7 orientações para melhorar a comunicação com seus filhos

Os desafios da comunicação e suas influências no relacionamento com os filhos

Texto de Maria Inês Araujo e Ana Cristina Garlet.

Sabemos que as dificuldades na comunicação é um dos principais fatores de fracasso nos relacionamentos, sobretudo entre os casais.

E porque isso acontece?

Vejamos um exemplo bem comum:

A forma como me comunico, é a forma que aprendi e exercitei em minha família de origem durante toda minha vida. Então, naturalmente, eu sinto que essa forma como me comunico é a correta para mim.

Quando me caso com alguém que vem de outra família e com outros valores, esta pessoa vai se comunicar de forma diferente (pois a diferença é um dos atributos que atrai os casais) e, muitas vezes entendo isto como incorreto, aí já se inicia a “não-escuta” e o “afastamento” que fere, viola e muitas vezes impossibilita a relação.

Se um ou ambos os cônjuges não se encontra disponível a ver, escutar e sentir o outro em sua singularidade, desafiando-se a aceitá-lo tal qual é, o casal passa a construir barreiras ao invés de pontes para se comunicar.

EM 35 ANOS, OS 7 APRENDIZADOS MAIS IMPORTANTES

Nossa especialista Maria Inês Araújo Garcia Silva, que há mais de 35 anos trabalha com pais e filhos e já vivenciou muitos relacionamentos sendo reconstruídos através das mudanças na comunicação, elencou 7 aprendizados que podem ajudar a todos os pais e filhos a melhoraram a sua comunicação.

 

1. OS PADRÕES QUE APRENDEMOS

Temos padrões de escuta que aprendemos em nossa família, que elegemos como certos e se incorporam em nossa personalidade. Assim podemos assumir o padrão de escuta do:

  • O que “sabe tudo”
  • O salvador
  • O “resolve tudo”
  • O pacificador
  • O impaciente (já sei o que você vai falar!)

Será que assim estamos escutando realmente o outro? Com que intenção? Me sinto acolhido quando ele adota esta forma particular de escuta, como por exemplo achando que já sabe o que vou dizer?

O acolho quando interrompo achando já ter a solução?

Muitas vezes a solução não é o mais importante, mas saber que sou acolhido em minha dor, perceber que o outro dispõe amorosa e pacientemente de seu tempo para simplesmente me escutar, isto é essencial. Aqui vale diferenciar entre escutar e ouvir.

 

2. OUVIR E ESCUTAR SÃO A MESMA COISA?

“Somos todos tão diferentes principalmente porque
temos diferentes combinações de inteligências.
Se reconhecermos isso, acho que, pelo menos,
teremos melhores chances de lidar adequadamente
com os diversos problemas que enfrentamos no mundo.”

Howard Gardner

Ouvir é um ato físico – escutar é “perceber o outro”

  • Ouço o barulho das crianças, os ruídos ao lado, a música do caminhão de gás, etc.
  • Escutar é disponibilizar-se, entregar-se completamente; escutar é um puro ato de amor; é dar espaço para o outro falar sem interferência, esvaziando-se dos seus pensamentos, dos problemas e situações externas, pelo menos por este tempo, para receber completamente o outro.

Quando verdadeiramente escuto, eu não me coloco em primeiro lugar, eu dou o lugar ao outro, eu consigo escutar com amor, com o coração.

Escutar com o coração significa sair de si mesmo, abrindo-se para o outro, sem julgamento, análises ou impressões, aceitando e acolhendo-o para perceber as emoções, os sentimentos que estão fluindo naquele momento, estimulando-o a abrir o seu coração. É perguntar realmente querendo saber.

A boa comunicação entre o casal se dará na medida em que primeiro me disponho a:

  • Aceitar que viemos de sistemas familiares totalmente diferentes e o que faz sentido para mim, não o faz para ele e vice-versa.
  • Reconhecer que esta diferença é boa.
  • Esvaziar-me totalmente, para acolher o outro.
  • Renunciar ao “saber” que é válido em minha família para escutá-lo com o coração, com o assombro do novo.
  • Renunciar a qualquer intenção.
  • Ver o outro.
  • Expor-me ao outro.

