[Saúde Sistêmica] A doença à serviço da lealdade familiar

No último fim de semana, nos dia 18 e 19 de agosto, o Instituto Ipê Roxo realizou em Florianópolis o 2º Seminário de Saúde Sistêmica. No grande grupo que se formou, histórias de vida dos participantes foram contadas, com o fio sendo puxado pelo viés das doenças e dificuldades que se apresentam na saúde.

Em abril deste ano tivemos a primeira edição deste Seminário em Porto Alegre. Na ocasião, já ficou claro como o amor a um sistema familiar e a nossa lealdade a ele pode nos levar a uma repetição de problemas de saúde, muitas vezes para não arriscar nosso pertencimento àquele sistema.

Dessa vez, o caminho se apresentou ainda mais claro. Nossas dores e amores se refletem no nosso organismo, através dos sintomas e do estabelecimento de doenças em nosso corpo.

Olhamos para a depressão, para ataques de pânico, insônia, compulsões e muitos outros sintomas que eram relatados pelos participantes. Aos poucos, foram se mostrando as dinâmicas que atuavam através deles.

Certos sintomas e doenças estão ligados a acontecimentos e condições que provocaram a perda da ligação com a família, à dinâmicas de culpa ou destinos trágicos de antepassados.

Poucos, porém, são os pacientes que conseguem, em um primeiro momento, perceber uma relação entre sua doença e sua família, ou reconhecer a influência que eles próprios exercem sobre sua doença.

Compreendemos um pouco mais sobre essa relação quando olhamos para as 3 Leis da Vida de Bert Hellinger e como elas atuam em nossa vida quando elas são transgredidas.

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As 3 leis da vida de Bert Hellinger – independente de nossa vontade ou consciência, elas estão sempre atuando em nossa vida.

E assim, com os olhos e coração abertos, o amor que se escondia por trás das doenças aparecia, exclusões eram percebidas, assim como o repetimento de padrões.

Aos poucos, fomos percebendo o amor infantil que quer acompanhar familiares com destinos difíceis ou pelo anseio de permanecer junto.

Percebemos que segredos se somatizam.

E percebemos que, em um determinado nível, nós nos permitimos, e por vezes inconscientemente desejamos, adoecer.

 

O olhar das Constelações para a saúde

Já logo no primeiro dia pudemos perceber em que profundidade estávamos atuando, todos nós, naquele grupo. Com o foco de trabalho alinhado com o de Bert Hellinger, trabalhamos para beneficiar o maior número de pessoas em nosso serviço.

“Não existe constelação para uma pessoa”, ele disse. E nós vivenciamos isso ao perceber que a doença de um encontrava em muitas outras pessoas também um lar.

Nos movimentamos, sempre adiante, pois o grupo estava junto nesta caminhada. Todos envolvidos, mesmo que o ponto inicial fosse um tema bem pessoal, de apenas um participante.

Sentimos a ampliação do olhar quando percebemos que os movimentos da constelação de um cliente encontrava significado e cura na alma de outros participantes. Assim, esse grande trabalho, que olhava para a saúde mostrava sua força e vigor, através das reações e emoções que eram trazidas por todos.


“A doença é o sinal de que existe algo que aguarda para ser colocado em ordem. É sempre o amor que coloca algo em ordem. Principalmente o amor a um excluído que não tem lugar. Esse amor quer sempre mais. Também a doença quer sempre mais. O movimento em direção a mais é um movimento em direção à saúde.”

Bert Hellinger, no livro “A Cura”


Aos poucos, fomos percebendo que há nas doenças um cuidado com o equilíbrio, a ordem e o pertencimento nos sistemas.

Doenças são sintomas de que algo se encontra fora do lugar, são avisos que desejam nos colocar em contato com algo, que falam diretamente com a nossa alma.

Ao lidarmos com as doenças, fomos ensinados a curá-la, ou excluí-la rapidamente da nossa vida. Mas pudemos ver também que o tratamento, necessário, se desenrola com mais tranquilidade e efetividade quando há uma aceitação real e reconhecimento desta condição. 

Vimos que, quando negamos uma doença ou nos negamos a olhar para ela, cada vez ela se apresenta com mais força. Que nosso corpo é nosso grande guardião de memórias, mesmo as mais antigas, as mais arcaicas – algumas vividas por antepassados ainda podem ecoar em nossas próprias células.

