Contos de Clarissa Pinkola Estés e Constelação Familiar de Hellinger – Grupos de Lobas e o trabalho do feminino no Instituto Ipê Roxo

Conheça o trabalho para mulheres desenvolvido pelo Ipê Roxo, chamado de “Grupo de Lobas”, baseado no livro “Mulheres que correm com os Lobos”, da P.hD Clarissa Pinkola Estés. 

O livro “Mulheres que correm com os Lobos” de Clarissa Pinkola Estés, é a base do trabalho feito nos grupos de Lobas do Ipê Roxo.

Liderado pelos psicólogos Sonia Farias, Paulo Pimont e Geiziane Barcelos Braglia, o grupo trabalha os arquétipos femininos através dos contos descritos no livro da escritora americana, estabelecendo através das histórias e da Constelação Familiar o contato das mulheres participantes com o centro do seu ser e da condição feminina no mundo de hoje.

O grupo é um lugar de cura e desenvolvimento, que traz o contato com a força interior das participantes. É também um lugar de confiança, onde as mulheres se encontram e se apoiam mutuamente. Todas num movimento de desabrochar e assumindo o seu poder interno.

Sonia Farias, psicóloga e consteladora do Instituto Ipê Roxo, escreveu sobre este trabalho realizado no Grupo de Lobas:

1 – O que significa trabalhar com Dra. Clarissa Pinkola Estés?

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Significa estar à serviço de um amor profundo, que sabe posicionar o feminino em seu lugar de honra na sociedade.

Clarice Lispector, o filósofo Spinoza e Clarissa Pinkola Estés, todos eles afirmam em tempos e formas diferentes a mesma máxima, de que é na natureza que encontramos o coração selvagem.

É no coração selvagem que encontramos a simplicidade da vida que anima todo o universo. A fidelidade a essa natureza simples é a meta mais nobre de todas!

Especialmente para Dra. Clarissa, no silêncio de cada conto aprendemos a buscar o coração selvagem. Eis sua grande proposta com comentários sábios, onde realizamos doces e inesquecíveis viagens, surpreendidos por lembranças e memórias.

“Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas.”

Clarissa Pinkola Estés

Os contos conclamam o que cada mulher deve ouvir no fundo do seu coração: “Separe tempo para ficar mais perto de si, nada de saudades de você mesma por muito tempo.

Privar-se de sua própria presença é um perigo”. Conhecendo Vasalisa – o conto russo –  essa verdade se torna irrevogável.

2 – A quem se destina “Mulheres que correm com os Lobos”?

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A toda pessoa disponível a desaprender, despir quaisquer mantos falsos recebidos, para aprender mais a respeito de si mesma, assumindo seu manto verdadeiro do poder do conhecimento e do instinto.

Para isso, a mulher é encorajada a invadir seus próprios terrenos psíquicos, aqueles que um dia lhe pertenceram. Finalmente, aprender a desfraldar as faixas, preparar a cura.

E por que os Lobos? Dra Clarissa nos fala belamente:

“Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Tem experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e extrema coragem.”

Clarissa Pinkola Estés

3 – Como acontece o trabalho Grupo Lobas?

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No Ipê Roxo pequenos grupos de mulheres se encontram ao redor de um conto.

Todas o recebem como um precioso presente, que delicadamente abrem juntas e aos poucos. Assim passam a reconhecer mitos e histórias de antiquíssimos arquétipos atuantes na psique feminina.

Quando acessamos arquétipos de vida podemos dizer SIM à  vida. Assim afirmou Clarice Lispector: “Viver é não morrer”! E viver a mulher selvagem, além de não morrer é viver em novidade de vida!

“E então, o que é a Mulher Selvagem? Do ponto de vista da psicologia arquetípica, bem como pela tradição das contadoras de histórias, ela é a alma feminina. No entanto, ela é mais do que isso. Ela é a origem do feminino. Ela é tudo o que for instintivo, tanto do mundo visível quanto do oculto – ela é a base.

Cada uma de nós recebe uma célula refulgente que contém todos os instintos e conhecimentos necessários para a nossa vida. Ela é a força da vida-morte-vida; é a incubadora. É a intuição, a vidência, é a que escuta com atenção e tem o coração leal.

Ela estimula os humanos a continuarem a ser multilíngues: fluentes no linguajar dos sonhos, da paixão, da poesia. Ela sussurra em sonhos noturnos; ela deixa em seu rastro no terreno da alma da mulher um pêlo grosseiro e pegadas lamacentas.

Esses sinais enchem as mulheres de vontade de encontrá-la, libertá-la e amá-la.
Ela é idéias, sentimentos, impulsos e recordações. Ela ficou perdida e esquecida por muito, muito tempo. Ela é a fonte, a luz, a noite, a treva e o amanhecer. Ela é o cheiro da lama boa e a perna traseira da raposa. Os pássaros que nos contam segredos pertencem a ela. Ela é a voz que diz, “Por aqui, por aqui”.