Validando a fala de meu cônjuge, construo o respeito necessário para criar um espaço de confiança onde a comunicação possa fluir e ser ponte para a compreensão e crescimento.

 

3. COMO NOSSO JEITO DE COMUNICAR AFETA OS FILHOS?

Diretamente!

As crianças funcionam como antenas de nosso estado de espírito.

Como fazem parte dos dois sistemas familiares (do pai e da mãe) elas compreendem a linguagem dos dois e ficam confusos quando percebem que os pais não entendem-se entre si.

E o que elas fazem?

De forma inconsciente e movidas por um grande amor, elas se vêem muitas vezes tendo que interferir,  tornando-se mediadoras nas situações de conflito dos pais, o que, sem dúvida, sempre será um lugar perigoso para as crianças.

A linguagem clara, que comunica e gera resultados positivos, sempre será a linguagem do amor saudável. A linguagem do querer bem, da generosidade na escuta, da paciência e gratidão que se mostra nas diferenças.

Quando escutamos com o coração, queremos escutar para “aprender o outro”. Queremos falar para servir ao outro e não a nós mesmos.

Como falamos anteriormente, a criança aprende no nós, em nosso exemplo, muito mais no “como fazemos” do que naquilo que dizemos. Para que nossa comunicação com elas seja eficiente, devemos saber o que queremos dizer, devemos saber a importância em falarmos o que de verdade sentimos, assumindo conscientemente a responsabilidade que temos como pais: guiar, cuidar e amar nossos filhos. Sobretudo devemos escutá-los com o coração.

 

4. COMO POSSO ESCUTAR COM O CORAÇÃO?

Dicas para uma boa escuta:

  • Aceitar que não sei o outro, mas quero sabê-lo.
  • Estar disposta(o) a afastar-me de meu desejo de falar, resolver e entender para escutar..
  • Acolher o outro querendo saber.
  • Aceitar a percepção do outro como é.
  • Aceitar que o outro encontre suas próprias soluções.
  • Acolher a dúvida, o medo, a visão do outro com respeito.
  • Conceder tempo suficiente para que a comunicação se faça.
  • Falar na linguagem que o outro consiga entender.
  • Ser generoso para receber e dar informações, histórias, sentimentos.
  • Ser generoso com os sentimentos que surgem em mim quando escuto o outro,assim aprenderei um pouco mais sobre mim mesmo.
  • Observar as palavras que uso em minha comunicação, para que reflitam exatamente o que quero dizer.
  • Perceber se quero elevar o outro ou ferí-lo. Suas palavras te mostrarão o que está desejando. Atenção!

 “Não existe voz humana que não tenha música”

Fernando Pessoa

 

5. ATITUDES E ACONTECIMENTOS QUE FECHAM O CORAÇÃO

  • QUANDO GRITAMOS

Quando grito, o outro fecha a escuta. Grito,talvez porque:

– não me sinto compreendido e aceito;

– estou distante de seu coração ou ele está distante do meu coração;

– porque tenho medo de ferir meu pertencimento à minha família de origem e minha lealdade ignora quem está diante de mim, não me permite aceitar que simplesmente é diferente, não necessariamente errado.

  • OS RUÍDOS EXTERNOS

Sons, barulhos, conversas paralelas, uso de aparelhos eletrônicos durante a comunicação e movimentação excessiva: tudo isso são ruídos externos que  podem sim dificultar ou impossibilitar uma boa comunicação.

Mas até diante situações aparentemente incontornáveis, se me disponho verdadeiramente a me comunicar, crio estratégias para me fazer entender. Integrar mentalmente estes ruídos, “como se” fizessem parte, ajuda neste processo. Muitas vezes não é necessariamente o barulho externo que atrapalha, mas nossos ruídos internos.

  • OS RUÍDOS INTERNOS

Nossas preocupações, nossas intenções, nossa disponibilidade genuína para ouvir querendo escutar e falar querendo servir.”Minha atenção está onde está meu coração”.

