Sou Constelador, e agora? Módulo Avançado para alunos e consteladores formados

 Módulo Avançado

Sou Constelador, e agora?

 – Os desafios de ser um Constelador Sistêmico – 

Quando – 12 E 13 DE MAIO

12 de maio – das 9h às 18h
13 de maio – das 9h às 16h

Local: Hotel Mercure – Itacorubi – Florianópolis/SC

Módulo Avançado da Formação em Constelações Sistêmicas segundo Bert Hellinger do Instituto Ipê Roxo.

Inscrições Aqui: http://bit.ly/DesafiosDeSerConstelador

|| PROGRAMA ||
* Postura do Constelador
* Desafios de um constelador sistêmico
* Lugar do terapeuta
* Centramento
* Silêncio
* Ordens de ajuda
* Supervisão – casos difíceis, onde o profissional não consegue avançar.
* Dúvidas

|| A QUEM SE DESTINA ||
* Consteladores já formados que desejam fazer reciclagem
* Pessoas que estão em formação em constelações
* Alunos em formação no Ipê Roxo Instituto



Constelador: profissão? Nova técnica? Método eficaz?

Texto de Maria Inês Araujo Silva

Para muitos talvez possa sim, ser visto e vivido como uma nova ferramenta, um novo recurso que irá potencializar seu fazer profissional. Para outros talvez a solução mágica para seus problemas mais urgentes.

Efetivamente, no entanto, ser constelador vai para além do manejo eficiente de um constructo técnico, de uma técnica.

O quê muda? Sou psicólogo, médico, empresário, advogado, juiz e não posso me intitular Constelador?

A Jornada

Hoje, compreendo o que me foi dito no primeiro dia de meu curso de formação em Constelações Sistêmicas Familiares e Organizacionais: “Vocês vieram buscar aqui conhecimentos, técnicas? Sinto muito, aqui não encontrarão. Aqui apenas desenvolvemos postura.

Como assim, postura? Refleti.

Eu sou uma profissional reconhecida, conceituada, postura eu tenho, sempre tive, ponderei e esperei, com curiosa inquietação e no momento com justificada indignação.

Aos poucos, nesta desconstrução de conhecimentos, certezas, conceitos, fui entrando em contato com o conceito de postura, que àquela época, meus professores nomeavam como, postura fenomenológica (do grego fainomal: apareço, me manifesto).

As constelações sistêmicas familiares utilizam a fenomenologia como forma de tornar visível o campo mórfico, este campo ciente dos sistemas, aqui no contexto do sistema familiar (descrito por Rupert Sheldrake como invisível e composto por energia sistêmica – não matéria).

 

Os Campos Mórficos

O campo carrega as informações destes sistemas e as atualizam sempre no presente, a fim de lançar luz aos vínculos ocultos de amor que guiam as pessoas e seus destinos, demonstrando esta ligação para além do que se vê e sabe.

Como acessar estas informações? Apenas se nos expusermos, à este campo sem julgamentos, preconceitos e intenções, pois deste lugar poderemos lançar luz sobre o que se mantém oculto e o que é essencial à esta família se revela, à ela, não à nós.

Atenção: neste campo nada sabemos, somos os últimos a chegar e os primeiros a sair e somente diante do consentimento do cliente, de nosso lugar, se nos for permitido, poderemos guiar o cliente para que perceba o que atua no amor desta família e assim ao liberar a força do amor que cura, possa seguir.

 

O Desafio

Nosso trabalho aqui é infinitamente pequeno… talvez cirúrgico no seu movimento, preciso, mas mínimo. A força reside e está nas famílias, não em nós.

À esta verdade Constelador, curve-se. E se ainda não o fez, sugiro que reconsidere e recue. Talvez possa fazer outra coisa, boas coisas, mas não ser constelador.

Eu, constelador não se alcança com o conhecimento teórico que recebemos no processo do curso, mas tão somente com coragem, humildade e entrega.

Coragem para enfrentar a inquietação que sentimos ao precisarmos renunciar àquilo que nos orientou durante tantos anos em nossa vida.

Coragem para nos experimentarmos em um saber novo que nos incomoda, desacomoda e desafia, onde somente a aceitação ao que se mostra, sem que desejemos que seja diferente, nos faz prosseguir em direção à esta postura. Sim, coragem para decidirmos nos entregar ao movimento que se inicia e se faz para além de nossas ideias, desejos e julgamentos.

Devemos, para desenvolvermos a postura do constelador, sermos humildes para aceitarmos que neste processo somos pequenos, os últimos e que ”não saber”, “não ajudar”, “não reivindicar” é aqui o que de fato ajuda, libera e cura.


Módulo Avançado: ‘Sou Constelador, e agora?’ nos dias 12 e 13 de maio, está com as inscrições abertas.

http://bit.ly/DesafiosDeSerConstelador


Existe Cura?

Sim. Mas não a cura que poética ou infantilmente aprendemos ser a certa e portanto buscamos, como por exemplo, estou com câncer e não terei mais o câncer; Estou deprimido e me tornarei efusivo, alegre e feliz.

 

Me refiro aqui à cura de nossa arrogância infantil que crê que podemos fazer e ser para além do que nos é de direito, do que nos é permitido. A cura para um sistema familiar muitas vezes não se resume no alívio e bem estar do cliente, mas em um movimento mais profundo que, se aceito, promoverá a liberação das gerações deste sistema que estão por vir.

