Brasil: Uma visão sistêmica do nosso país.

Artigo especial escrito pela Psicóloga e Consteladora do Instituto Ipê Roxo Maria Inês Araujo Garcia Silva.

 


Era uma vez, uma estória que acreditamos por um tempo ser a nossa história do Brasil.

Consta em muitos livros, que nossa história começou quando um navegador, ao conhecer uma terra rica e diferente, disse à seu rei, ter “descoberto” uma terra valiosa para ele. Este homem ganhou a graça de seu rei e com isto, uma história, a dele, foi contada por muito tempo.

 

Mas será que esta narrativa é nossa única história?

Como descobrir algo que já existia? Uma terra já habitada, com uma cultura onde homem e natureza se encontrava em equilíbrio? Esta terra, chamada pelos povos da distante Europa como América, despertou cobiça e assim foi sendo loteada. Coube aos portugueses este quinhão que hoje nomeamos como Brasil. Nossa história então é narrada através do olhar de quem registrou, se estreita diante da grandeza da história da civilização que a todos nós conecta.

Essa terra, e o sistema que ela faz parte iniciou-se muito antes de 1500. Sabe o que significa Brasil? Terra abençoada! Esta referência ao país, já existia em registros contidos em mapas da idade média, bem antes do nosso “descobrimento”.

Tantas histórias… Mas qual a que de verdade nos pertence? Qual a missão que esta “Terra abençoada” como era sonhada, tinha e ainda esconde em seu propósito?

Tantos anos e o Brasil continua acolhendo a todos com sua enorme generosidade, mesmo que alguns critiquem tanta abertura, é de nossa natureza permitir que o fluxo siga. Esta forma de incluir e aceitar, não digo submeter-se, mas aceitar o que se mostra, faz do povo brasileiro um povo que vê as situações complexas e por vezes, violentas, não somente como “dificuldades”, mas também como possibilidades, utilizando seu “jeitinho brasileiro” de resolver e assim seguir.

Aquele jeitinho que diz: – Onde comem três pode comer mais um, é só colocar mais água no feijão.” Há um refrão de uma canção que reflete este “jeitinho”:

“ninguém é tão pobre que não tenha um sorriso para dar…”

Assim caminha o brasileiro. Um povo multicolorido, multifacetado, multicultural.

Tantas histórias, tantas versões, qual a real? E agora? Começa aí, através de uma simples pergunta a percepção da verdadeira história de nossos Brasis.

Tantos em um só

Porque Brasis? Porque para cada um de nós, brasileiros, este país grandioso se fez através de uma história diferente, com povos de culturas, etnias, crenças e valores diferentes, definindo a forma, tantas formas, as cores, tantas cores, tão variadas e ricas, formando um mosaico que nos define como um povo que acolhe, aceita, se alegra e cresce com as diferenças.

O Brasil é lindo. A energia que compõe o Brasil, o nosso país, é limpa e pura. Olha para a inclusão de quem quer que seja. O Brasil é terra de todos. Esse é o verdadeiro espírito deste país.

Nosso Brasil é considerado por muitos estudiosos como o único país em condições de realizar o modelo de civilização pacífica, sem preconceitos, liberal, humana.

O povo brasileiro em seu jeito naturalmente acolhedor, circula amistosamente entre diferentes credos e posturas ideológicas, de forma humana e solidária. Precisamos nos orgulhar desta habilidade que as adversidades de nossa colonização nos presenteou.

O cosmonauta russo Iuri Romannenko, o homem que mais tempo permaneceu no espaço, traz em seus registros a diferença observável do Brasil em relação à outros países da terra. Alega que “o Brasil emite fortes fachos de luz, surpreendentemente diferentes de qualquer outro país.”

O húngaro Dubrawstki, diz: “o Brasil é um reservatório para onde fluem todas as energias espirituais preparando-se para o futuro”. Para Pacheco, (2001) o Brasil será a principal expressão de beleza, verdade e amor no planeta.

 

Será que olhamos de fato para quem somos?

Imaginem, quando os primeiros exploradores aqui chegaram e viram uma terra densa, fértil em recursos.

Vegetação exuberante, fontes inesgotáveis de água doce, um litoral desenhado para acolher, receber o descanso de quem precisa encontrar um lugar… lugar… para “explorar”, como muitos de nós ainda se refere aos nossos colonizadores, ou um lugar, busca constante de cada ser humano, que seu saber anseia por perceber que há sim uma “conexão invisível” que nos liga e nos faz sentido como humanos?

Será somente por riquezas, poder ou mais que isso… Pertencimento?

A que me refiro como pertencimento neste contexto?

Nosso olhar aqui, se faz sob a abordagem das Constelações Sistêmicas Familiares, segundo Bert Hellinger. Pertencimento, necessidade primeira do ser humano. Sobrevivência, onde o indivíduo é capaz de qualquer coisa para garantir seu lugar. Aqui reside a paz ou a angústia.

