Diário do Ipê: A Experiência de participar de um Retiro de Yoga + Constelação

O Instituto Ipê Roxo foi o convidado especial este ano do Retiro de Carnaval com Marco Schultz, que aconteceu durante o feriado de carnaval em Garopaba. Durante 4 dias, vivenciamos o campo sagrado que se mostrou nas dinâmicas.

 

Retiro de Yoga, Meditação e Constelação

Texto por Maria Inês Araujo Garcia Silva, Consteladora Sistêmica do Instituto Ipê Roxo.

 

Retirar-me de onde?

Retirar-me de quê?

Retirar-me de quem?

Perguntas que me fiz ao aceitar o convite de Marco Schultz para vivermos um retiro de yoga, meditação e constelação familiar neste carnaval de 2017.

O meu sim em total sintonia com o desafio que este convite me impunha, me levou ao que lá, nomeamos de “almaval”.

Rumo à Montanha Encantada…curiosidade..não conhecia o espaço…e sim, ao chegar, pude sentir na mata preservada, no cuidado, na beleza, o encanto.

Não estava somente nos olhos de quem via, mas na força exuberante, delicada e presente da natureza, que ali já nos instruía. O espaço é lindo, flores, pássaros, borboletas…centenas delas.

Ao que é e se mostra, não há como negar. A montanha nos encanta se abrirmos a alma para recebê-la assim como ela nos recebe… Presente, permanente em sua metamorfose diária, impermanente ao se curvar ao ciclo da natureza.

Maria Inês Araujo, Marco Schultz e Paulo Pimont

A primeira “orientação” que recebi ao chegar veio de uma placa estrategicamente colocada em nosso caminho: SILÊNCIO. Aí se iniciou a percepção consciente do processo que vivenciaríamos nestes quatro dias.

Meu primeiro movimento foi buscar silenciar minhas perguntas, dúvidas, expectativas e ali, diante daquela placa, decidi, de forma bem consciente me deixar conduzir pelo campo de “ser viço” que este retiro nos convidava a fazer. Minha voz interna me instruiu: Silencie… se permita ser guiada por algo maior que aqui está e você já vê.

Foi assim que como todos, fui recebida e conduzida pela equipe maravilhosa que nos acolheu e atendeu, com harmonia, disciplina e leveza.

Quando fui convidada a entrar no salão-templo onde os trabalhos aconteceriam, a emoção foi imediata. Ali o essencial já se mostrou. Um campo sagrado, onde independentemente de sua fé ou não fé, de seu medo ou coragem, de suas expectativas positivas ou negativas, o sagrado se impôs e à ele me curvei e me deixei conduzir.

Aqui falo também pelo Paulo, com quem iria conduzir as constelações, percebemos que muito do que havíamos preparado, ali naquele momento precisou ser renunciado, pois o campo nos conduzia a algo totalmente novo. E assim fizemos, nos deixamos conduzir por este campo que “sabe” e nos “toma” à seu” SER VIÇO”.

O essencial é simples, e neste final de semana o Marco desmistificou com seus ensinamentos, os estereótipos que construímos sobre yoga, meditação e assim pudemos experimentar no silêncio, no nobre silêncio, como ele nomeava constantemente, o estado de vazio necessário para acolhermos algo maior que nossa ideias, intenções e desejos, o outro em sua inteireza.

Rilke, quando se refere à transmissão contínua de memórias e conhecimentos, diz que ela se forma no silêncio, pois somente nele ouço meu coração em sintonia com o todo e portanto com o Seu coração.

Ao silenciarmos o coração ouve o que é essencial.

O coração aberto ao silêncio, se amplia, ouve e sente tudo amorosamente e deste lugar o Divino em mim, em tudo e em todos.

Com esta postura, alcançada com a meditação, pude ouvir a voz da alma que sabe e se cala frente a arrogância e o medo e fala diante da humildade, aceitação e entrega.

Como consteladores sistêmicos, como pessoas, para fortalecermos nossa postura de centramento, de não julgamento e de conexão com a alma do outro, a meditação, a yoga como entendimento e postura de vida, certamente auxilia e possibilita este estado de silêncio necessário para que possamos servir sem inter”ferir”.

Neste sagrado silêncio encontramos a alma do outro e constatamos nossa conexão. Somos todos um, portanto responsáveis, capazes de fazermos escolhas e diante do que é, nos curvarmos reverentemente.

Agradeço pessoalmente e em nome do Instituto Ipê Roxo, o convite do Marco para trabalharmos neste campo da ioga e da meditação com as constelações sistêmicas familiares. Pudemos perceber que constelação é yoga e yoga é constelação, como postura diante a vida. Foi bastante importante compartilharmos esta vivência com alunos que lá estavam, meu marido Roberto que me acompanhou nesta jornada, bem como a Nicole, esposa do Paulo, que para nos acompanhar abriram mão de seus programas e assim pudemos em sintonia viver esta experiência. Comungamos do sim ao quê é e como é.

Foi uma experiência maravilhosa onde a força das constelações se ampliou e deste lugar, convidamos todos vocês, principalmente aos consteladores, viverem esta transformadora experiência.

Saímos plenos, serenos e íntegros deste processo.

Namastê!

Maria Inês Araújo Garcia Silva


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