É para além do cliente. O trabalho do constelador é para o sistema do cliente. Não há milagre, mas há cura quando nos curvamos reverentemente ao que é sagrado nesta família.

 

Acessando a força do nosso sistema

Em um conto maravilhoso (“Onde estão as moedas, um conto de nossos pais”), escrito por Joan Garriga Bacardi, ele nos ensinou sobre o amor que cura e traz prosperidade e o amor que adoece e traz angústia, solidão e dor. Ele revela a força de nossas raízes, nossos pais e como podemos acessar este amor que cura ao tomarmos, aceitarmos as “moedas” que nos cabem na vida.

Ali, ele ensina que há dois tipos de terapeutas: os que pensam que têm as moedas de seu cliente e os que sabem que não as tem.

“Os terapeutas que creem ter as moedas criam vínculos importantes, estreitos e prolongados com seus pacientes. Os que sabem que não as têm sentem que só estão de passagem, um tempo, nada mais e ajudam com respeito e completude. São humildes.

Ambos tratam de fazer o melhor e ajudam à sua maneira.

Os que pensam que tem as moedas se relacionam com seus pacientes em contrapartida à seus pais e se colocam entre os dois como melhores que os pais. Ao excluir aos pais de seu coração e apontar-lhes com o dedo acusador, alimentam a falsa força do paciente e a criança que vive em seu interior continua amando profundamente seus pais e os guarda literalmente, embora em outro nível, pela pungência das feridas ou outras causas, não conseguem tomar suas moedas.

Nas profundidades da alma, embora o filho rechace  seus pais, também se identifica com eles. E, quando não pode tomá-los e querê-los, tampouco consegue querer a si mesmo.”

Esta percepção que nos é concedida através desta postura, preconiza que nós psicólogos, médicos, teraputas, professores, juízes, profissionais de ajuda, não possuímos as moedas necessárias para promover a cura, a liberação da dor ou a resolução dos problemas das pessoas.

Não as temos, mas sim, devemos saber onde estão para guiarmos, acompanharmos as pessoas que nos procuram em sofrimento à quem verdadeiramente possui esta força de transformação, sua própria família!!!

 

Assuma as SUAS moedas,  Constelador.

E para isto, você constelador, terapeuta, profissional de ajuda, se ainda não tomou “suas próprias moedas”, cuidado, poderá se perder no caminho.

É leve quando o cliente encontra o constelador onde deve estar, no centro, na renúncia, no silêncio. Assim eu vou me tornando constelador, quando seu que do outro nada sei e me disponho a lhe mostrar, se quiser ver, a chave para seguir.

Há um trecho de uma estória nos presenteada por Bert Hellinger, que se intitula “0 Centro”, que ilustra belamente esta postura.

“Alguém encontra um velho mestre e pergunta-lhe:’como é que você consegue ajudar outras pessoas? Elas costumam procurá-lo, para pedir-lhe conselho em assuntos que você mal conhece. Não obstante, sentem-se melhor depois’.

O mestre lhe responde: ‘Quando alguém pára no caminho e não quer avançar, o problema não está no saber. Ele busca segurança quando é preciso coragem, e quer liberdade quando o certo não lhe deixa escolha. Assim, fica dando voltas.

O mestre, porém, não cede ao pretexto e à aparência. Busca o próprio centro e, recolhido nele, espera por uma palavra eficaz que o alcance, como alguém que abre as velas e aguarda pelo vento. Quando alguém o procura, encontra-o no mesmo lugar aonde ela própria deve ir, e a resposta vale para ambos. Ambos são ouvintes’.

E o mestre acrescenta: ‘No centro sentimos leveza’.”

O Centro

Eu, você, que ousamos nos intitular consteladores estamos dispostos a sermos encontrados no “centro”?

Ali, onde o fenômeno se mostra e temos condição de segui-lo?

Para isto temos que ter coragem, como nos ensina o mestre; respeito e aceitação ao que é, ao que se mostra exatamente como é.

Ser constelador não é uma técnica que se aplica, mas uma postura de vida que se alcança na decisão de se expor e aceitar a vida e a morte como é. A decisão de nos afastarmos todos os dias, muitas vezes ao dia do julgamento, da exclusão e da arrogância.

Muitas técnicas, orientações, conhecimentos, ajudam pessoas, e isso é bom. Porém, ser constelador passa pelo suportar o não saber, a renúncia à intenção sobretudo de ajudar. O constelador deve afastar-se dos preconceitos que excluem e estreitam nosso olhar, nos impedindo de verdadeiramente servir.

 

Como posso ajudar o sol a brilhar?

Ele brilha por si só, mesmo sob as nuvens. Dessa forma, como posso evitar a dor de alguém que perde um ser amado? Não posso.

Posso sim, aceitar que esta pessoa sofre e que tem em si os recursos necessários para lidar com esta dor e sobretudo tem o direito de usar ou não estes recursos para liberar-se ou escolher perpetuar este sofrimento.

E eu constelador? Eu me curvo, aceito, concordo e me recolho.

Este é o caminho que permanece no fluxo da vida e da morte.

Dispostos a trilhá-lo?

Sejam bem vindos!


6 comentários sobre “Sou Constelador, e agora? Módulo Avançado para alunos e consteladores formados

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