e que pode trazer dificuldade e sofrimento à nossa vida: a falsidade, a covardia e a inconsciência.

Aqui, é necessário um parêntese: O sofrimento faz parte da vida e é inerente a nossa sobrevivência. Ele próprio é um caminho de descoberta, que por sua natureza compulsória, nos coloca em contato com partes de nossa experiências que dificilmente escolheríamos ir. Então, o sofrimento faz parte da vida e tem seu lugar e valor.

Mas o que Garriga mostra é que os três opostos das virtudes no guiam mais num caminho de perdas do que ganhos. É como se elas reforçassem as dificuldades.

A falsidade é um impulso de esconder certas características que lutamos para dominar. É o desejo de ser diferente do que aquilo que compõe verdadeiramente o ser.

Isso não significa também que não existe um espaço onde durante nossa vida possamos nos moldar, acrescentar novos conhecimentos e nos transformar. Mas seu convite é que consigamos estar em contato com nosso interior de forma a não fechar os olhos quando a imagem nos desagrada.

A covardia é quando nos deixamos dominar pelo medo e desconfiança. Paramos para não ter que enfrentar mudanças ou confrontações. Dessa forma, optamos por não nos expor e retraímos nosso movimento na vida.

A inconsciência é a surdez seletiva para o que nos move, o que está em ebulição dentro de nós. Ignoramos nossos próprios impulsos, muitas vezes para nos direcionar a uma identificação do ego que quer se sentir importante, querido, seguro.

Paramos de ouvir o que nos move, para dar atenção a uma outra coisa qualquer, que não encontra morada em nosso ser. Viramos trabalhadores direcionados ao externo, que caminha sem recolher nada para si.

Presença, presença, presença

E assim fomos seguindo nosso caminho através do seminário de Joan Garriga. Nas constelações feitas, novamente verificamos o poder dos vínculos e aquilo que é colocado para nós através da nossa história familiar.

Em determinado momento, pudemos perceber também que por vezes nos deixamos tomar pela história de nossa criança machucada. Ela nos domina ao contar de novo e de novo uma história que já se encerrou faz tempo, que não traz mais utilidade para o nosso caminhar.

Aos poucos acolhemos esta criança, damos um bom lugar a ela em nosso coração e agradecemos a capacidade de um ser tão pequeno nos proteger, durante muitos anos.

Mas acordados, decidimos continuar com a nossa realidade como ela é hoje, com todas as possibilidades de prazeres e dificuldades que nosso destino nos apresenta.

Queremos andar para frente. E se por vez ou outra a criança acordar, pedindo atenção, sentimos a chave no nosso bolso e lembramos que temos um pai e uma mãe em nossa história, sempre de braços bem abertos para nos acalentar.



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