  • QUANDO FICAMOS SÓ NO NOSSO PADRÃO DE ESCUTA

Quando ao dialogar o que faço? Tenho o outro em vista ou estabeleço um monólogo interno, como se já tivesse todas as respostas? Meu padrão de escuta me toma e passo a buscar soluções quando não me é solicitado? Investigo detalhes que não me são concedidos para que controle a situação,ou mesmo atropelo o outro antecipando suas palavras como se já soubesse o que iria me falar?

Estes padrões que desenvolvemos  ao longo da vida, principalmente em nossa família, podem de fato obstaculizar a verdadeira comunicação.

  • QUANDO JULGAMOS

Ao adotar a postura de julgar o outro em suas ações, valores, percepções, invalidamos sua história pessoal. Ao considerar a própria visão e percepção da situação através da nossa ótica, como a única possível , limita, exclui e fecha a comunicação, pois comunicação pressupõe a interação com o outro, com a diferença, para que o novo se faça.

Quando julgo, talvez por não poder encarar meus próprios limites,me coloco acima do outro e desta forma não o vejo em sua dor, fragilidade e até mesmo força, pois sinto medo. Isso me afasta e impede a escuta, e da lição que preciso aprender.

  • QUANDO ESPERO ALGO DO OUTRO

Ao me expor a alguém com expectativas, de fato não o alcanço, pois estou me relacionando com minhas próprias imagens internas, com meu conceito idealizado e com isso perco de vista a riqueza que reside na subjetividade e singularidade do outro.

Da mesma forma, quando para me comunicar crio expectativas sobre mim mesmo, como se tivesse que preencher a expectativa do outro, ter todas as respostas, fracasso. Perco a oportunidade de crescer e me desenvolver com o meu “não saber”, pois só a ignorância me leva ao conhecimento.

 

6. A COMUNICAÇÃO DOS FILHOS

E os filhos? Como se comunicam?

As crianças perguntam querendo saber… olham querendo ver…falam querendo mostrar…sua ignorância, seu desejo, sua percepção, sua compreensão.

Estão totalmente abertos a aprender, com sua saudável curiosidade, com suas dúvidas, com suas associações puras denunciando muitas vezes o que nós pais teimamos em não querer ver.

 

7. COMO OS FILHOS DESENVOLVEM A VISÃO DO MUNDO?

Através da forma que nós pais lhes ensinamos!

Por exemplo, se diante uma pergunta tão simples,”mamãe, você está chorando?”, quando de fato está chorando e você responde, “Não, foi um cisco em meu olho”, você estará contribuindo para que esta criança não confie no que vê, percebe e sente.Provavelmente este padrão de “esconder” a informação é comum na dinâmica relacional e de comunicação de sua família e isto afetará a forma que esta criança perceberá o mundo.

 

“Dizer não é ensinar e Ouvir não é aprender.”

Bob Barkley

Não estou aqui dizendo que você deveria contar a razão de seu choro se não for para o conhecimento da criança. quero dizer que a verdade, promove saúde. Simplesmente poderia responder, “ sim mamãe está chorando…porque está triste pois a vovó morreu, mas estou assim porque gostava muito dela, mas aos poucos, essa tristeza passa e aí mamãe conseguirá lembrar-se dela com toda a alegria, pois a vovó era muito legal”. Ou, se não for para os ouvidos da criança, como questões referentes ao trabalho e sobretudo ao relacionamento do casal, diga simplesmente,” sim, mamãe está triste, mas não é nada com você e logo logo mamãe estará bem, pois sabe como resolver.”

Somos porto seguro para nossos filhos, portanto responsáveis por eles e a comunicação clara e amorosa, exercitada com discernimento e querer bem,  ampliará a saúde emocional, cognitiva e relacional de nossos filhos.

Coração de criança leva ao pé da letra o que você diz…Escolha com cuidado as palavras com as quais lhes apresentará o mundo.

Se digo diante do “ erro”:

  • Você não sabe nada! A criança duvidará de sua capacidade.
  • Você me irrita com tantas perguntas! Ela silenciará suas dúvidas, inibirá seu desejo em querer saber.
  • Você me dá muito trabalho, me cansa com sua agitação! Ela se sentirá sempre inadequada e insuficiente  diante do mundo.
  • Se diante do  “erro” digo…que bom, mais uma chance para aprendermos,ela aprenderá a não desistir!

