[Constelação Familiar] “Um monte de gente” – A oração que Clara, de 3 anos, ganhou de sua mamãe

Após passar um final de semana participando do primeiro módulo de Formação em Constelação Familiar (Turma 5), no Instituto Ipê Roxo, voltei para casa com uma pergunta que não queria calar:

Quem pertence?

Quem pertence?

Quem pertence?

Nomes foram aparecendo, lembranças foram trazidas à memória de forma saudosa e amorosa.

E nesse embalo, como se faz todo dia aqui em casa, quando fui com minha filha de 3 anos para colocá-la para dormir, deitei ao lado dela e disse:

– Vamos agradecer? (como fazemos todas as noites, agradecemos ao amiguinho Jesus algo de bom que aconteceu no nosso dia).

Ela disse:

– Sim!

Educando nossos filhos (11)

Então propus:

– Mas hoje vamos fazer algo diferente, vamos fazer uma oração sistêmica, agradecendo todos os nossos familiares, até aqueles que estão longe e que nós não conhecemos.

Ela não entendeu nada, mas após eu insistir um pouco, ela topou a “aventura”.

Então comecei:

– “Amiguinho Jesus, obrigada pela minha mãe e pelo meu pai (vovó Edna e vovô Mauro)…

E ela disse:

– Vovô Mauro?

Eu disse:

– Sim, ele já faleceu, mas está em nosso coração.

Segui agradecendo aos demais familiares maternos (tios, irmãos, primos, bisvôs/bisavós) e fui para os familiares do meu marido:

– Agradeço pela mamãe e papai do papai (vovó Tamar e vovô Tarciso).

E ela:

– Vovô Tarciso?

Eu disse:

– Sim, o vovô Tarciso é o papai do papai e está longe, mas está em nossos corações… e segui agradecendo os demais familiares paternos.

Ao final, então, ela disse, com um tom aborrecido:

– Não gostei dessa oração, muita gente!!!

(Eu dei risadas em pensamentos, mas fiquei muito feliz em apresentar em forma de agradecimento e trazer para perto os avós de minha filha, que até então não haviam sido mencionados para ela, pela pouca idade que tinha, mas que agora foram incluídos em seu coração, e de uma forma agradecida pela vida que eles geraram até se chegar a ela).

Contudo, um ou dois dias depois disso, embora num primeiro momento ela tenha rejeitado a ideia de incluir muitos familiares nos agradecimentos (porque nossas famílias moram longe) no momento da oração, antes de dormir, ela disse:

– Mamãe, vamos fazer aquela oração familiar? Com aquele monte de gente? É que estou com saudades…

O meu coração se alegrou, porque o amor e a gratidão pela vida são insuperáveis, com um olhar que vê e sente tudo.

O Amor ciente, nas palavras da nossa querida professora Maria Inês, é para além da compreensão, tem a força da inclusão e é forte, verdadeiro e íntegro, por se sentir respeitado.

Texto de Karina Müller Queiroz de Souza, aluna da formação em Constelação Familiar do Instituto Ipê Roxo, juíza de direito e mãe de Clara, de 3 anos.

 


“Agradeço pelos meus pais,
Agradeço pelos meus avós,
E por todos que vieram antes, independente do destino que lhes coube.
O caminho que se trilhou até a mim foi o único possível.
E por chegar em mim, e me dar a chance de passar adiante,
Eu agradeço.”


A lei do Pertencimento

Bert Hellinger observou que três leis agem nos relacionamentos humanos. Elas atuam de forma a garantir o equilíbrio, a ordem e o pertencimento daqueles que fazem parte de um sistema.

O Equilíbrio consiste na igualidade das trocas dentro do relacionamento. Excluindo-se a relação de pais e filhos, pois não é uma relação equivalente, (onde os pais dão e os filhos somente tomam, para depois passar adiante aos seus filhos ou ao mundo através de algo que sirva ao todo), todas as relações permanecem fluídas quando as trocas entre as partes são equivalentes. O desequilíbrio na troca traz pressão sobre o relacionamento, gerando problemas.

A ordem diz que os que vieram antes tem precedência sobre os que vieram depois. Isso fala que o sistema sempre busca a manutenção através dos membros mais antigos do sistema. Por isso, quando há uma quebra da ordem, como quando um neto expia o sofrimento do avô (mesmo que inconsciente), o sistema fica pressionado buscando o reestabelecimento da ordem. Ao avô cabe seu destino e ao neto somente viver suas próprias experiências, deixando com quem veio antes, as dores e culpas que tenham vivido.

Já o pertencimento é um lei que fala sobre toda nossa linhagem. Somos filhos, netos, bisnetos, e assim por diante, de uma rede que remonta a muitas gerações.

Essa rede é formada por diversos integrantes, cada um com sua história pessoal. Embora as vezes não os tenhamos conhecido, nem a seus destinos, é comum que estas histórias influenciem nossa vida.

Há destinos difíceis em nossa história, tanto de perpetradores quando de vítimas. Muitas vezes, essas duas figuras são excluídas, seja por vergonha ou desaprovação.

O desafio que a lei do pertencimento nos propõe é reconhecer os integrantes de nossa família, sem julgamento. Independente das ações, independente de culpa, eles fazem parte. A vida que hoje reside em nós passou por eles.

Reconhecer seu pertencimento, incluí-los em nosso coração, dar o lugar que cada um já tem em nossa vida, é um caminho de cura.



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