Ela é quem se enfurece diante da injustiça. Ela e a que gira como uma roda enorme. É a criadora dos ciclos. É à procura dela que saímos de casa. É à procura dela que voltamos para casa. Ela é a raiz estrumada de todas as mulheres. Ela é tudo que nos mantém vivas quando achamos que chegamos ao fim. Ela é a geradora de acordos e idéias pequenas e incipientes. Ela é a mente que nos concebe; nós somos os seus Pensamentos.”

Clarissa Pinkola Estés

4 – Por quê contos? 

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A máxima no trabalho com os contos é:

“O conto dá conta”!

“Contoterapia” foi o nome que ganhamos a partir do Grupo Lobas. Há 20 anos atuamos com mulheres, e desde então, mudanças que nunca pensávamos passaram a fazer parte do nosso trabalho clínico.

Impressionante o quanto um ‘Conto’ abre a mente, alarga o coração, oferta espaço a sonhos e desejos esquecidos.

Semanalmente passamos a ver e ouvir mulheres se permitindo tentar o “INTENTADO”. Sim, porque o conto leva-nos além.

Sim! A partir de tais experiências foi se confirmando o princípio áureo do Grupo Lobas: “O CONTO DÁ CONTA!”

HISTÓRIAS…podem ensinar, corrigir erros, iluminar o coração,
oferecer um abrigo psicológico, promover mudanças e curar feridas.

Clarissa Pinkola Estés

5 – Por que agregar a Constelação Familiar às Lobas?    

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Trabalhar com as Lobas através dos contos do livro da Clarissa já era maravilhoso. Agora, com a adição dos conhecimentos das Constelações, que passaram a fazer parte dos nossos encontros, nossas vivências se intensificaram. Cada encontro mergulhamos mais profundamente nos arquétipos do universo feminino e redescobrindo a força familiar da nossa história.

Muitas vezes, o trabalhos de cura normalmente levam anos. Mas recebo depoimentos que depois de apenas sete encontros das Lobas já é possível perceber grandes transformações.

Eu como facilitadora credito o avanço do trabalho “Mulheres que correm com os Lobos” às constelações. Hoje nossos encontros são abertos a mais esse avanço. Temos vivenciado os contos com o SIM pleno de alegria de cada participante.

6 – Por quê Grupo Lobas?

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Com “Mulheres que correm com os Lobos”, nossa equipe de trabalho (Sonia Farias, Paulo Pimont e Geizi Braglia) ganhou dia a dia um novo olhar.

Aprendemos a contemplar o universo feminino com os olhos da Mulher Selvagem. Cada sessão em grupo passou ser um Presente Poderoso de Vida. Como afirma seguidamente uma Loba: ‘Cada terça-feira com as Lobas, é mágico!’

São encontros transformadores, bálsamos para a alma, resgate das mortes prematuras.

De encontro a encontro a Mulher Selvagem é contemplada, compreendida e integrada. A vida é devolvida à mulher em doses homeopáticas.

Assim, de forma leve e bem natural, nascia algo novo em Florianópolis, o ‘Grupo Lobas’. Nome carinhosamente dado pelas próprias mulheres.

Enquanto corríamos com os Lobos, o feminino natural, selvagem e esquecido foi se descortinando; era a Mulher Selvagem chegando cantando o canto da criação sobre suas histórias de dores.

Exatamente como diz o conto de La Loba, uma vez todos os ossinhos resgatados e recolhidos, chega a hora de cantar e dançar. O canto que ressuscita uma nova mulher dentro da própria mulher.


Mulheres que se transformam

Elas entram nos encontros semanais de um jeito, e retornavam às suas casas e famílias de outro jeito. Muitas voltam chorando, mas, voltam brilhantes, criativas e apaixonadas.

Seus companheiros ficam profundamente agradecidos, outros nem tanto, entretanto as Mulheres que correm com os Lobos transformam-se em exemplos.

Influenciando suas filhas e as filhas de suas filhas e as filhas das filhas de suas filhas. Segundo Clarissa Pinkola Estés, o melhor que pode acontecer é que muitas ‘dessas filhas’ irão lembrar-se dela e oportunamente de La Loba também, e inexoravelmente seguirão seu exemplo.

Depoimento de uma participante

O Grupo Lobas na minha vida

Era outubro de 2016, e após uma crise de pânico e uma madrugada no pronto socorro com uma dor insuportável, devido a um espasmo de esôfago causado por estresse, que minha ansiedade chegou ao auge. Tomando há 3 anos medicação psiquiátrica para ansiedade e insônia, que a cada consulta tinha a dosagem aumentada, já tendo feito terapia e sentindo minhas feridas ainda doendo, eu me sentia perdida e sem saber a quem recorrer, que tratamento buscar, pra que lado ir. Só sentia que eu tinha que sair daquela situação, sabia que eu queria voltar a ter uma vida mais tranquila, sem remédios, com menos estresse e mais leveza. Que eu merecia mais qualidade de vida. Que eu precisava me reencontrar!

