O amor que nos guia – Constelação Familiar de Bert Hellinger

Texto escrito por Jackie Kauffman, aluna do curso de formação em Constelação Familiar de Bert Hellinger do Instituto Ipê Roxo.


Através das Constelações Sistêmicas Familiares tenho compreendido o Amor sob perspectivas profundas, bem diferentes do que comumente pensava existir.

A maioria de nós busca aquele Amor que trás felicidade, que faz os lábios se abrirem para um sorriso, que provoca um longo suspiro compensador, que serena o olhar, que acolhe nos braços, que não julga, que perdoa, que é parceiro e amigo.

Geralmente não pensamos em Amor quando o que desponta dentro de nós é dor, ira, inquietude, tumulto, doença, loucura, paralisia, medo… e tantos outros sofrimentos. Tenho aprendido que tudo isso também é Amor, na sua forma mais pura, mais sublime, mais abnegada.

Sim, é o Amor à beira do abismo, que está nos guiando e nos mostrando insistentemente como viver em paz.


“Todos os membros familiares são inexoravelmente ligados pelos laços do destino. O laço de destino mais forte é entre pais e filhos. Atua também de maneira forte entre irmão e entre homem e mulher. Um vínculo especial surge em relação àqueles que cederam lugar a outros membros familiares e particulamente forte em relação aqueles que tiveram um destino difícil; por exemplo, o vínculo dos filhos de um segundo casamento com a primeira mulher do pai, que morreu no parto!

Bert Hellinger, em “O Amor do Espírito”


Mas o que isso quer dizer? Como toda essa dor pode ser Amor?

Gostaria de lhes convidar a caminhar um pouco comigo nesse tema, um caminho não muito comum.

O Amor à beira do abismo

De quais abismos o nosso amor se aproximou?

É preciso estar abertos e disponíveis para enxergar o que se mostra. Esse movimento inquieto do amor que é capaz de ser doloroso, e parecer até cruel; nos guia primeiramente para que vejamos os abismos, para que os encaremos de frente; e depois nos acolhe, para que nos despeçamos reverentemente dos mesmos e assim, possamos viver em harmonia e leveza.

O amor à beira do abismo é o amor movido por uma necessidade dentro de uma família. É um amor profundo, que aponta muitas vezes para algo que precisa ser visto, para um alguém que foi “esquecido”, e precisa ter o seu lugar.

Aponta para aqueles que precisamos honrar e reverenciar. Aponta para o reconhecimento dos grandes e pequenos dentro de uma família. Aponta para as leis da vida.

 

O Amor nas Famílias

Nas famílias, que compreendem os membros de várias gerações, os que conhecemos, os que ouvimos falar e os que nem sabemos que existiram; todos têm um lugar, e esse lugar é especial, único e precisa ser honrado.

Fazemos parte daqueles membros familiares excluídos que vieram bem antes, e eles fazem parte de nós. Muitos são como sombras embaçadas pelo tempo, mas são e pertencem à nossa história. Temos laços profundos com cada um. Nossos ancestrais não ficaram para trás. Vivem hoje através de nós.

O Amor nos convoca a olharmos para cada um, e nos faz sentir o efeito das suas ausências. Efeitos esses que podem ser imensamente dolorosos e causar sérios transtornos internos, até que suas presenças encontrem guarida no coração da família ao qual pertencem.

É preciso olhar para eles e reverentemente dizer a cada um, que porventura foi “esquecido”:

“Eu vejo você. Eu respeito você. Eu sinto muito. Agora você tem um lugar especial no meu coração. Por favor, também me olhe com amor, para que eu consiga fazer algo de bom pela minha vida!”

Quem sabe alguns dos que já morreram, estivessem esperando para que fossem vistos e que pudessem ser acolhidos na suas famílias; e depois desse movimento podem fechar os olhos, desprender-se e descansar em paz.; eles, seu filhos, e os filhos dos filhos, que captam essas faltas traduzidas em verdadeiras agonias., verdadeiras súplicas pelas suas presenças.

 

Para onde olha o nosso amor?

Quem são esses excluídos? Os filhos abortados, os “membros malvados”, os assassinos, os filhos fora do casamento, as amantes, os irmãos, os relacionamentos anteriores dos parceiros, os pais, as mães, todos os irmãos, membros das famílias do pai e da mãe.

Percebem como todo esse movimento é Amor? Um amor que nos leva para longe do Abismo e nos conduz para traçarmos o próprio caminho, por conta própria, mas ao mesmo tempo conectados à nossa família.

Da próxima vez que você sentir uma dor profunda, inquietação, medo inexplicável, raivas infundadas, tristezas cortantes; pense assim: É o Amor mostrando algo maior que não se conseguiu ver; tentando unir o que se encontra separado, guiando-os para o seu lugar. Olhe para esse movimento doloroso tão somente como uma direção a qual deve olhar.

Assim, será possível aceitar a dor, agradecê-la por está lhe guiando para um caminho melhor, mais livre.

Hoje eu posso me curvar a esse Amor. Hoje eu posso reconhece-lo no meu caminho. Hoje eu posso ser grata por tudo o que eu vivi, sabendo que fiz o melhor que podia.


Jackie kauffman é Psicóloga, Consteladora Familiar, Especialista em terapia Sistêmica da Família e Psicologia Narrativa. Formação em Psicodrama terapêutico de Grupos e Sexologia. MBA em Gestão Empresarial. Atua como Psicóloga Clinica desde 2001. É professora de Psicologia do Senac-sc.


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