Um homem. Uma mulher. Um filho. – A Constelação Familiar de Bert Hellinger

Embora existam diferentes tipos de família, ao olharmos para nossa vida e de onde ela veio veremos um homem e uma mulher acima de nós.

Pedindo licença à ordem, vamos começar falando de nós. A licença é necessária pois é difícil reconhecer o “eu” sem reconhecer quem veio antes. Na verdade é impossível. Mas para esse texto, num exercício de imaginação, faremos desse jeito.

Olhe para si. Veja dentro de você e reconheça suas dificuldades, suas dúvidas, suas incertezas.

Alegre-se também com sua força, claro. Ela está aí à sua disposição. Ela, essa grande inteligência estruturada durante décadas e décadas constitui sua principal força propulsora.

Mas por um momento, perceba claramente todos os desafios que você passa todos os dias com sua vida.

Pode ser que você sinta medo do relacionamento e de suas possíveis dores. Pode ser que você tenha medo de confiar e se machucar. 

Pode ser que tenha medo de não dar conta. Sua frio ao perceber que a vida é um caminho aberto e sem estrada segura. Deseja desenhar um futuro controlável, e volta e meia percebe que seu esforço se esvai sem a menor explicação. “Alguma coisa” acontece e a regra do jogo muda completamente.

E de repente você olha para o lado e vê que há outras pessoas que também vivem com seus medos, suas dúvidas e seus desafios.

Ao olhar para isso tudo e saber que estes sentimentos habitam muitos outros destinos também, você se dá conta: eu sou uma pessoa bem comum!


Reconecte-se com a força da sua história


Um homem

Se você é um homem, talvez esteja a um passo de compreender seu pai. Ele, a algumas décadas atrás estava neste mesmo lugar que você está. Um homem bem comum.

Cheio de dúvidas, e ainda assim, utilizado todas as ferramentas que possuía para perseverar. Como você, ele tateava o terreno tentando encontrar seu espaço no mundo. Encontrou uma mulher, se relacionaram e dessa união nasceu você.

Pode ser que nesse momento ele se tornou seu super-herói (ou super-vilão). Mas a verdade é que tirando toda a felicidade que ele sentiu com a sua chegada, ele permanecia um homem bem comum.

Isso quer dizer que seus medos persistiram. Suas dúvidas continuavam o acompanhando. E embora muito provavelmente ele acreditasse, no momento do seu nascimento, que ele não precisaria de mais nada para se sentir completo, a refeição do dia seguinte se encontrava em aberto e precisava ser conquistada. Agora com uma boca a mais para alimentar.

Seu pai, um homem bem comum, igual a você, seguiu adiante por escolha ou por destino. Ele teve que lidar com a incertezas, sem nenhuma garantia. Ele segurou as “pontas”, que agora você adulto reconhece que existiam.

Na nossa exigência infantil, queríamos que fosse mais. Tudo bem. Filhos são tão impressionados com a grandeza dos pais que esquecem que eles são feitos do mesmo material. Esperam muito, o impossível muitas vezes.

Mas abrir a porta para uma percepção madura das limitações de cada um, e ainda assim, perceber os muitos “impossíveis” feitos pelo caminho, é uma chave de transformação de vida.

Ao aceitar o que é, todos os presentes que fluem daquele homem bem comum podem chegar até nós. E esses presentes são fundamentais para nosso bem estar e nosso sucesso.

 

Uma mulher

Se você é mulher, talvez esteja mais próxima de compreender sua mãe. De olhar para si e ver que a matriz dela é igual a você, da forma mais humana possível.

Há mães que sentem medo do parto, que se sentem próximas da morte. E ainda assim seguem adiante. Por amor, por destino, seguem firmes no seu propósito de nos dar a vida.

Ainda que ela seja capaz de um milagre tão poderoso quanto gerar uma vida dentro de si, ela é bem comum. Ela sentiu os mesmos medos que você sente hoje. Se haverá dinheiro para alimentar e cuidar de uma criança. Se o relacionamento dará certo ou não com o parceiro que ela escolheu para estar junto. Se sua filha será feliz. Se seu filho vai trilhar um bom caminho. Se vai fazer boas escolhas. Se ela vai dar conta de cuidar desse ser tão pequeno e frágil.

Nós, em nossa lembrança mais remota, em nossas células, nos percebemos juntos. Acompanhamos por dentro a faísca da energia vital que faz bater um coração. E por nove meses nossa percepção é de segurança completa, de estarmos envoltos no melhor campo de força possível.

Então nascemos, e percebemos tudo, menos o quão comum nossa mãe é. Ela gera nosso alimento, nosso conforto, nosso cuidado. Ela tem o cheiro que nos acalma. É um porto seguro acessado através do colo. Como uma mulher tão poderosa quanto ela pode ser comum?

Mas então crescemos, e se estivermos abertos, poderemos perceber que dentro daquela mulher residem dores, dúvidas e dificuldades, assim como em nós.

Ela também não tem um mapa nem um manual especial que a ajude a caminhar, mas ainda assim, ela seguiu adiante. Ela nos trouxe até aqui.

Filhos se ressentem do afeto que desejariam ganhar e que por qualquer motivo não tenha chegado. Esquecem do ser-humano e se relacionam somente com a heroína a sua frente.

Se forem pacientes e maduros, os filhos podem acessar a mulher bem comum que há naquela super-heroína. Descobrirão uma força que os impulsiona na direção de uma vida gigante, rica e de grande força.



Um filho

Agora sim, dentro da ordem, o filho encontra seu lugar. Agora, você pode olhar para si mesmo e ver que o que atua na sua vida também atuou na vida dos seus pais, e talvez dessa forma, acessá-los com mais tranquilidade.

Você também se torna mais livre. Ao restabelecer o fluxo de vida que jorra de seus pais para si, você também se entrega ao fluxo que o encaminhará para frente.

Bem comum, com todas as dúvidas que fazem parte do nosso crescimento, você aceita o mistério. A falta de resposta, mas também as boas respostas que chegam, e que aos poucos vai aprendendo a decodificar.

Você, um homem bem comum, ao ver tudo que foi realizado pelo seu pai e pelo seu poderoso masculino, também bem comum, se sente forte e capaz de seguir adiante.

Você, uma mulher bem comum, reconhece na mãe toda a força que brota do seu feminino e do poder em suas mãos. Se a mãe, bem comum, pode fazer, a filha descobre que também é possível. E em linha com o que recebeu e de onde vem, se propõe a seguir adiante.

E talvez, o destino guarde um surpresa: que filhos se tornem pais. E então, o ciclo se repete e se perpetua, levando a vida adiante.

Aos que prestam esse serviço, fica a frase: Reconhecer o que há de grandioso dentro do que é comum. Talvez as grandes coisas estejam escondidas na simplicidade.


Entre em contato conosco pelo formulário abaixo

 

Um comentário sobre “Um homem. Uma mulher. Um filho. – A Constelação Familiar de Bert Hellinger

Você gostou deste post? Trouxe algo novo? Agradecemos seu comentário para que possamos melhorar nosso conteúdo.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s