Portanto, temos que estar conscientes que quando falamos, quando calamos, afetamos diretamente a forma da criança se ver e ao mundo.Que palavras escolho para direcioná-las, para presenteá-las? Com que palavras eu pai, eu mãe, reconheço o mundo? Nós escrevemos o enredo de nossas vidas, quando reconhecendo tudo que vivemos, de bom ou ruim, escolhemos o que deve permanecer e o que devemos renunciar.

Mãos à obra! Estamos sempre no início de um novo ciclo, de uma nova história para contar. Façamos isto com verdade e amor!

Que nossa comunicação seja música com muitos e variados tons que se harmonizam produzindo equilíbrio, alegria e gratidão.

 

Os 4 PILARES para a boa comunicação entre pais e filhos

Pilares fundamentados nas 3 leis básicas da vida, EQUILÍBRIO, ORDEM e PERTENCIMENTO (segundo Bert Hellinger)

1) Olhar e Ver

Eu vejo você e me exponho a você.

Esta postura contempla a Lei do Equilíbrio, que nos ensina que na medida em que recebo,  retribuo. Este equilíbrio gera respeito e amplia a possibilidade de uma boa comunicação.

Quando me disponho a de fato olhar o outro e o ver em sua alegria, dor, medo ou realização, força ou fragilidade, e na mesma medida me exponho, crio condições de continuidade e crescimento (da percepção sobre o outro como é e ) no relacionamento. Desta forma também permito que o outro se sinta percebido e pertencido à minha atenção, assim como eu à ele.

 

2) Ouvir e escutar

Eu escuto a você e me afasto do meu saber por um momento.

Pergunto de fato querendo saber.

Para que esta postura seja possível, devo respeitar a Lei da Ordem, que nos ensina que quem veio antes, tem prioridade sobre quem vem depois, portanto quando alguém fala comigo sobre algo que é dela, que ela está vivendo ou sentindo, eu escuto pois venho depois, ou seja, não sei sobre o que ela sente ou pensa, portanto silencio e a acolho em sua fala.

Somente depois, do meu lugar, daquele que nada sabe e chegou depois, falo, não querendo resolver, mas querendo saber, entender e na aceitação desta condição, a comunicação flui em respeito e assim permite a compreensão e talvez a resolução.

 

3) Fazer e Sentir

Eu sinto você e percebo como reajo a você.

Nossas ações tocam uns aos outros.

Quando faço algo ou você faz algo a mim, preciso permanecer atento para perceber como o que sinto me faz reagir. Se fico leve ou pesado, tenso ou aliviado, forte ou fraco.

Nesta postura consigo diferenciar melhor o que é meu e o que não é, ou seja, se estou ou não em meu lugar. Pois somente no meu lugar (ordem) cresço equilibradamente.

 

4) Estar presente

Esta postura reforça o sentimento de pertencimento.

Me mantenho atento tendo como prioridade você em seu momento, em sua fala, em suas expressões. Adio minha pressa, minhas tarefas, para me dedicar, mesmo que por poucos minutos, interiormente à você.

 

Precisa de ajuda para se comunicar melhor com seu filho?

Sim! Necessitamos de ajuda e isso é bem normal. O filósofo Cortella sabiamente nos diz que “não nascemos prontos” e essa é uma grande verdade.

Para ser pai e mãe não existe receita, então, o caminho é muito amor e muita disponibilidade de se entregar ao processo de crescer e aprender.

Aqui no Instituto também somos pais e sabemos quantos desafios a paternidade e a maternidade nos impõe: por isso, criamos um Programa para apoiar os pais nesta jornal: o Educando Nossos Filhos.

Se você se sentiu tocado, esta pode ser a hora de começar a transformar essa relação com seus filhos. Experimente, vai valer a pena: inscreva-se em nosso grupo de pais e receba nossos materiais e convites para nossos cursos e seminários.

SIM, EU QUERO TRANSFORMAR A RELAÇÃO COM MEUS FILHOS


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