Equilíbrio entre Homem e Mulher¹ sob o olhar da Constelação Familiar de Bert Hellinger

Texto escrito por Maria Emília Brocker Rossa², aluna do curso de formação em Constelação Familiar de Bert Hellinger do Instituto Ipê Roxo.

 

Tudo começou no final do Módulo 2 da Formação em Constelações Sistêmicas. Primeiro, numa das vivências de pai e mãe, somente após tomar as moedas percebi que eram equivalentes (25-25); segundo, na meditação de encerramento, a imagem de uma rosa entre galhos espinhentos (que associei ao conto “A Bela e a Fera”) se apresentou a mim num silêncio reverente.

Associei ao meu pai e à minha mãe, visto que “A família de origem” tinha sido a pauta do encontro. Embora a curiosidade – na verdade, ansiedade – fosse uma das minhas características, tomei o que me foi apresentado e segui.

Pouco tempo passou até que um exemplar contendo as duas versões clássicas do conto chegasse às minhas mãos. Eu não li – e segui. Logo adiante, me deparei com uma versão francesa de 2014 na televisão. Eu nunca havia assistido nenhuma versão do conto, nem em animações, mas ele sempre me acompanhou numa distância respeitosa.

Era o meu tempo. E o tempo trouxe a versão de 2017 da Disney. Percebi que não importava se haviam sido ou não fiéis à autora, Gabrielle-Suzanne Barbot, Madame de Villeneuve, ou mesmo à Jeanne-Marie LePrince de Beaumont, responsável pelo resumo que se popularizou. O que importava era olhar para “A Bela e a Fera”, no meu tempo. E quando esse tempo chegou, o tema “Equilíbrio entre homem e mulher”, que já estava em minhas mãos, me tomou.

Brigitte Champetier de Ribes³ refere que cada pessoa é o resultado de uma fusão anterior, a fusão de seu pai com a sua mãe (parte masculina e parte feminina). E toda pessoa encontra sua maior força na fusão interior do masculino com o feminino, que acontece quando toma incondicionalmente, e em partes iguais, o pai e a mãe.

Quando a pessoa respeita e ama por igual as suas duas partes ela está no máximo de sua força e realização. Daí é possível uma relação.

No conto, a mãe de Bela havia morrido e ela permanecera muito tempo na esfera de influência do pai. Com a viagem de seu pai, Bela acaba por se reaproximar da esfera de influência da mãe pelo resgate das memórias e pela rosa que havia pedido de presente.

O retorno à esfera de influência da mãe permitiu a ela sentir-se atraída pela Fera, amá-la e unir-se a ela. Bela conseguiu o equilíbrio entre suas partes masculina e feminina. E bem assim a Fera, que havia desdenhado sua porção feminina, e, regenerada, transformou-se em um belo homem. A fusão entre os opostos num nível pessoal tornou possível a união.

Carl Gustav Jung denominou o feminino presente na alma do homem de anima e o masculino presente na alma da mulher de animus. No “Amor do espírito” (referência 4), Bert Hellinger explica que para o anima e o animus se manterem nos limites, o filho deve passar cedo para a esfera do pai e a filha retornar cedo à esfera da mãe.

Hellinger (referência 5) afirma que “o homem sente atração pela mulher porque, como homem, falta-lhe a mulher. E a mulher sente atração pelo homem porque, como mulher, falta-lhe o homem. O masculino está orientado para o feminino: por isso o homem precisa da mulher para ser homem. E o feminino está orientado para o masculino: a mulher também precisa do homem para ser mulher”.

Na ordem do amor, o homem quer a mulher como mulher e a mulher quer o homem como homem. Se o querer se dá por outras razões, como diversão, sustento, cultura, religião, proteção, por exemplo, “a casa foi construída sobre a areia”.

Nessa ordem do amor também deve haver uma troca em que ambos igualmente deem e tomem. Pois cada um tem o que falta no outro, e a cada um falta o que o outro tem. É preciso, para o êxito, que ambos desejem e ambos concedam, com respeito e amor, o que o outro necessita e deseja.