Doenças, por mais paradoxal que possa ser, estão à serviço da vida e do amor.

livro-constelacoes-familiares-caminho-da-cura-medicina-integral-stephan-hausner-cultrix-capaStephan Hausner, um terapeuta alemão que escreveu um livro dedicado a registrar seu trabalho com pacientes doentes atendidos com a Constelação Familiar segundo Hellinger.

Para ele, a conexão entre as doenças e nossa família é ainda muito maior do que podemos imagem.

Ele destaca em sua obra:

“Nossa vida e nossa felicidade são marcadas pela atitude que adotamos diante de nossos pais e da história da nossa família. Quando nos defendemos ou nos recusamos a reconhecer o que nos pertence, muitas vezes somos lembrados, por uma doença ou um sintoma, daquilo que excluímos.

A história de nossa família nos pertence. Estamos a ela vinculados, ela é uma parte de nós e marca a nossa personalidade, com todas as forças e fraquezas que temos.

 Certos sintomas e doenças são associados a diversos acontecimentos e condições que provocaram nos pacientes a perda da vinculação com a família ou a insegurança quanto a essa vinculação, ou ainda a dinâmicas de culpa ou de destinos trágicos na família.

Apegamo-nos a muitas doenças e sintomas pelo anseio de proximidade com nossos pais ou pela necessidade de pertencer à nossa família. Muitas vezes atua aí uma necessidade inconsciente de compensação, quando nos sentimos culpados ou exibimos uma pretensa reivindicação. Ou então uma doença nos obriga a uma parada quando infringimos uma ordem com nossa atitude ou nosso comportamento.

 As experiências e vivências traumáticas nas famílias causam medo a todos os seus membros através de gerações e provocam separações entre pais e filhos, entre gerações antecedentes e subsequentes. Contudo, o que muitas vezes é sentido como um peso e dificuldade abriga em seu seio uma força especial. “

Stephan Hausner, no livro Constelações Familiares e o Caminho da Cura, editora Cultrix.

O seu corpo fala, você escuta?

Nosso corpo é um sistema, e como sistema ele funciona de forma interligada, com as partes se influenciando de forma contínua. Isso significa que precisamos também de um olhar integrado na hora de abordar as dificuldades que o acomete. É necessário ampliar o olhar.

Pudemos perceber que o sintoma é uma manifestação da superfície do problema, que nos guia o olhar para a raiz do que atua. Dessa forma, conseguimos decodificar o que pode estar atuando numa depressão, na rinite, ou em uma compulsão.

Sempre acompanhados da visão das constelações, olhamos para cada caso sem julgamento, intenção ou ideia prévia. Não há espaço para generalizações, embora em alguns casos podemos notar nas manifestações das doenças algum padrão.

Bert Hellinger nos conta em seu livro “Desatando os nós do destino” como dinâmicas que provém de nosso sistema familiar podem estar atuando em nossa saúde. Muitas delas se instalam por meio do nosso amor por nossos familiares, num nível muito profundo. Ele explica:

“Por meio das constelações familiares pode-se verificar se há uma dinâmica atuando por trás de uma doença grave, e qual é essa dinâmica. Procede-se da seguinte maneira: o paciente que deseja configurar a sua família de origem escolhe entre os participantes aqueles que representarão os diversos membros de sua família: seu pai, sua mãe, seus irmãos, etc.

Estando centrado, ele simplesmente os posiciona no recinto, de acordo com suas relações mútuas, sem dizer coisa alguma. Os representantes também nada dizem e permanecem interiormente centrados. Quando o paciente faz isso com recolhimento interior, vem à luz a imagem da família que ele inconscientemente leva no coração. Nesta imagem podemos ler a dinâmica que se oculta por trás de sua doença.

Podemos ver, por exemplo, se alguém deseja seguir alguém, ou se alguém se interpõe no caminho para impedir que alguém vá embora. Quando isso vem à luz, podemos reconstruir a imagem familiar, de maneira que a dinâmica que traz infelicidade deixe de atuar ou atue menos fortemente. Essa solução pode ser simultaneamente mostrada na imagem e colocada em movimento. É este o tipo de trabalho que fazemos aqui.”

O seminário foi uma chance para todos os participantes, que puderam tomar para si esse novo olhar para as doenças. Entre todos os profissionais presentes, mesmo aqueles que foram em busca de algo para si próprios e não necessariamente para seu trabalho, receberam uma nova postura, que incentiva a olhar para mais além dos sintomas.

Saíram olhando de forma integrada para sua saúde, para o sistema familiar de seus clientes e para sua própria família. Essa é a grande chave de mudança que nos foi trazido pela Constelação Familiar de Bert Hellinger e sua aplicação na Saúde.


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