A mudança de cada um – Constelação Familiar de Bert Hellinger

Todos temos em nossas vidas momentos de alegria e momentos de dificuldades. Quando tudo vai bem, compartilhamos alegria e felicidade com os que nos cercam.

Porém, nos momentos mais difíceis, quando estamos cercados por desafios, por diversas vezes queremos nos livrar dos problemas, mas sem enfrentá-los. Desejamos que eles sumam, e que assim, possamos voltar ao que consideramos normal: ser feliz.

Se o sofrimento percebido é maior que o prazer que nos sentimos intitulados a ter, passamos a procurar por soluções que efetivem mudanças rápidas, e que nos faça retornar ao que percebemos como bom. Ficamos nervosos com a dificuldades. Queremos excluí-las.

Queremos nos livrar do que consideramos ruim e viver só dentro do que está ligado à felicidade. Mas ao negar os desafios, negamos tudo de bom que ele traz para nossa vida.

A exclusão da dificuldade

As dificuldades que surgem em nossa vida é algo que nos pede atenção e que é importante ao nosso desenvolvimento. Ao acolher o que se apresenta, estamos dando alguns passos adiante no nosso processo de viver e no nosso caminho de melhora pessoal.

Em seu livro “Purificação Emocional”, o autor John Ruskan diz que tudo que negamos se torna mais forte e presente em nossa vida. Dessa forma, ao tentar fugir do que nos é difícil, simplesmente aumentamos nossa exposição ao problema e sua influência sobre nós.

Ruskan diz que devemos convidar, em nossos interior, o que nos assusta e nos causa dificuldades para um acolhimento sem julgamento. Aceitamos que sentimos raiva, rejeição ou qualquer outra dor emocional estejam conosco e silenciosamente, percebemos para a informação para qual o sentimento aponta.

Ao darmos espaço para que o que faz parte de nós se apresente, aliviamos o corpo do seu trabalho de nos mostrar o caminho e então podemos ouvi-lo.

Essa escuta nos direciona o olhar e ajudar o corpo a liberar a energia que se encontra por trás do sentimento. Assim, nos organizamos e ficamos melhores com o que faz parte de nosso destino.

 

Sobre a aceitação

Na constelação familiar, a aceitação ao destino é um ponto chave para os movimentos internos de mudança.

Temos em nosso sistema familiar histórias que por algum motivo não aceitamos. Por vezes por criar conflitos com nossos valores pessoais, outras por estarmos diretamente expostos à ação.

Sofremos as consequências por não aceitar. A não aceitação dos destinos difíceis é como uma pedra que bloqueia a vazão de um riacho, fazendo que suas águas parem de correr e fiquem represadas.

Esse é o fluxo da força do nosso sistema familiar. Ao não aceitarmos pontos de nossa histórias, acabamos por prejudicar que os aprendizados e forças positivas também cheguem até nós. É como se o sistema ficasse represado, com o fluxo normal alterado.

Quando não aceitamos, paramos de nos relacionar com a nossa própria história, perdendo acesso ao muito do que há positivo na história dos nossos antepassados.

E então, nós sofremos de forma dupla: por não aceitar e porque isso acaba por trazer mais dificuldades pra nossa vida.



O que a Constelação diz sobre as nossas dificuldades?

O psicoterapeuta alemão Bert Hellinger observou que existem 3 leis universais que regem a nossa vida, quer nós saibamos delas ou não. Ele as chamou de leis do amor.

Elas coexistem e não são hierarquizadas, o que significa que todas agem ao mesmo tempo sem exclusão de uma em favorecimento de outra.

A lei do pertencimento diz que todos que fazem parte de um sistema familiar jamais pode ser excluído, ou deixar de pertencer. Quando isso acontece, o sistema fica pressionado na busca da inclusão de quem foi afastado.  A pressão transparece em forma de dificuldades de alguns ou todos os membros do sistema, e só se alivia com o retorno do excluído.

Esse retorno muitas vezes não é possível fisicamente, dado que pode ter ocorrido em gerações anteriores que não estão mais vivos. Mas, nós, como continuidades deste sistema, trazemos o excluído ao nosso coração, e o aceitamos como parte de nosso sistema. Essa aceitação transparece em nossas falas e ações, e isso traz alívio ao sistema.

A lei da ordem mostra que aqueles que vieram primeiro em um sistema tem precedência sobre aqueles que vieram depois. A quebra dessa lei causa pressão ao sistema, que busca restaurar o lugar de cada um dentro do grupo.

É comum encontrar o desrespeito desta lei quando mais novos buscam expiar ou “resolver” as dores dos mais velhos. Ao fazer isso, tomam uma posição de superioridade, se “engrandecem” e quebram a ordem do sistema. Ajudas dentro do sistema são possíveis, desde que todos permaneçam em seu lugar. Um filho permanece um filho, mesmo com seus pais idosos que precisam de seu apoio.

A lei do equilíbrio fala da troca igualitária entre o dar e o tomar em pessoas do sistema. Se uma pessoa só toma e a outra somente dá, há um desequilíbrio que precisa ser restaurado. Dessa forma, os membros desses sistema serão pressionados até que o equilíbrio nas trocas seja restabelecido.

Os desequilíbrios nas relações se mostram com rupturas. Alguém em algum momento precisa sair daquele lugar. A “inocência” de quem dá demais se torna um fardo pesado para aquele que toma e não tem como retribuir. As relações resistem através da troca equilibrada, onde todos podem contribuir igualmente. A única exceção se dá no relacionamento entre pais e filhos: neste lugar, os pais dão aos filhos, que retribuem passando o que receberam aos netos. Assim, a vida segue adiante.



A Constelação Familiar revela a dinâmica que atua no sofrimento

Ao seguirmos para um atendimento em constelação familiar e levar o tema que nos causa dor, é possível percebermos qual é a dinâmica que atua no nosso sofrimento e dificuldade. Podemos perceber as repetições de um padrão que nasceu no nossos sistema familiar, e que continuamos a perpetuar cegamente.

A constelação revela, em apenas um único atendimento, fatos e movimentos do sistema que muitas vezes demoram anos para serem percebidos em outros tipos de terapia. Além disso, a experiência de uma constelação é prática, o que permite vivenciar a dificuldade e olhar para sua solução.

Ao observar e vivenciar a dinâmica que age em nossa vida, nosso corpo se empodera de recursos para agir na direção de uma mudança mais madura. As vezes de forma muito rápida, outras vezes de forma lenta. “Nossa alma é lenta e certeira”, disse Bert Hellinger.

Bert Hellinger

O método observado por Hellinger não é mágico nem místico. Há uma ciência que baseia o funcionamento das constelações, além de toda a experiência observada pelo terapeuta alemão. São novos informações, como as trazidas pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake, que vão dando o aval científico a algo que é percebido claramente em nosso interior em um atendimento de constelação sistêmica e familiar.

Ao cliente de uma constelação cabe o papel ativo de agir ao que é percebido em um atendimento, e do seu lugar, tomar as atitudes necessárias para alterar a sua realidade. Esperar pelo solução mágica é a posição da criança que não deseja tomar uma frente ativa em sua vida. Agir é algo que cabe ao adulto. E a constelação familiar pode nos ajudar a alcançar a boa ação.


Queremos ouvir você! Esperamos seu contato.

 

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