A troca nunca se pode dar como na relação entre pais e filhos, onde há ordem hierárquica, porque o desequilíbrio entre o dar e o tomar, numa relação entre homem e mulher, a coloca em risco. Se, por exemplo, numa relação de casal, um parceiro busca no outro um amor incondicional, como uma criança busca em seus pais, ele espera receber do outro a mesma segurança que os pais dão a seus filhos.

Isso provoca uma crise na relação, fazendo com que aquele de quem se esperou demais se retraia ou se afaste. E com razão! Pois ao se transferir para a relação de casal uma ordem própria da infância, comete-se uma injustiça para com o parceiro.

Quando, por exemplo, um dos parceiros diz ao outro: “Sem você não posso viver” ou: “Se você for embora eu me mato”, o outro precisa se afastar, pois tal exigência entre adultos no mesmo nível hierárquico é inadmissível e intolerável(referência 6).

No nível do sexo, o homem e a mulher, embora sejam diferentes, equiparam-se em sua capacidade de dar e tomar reciprocamente. Eles se dão bem e progridem na troca amorosa quando o dar e o tomar entre eles também se compensam e completam em outros domínios. Isso vale tanto para as coisas boas quanto para as más.(referência 7)

Assim como tomamos os pais em partes equivalentes, devemos nos colocar numa postura de equilíbrio na relação homem-mulher. Olhar o outro e aceitá-lo como é, sabendo que junto dele há todo um sistema familiar e muitas histórias. É dizer SIM ao pai, à mãe e aos destinos da família, é dizer SIM ao passado e a tudo o que ele contém.(referência 8)

“A Bela e a Fera” foi o conto da (re)união e do (re)equilíbrio entre o masculino e o feminino em mim, quando eu finalmente vi que para tomar a rosa (mãe) eu precisava desemaranhar dos galhos espinhentos, saindo de um lugar que não era o meu – e seguir.


Escrito por Maria Emília Brocker Rossa

Advogada licenciada na OAB/RS, especialista em Direito Ambiental e com extensão em Direito Internacional pela UFRGS, M.B.A. em Direito da Economia e da Empresa pela FGV, com formação em Constelações Sistêmicas pelo Instituto Ipê Roxo e em práticas integrativas de saúde (Reiki Master, Terapias Bioenergéticas, Sistemas Florais, Fitoterapia, Aromaterapia, Cosmetologia Natural, Ventosaterapia e Acupuntura Craniana de Yamamoto).


Referências

1 Tema selecionado pela aluna no final da formação em Constelações Sistêmicas no Instituto Ipê Roxo e fixado como pré-requisito ao Módulo Avançado.

2 Advogada licenciada na OAB/RS, especialista em Direito Ambiental e com extensão em Direito Internacional pela UFRGS, M.B.A. em Direito da Economia e da Empresa pela FGV, com formação em Constelações Sistêmicas pelo Instituto Ipê Roxo e em práticas integrativas de saúde (Reiki Master, Terapias Bioenergéticas, Sistemas Florais, Fitoterapia, Aromaterapia, Cosmetologia Natural, Ventosaterapia e Acupuntura Craniana de Yamamoto).

3 Disponível em http://www.insconsfa.com/art_la_pareja_0214.php

4 O amor do espírito, Bert Hellinger. ATMAN, 2ª edição, 2012, p. 45 e A simetria oculta do amor, Bert Hellinger. Cultrix, 6ª edição, 6ª reimpressão, 2015, p. 55.

5 No centro sentimos leveza, Bert Helinger. CULTRIX, 2ª edição, 4ª reimpressão, 2015, pp. 107-108.

6 Disponível em https://iperoxo.com/2015/07/03/homens-e-mulheres-sao-equivalentes-por-hellinger/

7 O amor do espírito, p. 47.

8 Disponível em http://origenyenergia.com/2015/08/el-amor-a-segunda-vista/


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