Preservando os filhos durante o divórcio – um olhar a partir das Constelações Familiares

Ilustração: Igor Morski

Constelação Familiar – A ciência das leis da vida

O trabalho com as Leis de Bert Hellinger, criador das Constelações Familiares transformaram o nosso olhar para as dores e dificuldades que envolvem as relações humanas e nos mostram caminhos possíveis em direção à paz e equilíbrio, mesmo nos momentos mais difíceis que todos nós passamos em nossas vidas.

Uma das grandes dores e desafios para uma família é passar por uma separação e divórcio com equilíbrio, preservando os filhos de se colocarem ou serem colocados no meio do conflito entre os pais.

Filhos: continuidade de dois sistemas unidos para sempre

Os filhos serão sempre a continuidade de dois sistemas familiares (do sistema familiar do pai e do sistema familiar da mãe), portanto o futuro do amor que, geração após geração, estas famílias ofereceram ao mundo. Para ambos os sistemas, os filhos representam o futuro e é para eles muitos dos esforços que ambos os sistemas oferecem, mesmo que não seja algo conscientemente percebido pelo grupo.

Todo relacionamento é construído sobre sonhos, sobre desejos de projetos em comum. Ele começa no sim entre um homem e uma mulher, que mesmo que por um momento permitiram que o amor à vida viesse através dos filhos.

Muitas vezes, o amor entre o casal termina e com isto o relacionamento, mas o vínculo construído através da vida dos filhos, este permanece para sempre.

Os pais devem em primeiro lugar reconhecer que os filhos são parte do pai e da mãe e como tal devem ser respeitados.

O direito sistêmico

A Constelação Sistêmica de Bert Hellinger tem encontrado aplicações em áreas distintas. O desenvolvimento sistêmico atua no campo familiar, pedagógico, organizacional e também no judiciário.

O Direito Sistêmico preocupa-se em encontrar uma verdadeira solução sistêmica. Ainda que existam leis reconhecidas e implementadas na sociedade, nem sempre as relações humanas se estabelecem somente conforme elas.

Muitas vezes, a aplicação da lei em uma decisão judicial pode trazer um alívio momentâneo, mas pode não resolver a raiz do problema.

Por exemplo, em um caso de divórcio:

Ainda que se estabeleça o valor de uma pensão, o regime de guarda dos filhos, responsabilidades e compensações, caso os pais continuem se atacando mutuamente, este conflito se tornará um fardo para o filho, que se sentirá dividido e alvo de todos os ataques direcionados entre os pais. A família permanecerá dividida e embora as leis tenham sido aplicadas, o caso não está realmente resolvido, a decisão trouxe uma resolução, mas não uma solução de paz para o conflito. A lealdade do filho a ambos os pais transforma essa situação em um grande risco para seu bem-estar e desenvolvimento.

Experiências recentes com o Direito Sistêmico em casos de divórcios

Recentemente As impressões de um Juiz de Direito que estuda e aplica as Constelações no Judiciário, que trazemos a seguir, nos trazem alguns insights novos e nos mostram qual poderia ser este caminho.

Neste excelente artigo, originalmente publicado em seu Blog Direito Sistêmico, Sami Storch nos fala sobre o divórcio e também sobre a atuação do juiz de uma forma totalmente NOVA.



“Numa ação de divórcio, a solução jurídica relativa aos filhos menores pode ser simplesmente definir qual dos pais ficará com a guarda, como será o regime de visitas e qual será o valor da pensão. É o que usualmente se faz. Mas de nada adiantará uma decisão judicial imposta se os pais continuarem se atacando.

Independentemente do valor da pensão ou de quem será o guardião, os filhos crescerão como se eles mesmos fossem os alvos dos ataques de ambos os pais.

Uma ofensa do pai contra a mãe, ou da mãe contra o pai, são sentidas pelos filhos como se estes fossem as vítimas dos ataques, mesmo que não se dêem conta disso. Sim, porque sistemicamente os filhos são profundamente vinculados a ambos os pais biológicos. São constituídos por eles, por meio deles receberam a vida.

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O filho não existe sem o pai ou sem a mãe e, seja qual for o destino que os filhos construírem para si, será uma sequência da história dos pais.

Por isso é que, mesmo que o filho manifeste uma rejeição ao pai – porque este abandonou a família ou porque não paga pensão, por exemplo – toda essa rejeição se volta contra ele mesmo, inconscientemente.

Qualquer ofensa ou julgamento de um dos pais contra o outro alimenta essa dinâmica, prejudicial sobretudo aos filhos. O mesmo ocorre quando o juiz toma o partido de um dos pais contra o outro, reforçando o conflito interno na criança.

A solução sistêmica, para ser verdadeira, precisará primeiramente excluir os filhos de qualquer conflito existente entre os pais, para que os filhos possam sentir a presença harmônica do pai e da mãe em suas vidas.

O juiz, por sua vez, antes de decidir, deve considerar essa realidade e ter em seu coração as crianças e ambos os pais, além de outras pessoas eventualmente envolvidas, sem julgamentos de qualquer tipo.

Com tal postura, por si só, o juiz já estará facilitando uma conciliação entre as partes (que constituem um só sistema). E caso se faça necessária uma solução imposta, esta será mais bem recebida por todos, pois todos sentirão que foram vistos e considerados pelo juiz.

Que fique bem claro: isso não impede que o pai e a mãe discutam as questões necessárias, judicialmente ou não, desde que isso se dê entre eles, sem o envolvimento dos filhos, nem que o juiz decida as demandas que lhe forem postas.”

Sami Storch

Juiz de Direito brasileiro que recentemente foi premiado pelo Conselho Nacional de Justiça por seu incansável e visionário trabalho para que a Justiça brasileira seja cada dia mais conciliatória. Ele o faz através da aplicação de todo o trabalho com as Leis Sistêmicas do Relacionamento Humano trazidas por Bert Hellinger, filósofo alemão e criador das Constelações Familiares.

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A adoção da Constelação Familiar como metodologia na solução de Conflitos na Justiça está amparada na Resolução 125/2010 do CNJ e também está prevista no Novo CPC, art. 3º e art. 694, que determina a utilização de outros métodos de solução consensual e de profissionais de outras áreas do conhecimento para mediação e conciliação.

 

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2 comentários em “Preservando os filhos durante o divórcio – um olhar a partir das Constelações Familiares

    • Sim Maria, realmente. A Constelação é um método maravilhoso, e que pode proporcionar conciliação e melhores resoluções de conflitos sem tantos traumas.
      Equipe Ipê Roxo.

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