E como pertencer? Primeiro preciso reconhecer que faço parte assim como todos de direito em cada sistema e em todas as conexões que surgem à partir dele e assim assumir o meu lugar.

Esta lei preconiza que “todos que fazem parte de um sistema, independente de ‘bom ou mau’, tem seu lugar de direito garantido no sistema familiar para que a vida flua.”

 

E como saber qual é o meu lugar, como fazer para garantir este lugar?

Respeitando as 3 leis da vida (Ordem, Pertencimento, Equilíbrio) como reverência e gratidão! Gratidão à todos os que já estavam, os índios. Gratidão aos que primeiro chegaram, fenícios, hebreus, criminosos, soldados, portugueses, espanhóis.

Gratidão aos que primeiro investiram, portugueses e espanhóis. Gratidão aos que sem desejo, à força nos serviram, os negros escravos. Gratidão aos imigrantes, de tantas nacionalidades, que aqui vieram sobreviver, crescer, enriquecer. Gratidão aos que vieram servir.

Com esta postura de gratidão, sigo e respeitando a ordem (outra lei da vida segundo Bert Hellinger) de chegada, de direito, me fortaleço.

Mas se ainda reivindico, critico, desqualifico minha terra amada, meu povo construído na história, nossa história, decido paralisar.

 

Qual a diferença entre paralisar e parar?

Quando reivindico, julgo, desqualifico, fico paralisado na queixa, na dor, no sofrimento. Fico olhando para o passado sem reconhecer sua gigantesca importância e sem permitir que ele passe.

Aprendo não quando paraliso, mas quando “paro” o tempo suficiente para permitir que o sopro da história me alcance e me impulsione no presente a fazer mais história e assim gerar possibilidades de futuro.

É importante que possamos permitir que nossa história chegue e sussurre em nossos ouvidos até que atinja nossos corações. É importante que a força de nossos antepassados, os seus e os meus, diferentes mas conectados, tecendo esta cadeia de experiências que nos conduziu a quem somos e naquilo que nos tornaremos nos guie.

É importante saber que a história foi e a vida é. Sustentar com gratidão todas as despedidas, todas as perdas, todos os crimes, todas as conquistas, todas as alegrias que residem na história de cada um de nós, nos libera para um futuro promissor.

O que nos cabe hoje

Nossa história nos conta quais caminhos que foram percorridos para que hoje pudessemos estar aqui, mas não necessariamente para onde iremos ser conduzidos, pois se consigo deixar no passado o que lhes é de direito, consigo me apropriar do presente e assim escolher se fico no sofrimento ou busco a felicidade.

O preço foi pago.

Agora eu decido e confirmo fazendo história. A minha história do Brasil, das Américas, do mundo.

A NOSSA HISTÓRIA DA HUMANIDADE.

Ame seu país e ele se tornará sua pátria!

Ame seus pais para que a vida lhe venha bem!

Ame a si e ao outro e o futuro se fará próspero!

Gratidão minha, nossa pátria amada Brasil!


Ainda tem alguma dúvida ? Entre em contato!

4 comentários sobre “Brasil: Uma visão sistêmica do nosso país.

  1. Es hermoso lo que leí en éste artículo, mi corazón se hinchó de alegría, y tomo a Brasil como mi segunda Patria, mi segunda madre, la abrazo con Amor y le doy las gracias por acogerme.

  2. Que é o Brasil? Sem dúvida é a síntese de todas as mentalidades que o compõem. Como mudar o Brasil? Elevando todas as mentalidades que estão submetidas a você, a sua, e influenciando as que não estão submetidas a você. O Brasil é resultado do suor de muitos milhões de personagens, alguns envergados por nós mesmos em outras vidas. Peçamos perdão à natureza desse país não por a termos utilizado, mas por explorado com menosprezo e em excesso. Peçamos perdão aos índios não por termos vindo, mas pela forma com a qual chegamos. Peçamos perdão aos negros não por os termos trazido, mas pela forma com a qual os temos tratado. Peçamos perdão aos europeus, árabes e asiáticos não por os termos atraído, mas pela forma de os termos segregado e, até, exaltado. Peçamos perdão aos sul-americanos por os termos hostilizado, guerreado. Mentalizar o país melhor passa necessariamente por libertar-se do pior, exige reconhecer erros e agradecer. Só assim poderemos realizar as mudanças que tanto necessitamos agora, e preparar nossa casa para acolhermos sem exploração, segregação nem exaltação, os milhões de refugiados que estamos destinados a acolher. A todos brasileiros, eu sinto todos eles, peço-lhes perdão, agradeço por sua existência, pela convivência e aprendizado. Eu amo todos os brasileiros, inclusive porque, cada vez mais, amá-los será amar o mundo inteiro!

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