Sobre os vínculos do amor – Constelação Familiar de Bert Hellinger

[Um texto do constelador João Neto, formado no Ipê Roxo]  

Dentro de nossas famílias, nos ligamos uns aos outros através do amor. Quando partimos para o mundo, é através dele que também nos ligamos às pessoas, seja na amizade, seja no relacionamento de casal.

O amor é o sentimento base da humanidade. Através das suas variadas representações, criamos laços que trazem significado para nós e nossas vidas.

Através do amor de um homem e uma mulher, a vida é gerada e passada adiante. Ainda que resultado de um encontro breve, a vida se faz através de um momento onde os dois se tornam um só. Um ato de amor.

É através do amor que pais se relacionam com seu filhos, e percebem que o que dão para eles não tem retorno, mas é passado as próximas gerações. Seus netos receberão da mesma forma como eles receberem dos seu pais, na medida do possível e o suficiente para vida seguir adiante.

O amor permeia toda nossa existência. Muitas vezes não nos damos conta do quanto amamos, e nos colocamos em situações que trazem dores para nosso destino. O amor, quando imaturo e infantil, em sua máxima fidelidade pode nos empurrar para o abismo.

Quando amamos cegamente.

Olhamos para o lado e vemos um pai em sofrimento. Ou um irmão. Ou nossa mãe. Logo, sentimos um impulso de resolver aquela situação, aplacar o sofrimento daquela pessoa.

Sofremos juntos, pois amamos como criança. Não vemos no outro lado um ser capaz de sustentar seu próprio destino. Queremos resolver para que tudo volte à “normalidade”. Sofremos juntos para aplacar a nossa incapacidade de aceitar o sofrimento alheio. Sofremos pois não queremos ver que, mesmo com todo o amor e ligações, somos indivíduos separados, cada um com a sua realidade.

Ao nos perceber como diferentes, não mais como um, podemos sentir receio por nosso pertencimento, como se algo colocasse em risco aquele lugar de tanta segurança, força e significado. Lutamos com essa sensação até que um dia amadurecemos, e possamos ser capaz de ver a realidade dos destinos de cada um.

É custoso ser feliz. Exige responsabilidade e trabalho. E é mais difícil ainda quando à nossa volta, muitos parecem não poder participar do mesmo bom momento que vivemos.

Ao mesmo tempo, ao negarmos ao outro o enfrentamento do sofrimento contido em seu destino, negamos tudo de bom que o acompanha: as transformações, os aprendizados e a maturidade que chega a cada desafio cumprido.

Também na nossa intromissão, estamos fazendo um trabalho que nos quer poupar da dor causada pela empatia, e em um sentimento final, nos proteger.



Permanecendo em nosso lugar.

Todos temos um lugar dentro de nossa família e de nossas relações. É na busca de manter este pertencimento que muitas vezes reagimos de forma equivocada em frente aos sofrimentos do nosso destino e de outros que amamos.

Bert Hellinger fala que todo grupo familiar é influenciado por uma ordem arcaica que aumenta o sofrimento em vez de impedi-lo. Isso acontece quando um sucessor, num momento de busca de uma compensação cega do sofrimento causado ou sofrido por um de seus predecessores, acaba por perpetuar a dor, por desrespeito às leis da vida (ordem, equilíbrio e pertencimento). Na busca de uma compensação transgeracional, estamos à serviço de um consciência cega e infantil.

Mas ao trazer os fatos do sofrimento a luz, podemos cumprir sua finalidade de forma em que as leis da vida são consideradas e respeitadas, cessando o movimento de sofrimento que ocorre por nos colocar no papel de salvadores de um sistema familiar. Assumimos o que é nosso, aceitamos os destinos dos outros, e percebemos que todos são capazes de assumir o que lhes cabe.


“Em contraposição ao amor cego, que procura compensar o mal com o mal, esse amor é sábio.  Ele compensa de forma curativa e, através de boas ações, põe um fim aos acontecimentos nefastos”

Bert Hellinger, no livro “As ordens do Amor”


Um exercício proposto por Bert Hellinger

Bert Hellinger

No livro “As ordens do Amor” (Ed. Atman), Bert Hellinger sugere um exercício para que possamos observar os efeitos de nossa postura ante ao sofrimentos dos outros. Ele diz:

Ilustrarei isso com alguns exemplos, começando com as frases: “Eu sigo você” e “Antes eu do que você”.

Quando alguém diz interiormente essas frases, sugiro que as diga diretamente para a pessoa que deseja seguir ou em cujo lugar está disposto a sofrer, expiar ou morrer.

 Quando ele realmente olha essa pessoa nos olhos, não é mais capaz de dizer essas frases.

 Percebe que ela também o ama e recusaria seu sacrifício.

 O passo seguinte seria dizer a essa pessoa: “Você é grande, eu sou pequeno(a). Eu me curvo diante de seu destino e tomo o meu destino como me é dado. Por favor, abençoe-me se fico e se deixo que você se vá – com amor”.

 Então fica ligado a essa pessoa com um amor muito mais profundo do que quando quer segui-la ou assumir o destino dela, em seu lugar.

 Então essa pessoa, em vez de representar uma ameaça, como talvez tivesse receado, passará a velar com amor pela sua felicidade.

Um caminho para a ajuda.

Cada um de nós é filho de muitos ancestrais que compõem nossa linhagem familiar. Esse caminho passa por trilhas geralmente tortuosas, alternando momentos de sofrimentos e também de felicidade. Tudo está contido na nossa história.

Mas, muitas vezes desejamos negar as dores. Queremos extrair o sofrimento do seu pertencimento à vida.

Um caminho possível de ajuda só existe ao aceitar que o sofrimento existe, faz parte e às vezes é um grande componente da nossa história familiar. Nele pode estar contido a força que levou nossa linhagem adiante.

Reconhecer seu papel é uma chave de ajuda.

Ver no outro um ser capaz, ao invés de arrogar-se de seu problema, é outro meio de ser útil a quem precisa de suporte para enfrentar seus próprios problemas.

Abrir mão da pena, que somente enfraquece a pessoa a quem a direcionamos, é um desafio a ser domado. Nos colocar a disposição sem julgamento e sem intenção é um lugar de grande força para quando oferecemos ajuda.

No fim, para podermos ajudar precisamos estar certos que não utilizamos o outro para distração dos nossos próprios problemas. Estamos centrados e vazios de objetivo. Somos apenas humanos cientes de nossos limites e da força de um amor verdadeiro e respeitoso em nossos relacionamentos.

 



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