E foi assim que cheguei ao Grupo Lobas. Pelo Google, em alguma pesquisa aleatória que eu não saberia repetir, encontrei no site do Instituto Ipê Roxo o grupo de Lobas, e, sem saber exatamente do que se tratava, entrei em contato. Por sorte, soube que haveria uma reunião para formação de um novo grupo e fui convidada a participar, sem compromisso. Hoje sei que era a hora certa, era o chamado de “La Loba”. Hoje sei que o que procuro também está a minha procura…

Cheguei no dia e hora marcados, sem a menor ideia do que me aguardava, e da importância que aquele grupo teria na minha vida. Encontrei as outras mulheres que ali estavam e conhecemos a Sônia e a Geiziane, as psicólogas que nos orientariam naquele então desconhecido ‘mundo novo”, um mundo mágico, baseado no livro “Mulheres que Correm com os Lobos”, da analista jungiana Clarissa Pinkola Estes. Nos apresentamos umas às outras. Éramos todas “novatas”, e assim se formou nosso grupo.

 Nesta reunião ouvimos o primeiro conto. Na hora gostei muito, mas foi durante aquela semana que, devagar, parecia que algumas idéias iam clareando na minha mente. Algo começava a mudar…

E assim, a cada semana, com cada conto, com cada novo encontro, com cada situação trazida ao grupo por uma das Lobas, tenho a sensação de que pequenas luzes vão se acendendo na minha alma, e sei que é a minha Mulher Selvagem aflorando! Lentamente, a medida que os dias passam, vou enxergando um mundo de mais clareza e sabedoria. Percebi que as histórias, como Clarissa afirma no livro, são bálsamos medicinais, que tem força e que não exigem que se faça nada, que se seja nada, que se aja de nenhum modo, exigem apenas que prestemos atenção.

Apenas 4 meses se passaram desde o meu primeiro dia no Grupo Lobas, e posso afirmar que minha ansiedade diminuiu consideravelmente, meu pensamento acelerado agora já consegue se acalmar. Não tive mais crise de pânico, não tive mais gastrite ou espasmos de esôfago, nem a insônia diária que me atormentava. E a minha maior vitória foi conseguir, há um mês, parar de tomar todos os remédios para ansiedade e insônia, que já me acompanhavam há 3 anos! Hoje não preciso mais deles! Aprendi a ser gentil comigo mesma. Aprendi que minha missão como mulher é cuidar, curar e amar as pessoas, mas principalmente a mim mesma. Aprendi qual é o meu lugar, como filha, esposa, mãe e amiga. Aprendi a valorizar meus pais, a ser uma parceira de vida melhor para meu marido e uma mãe mais sábia para meu filho.

Sei que ainda tenho um caminho muito longo a percorrer, muito a aprender, sei que estou apenas no início deste processo. Mas ao mesmo tempo sinto que já percorri tanto! Que já “recolhi tantos ossos perdidos no deserto!” Que sou agora uma pessoa diferente, mais tranquila, mais ponderada e centrada, mais intuitiva, menos estressada e ansiosa. Sinto que o amor está mais presente em tudo que eu faço.

Quando cheguei ao Grupo Lobas, ouvi uma frase me marcou muito, e que foi o ponto de partida da minha mudança: “Aguarde. Confie. Faça sua parte. Você descobrirá seu próprio caminho”.

É isto! Estou descobrindo meu próprio caminho! Obrigada ao Instituto Ipê Roxo, às queridas Sônia, Geizi, e às colegas do meu grupo de Lobas, por me ajudarem nesta descoberta! Por me acompanharem nesta caminhada de luz e me acolherem com tanto carinho e atenção! Juntas somos mais fortes!

Isabela

Nome da paciente foi alterado por questões de privacidade.



O trabalho com os grupos de Lobas no Ipê Roxo

A grande idealizadora desta trabalho é a Psicóloga Sonia Farias. Com Pós-graduação em Terapia de Casal e Família pelo Instituto Phileo/PR, e Formação em Constelações Sistêmicas pelo Instituto Spelter/SP e por Hellinger Sciencia em Barcelona/Espanha, Sônia tem vasta experiência no atendimento psicoterapêutico de famílias, conduzindo-as a um caminho de crescimento e cura, através do reforço aos vínculos saudáveis de amor entre seus membros.

Há muitos anos entrou em contato com a livro da Dra. Clarissa e começou a trabalhar com ele, primeiro na terapia individual e depois em Grupo de Mulheres.

Com o passar do tempo, Sônia foi percebendo o poder restaurador contido em cada conto e foi vendo, com seus próprios olhos, o desenvolvimento e a recuperação da força, da auto-estima, do centramento das mulheres que participavam dos Grupos.

Há alguns anos, o colega Paulo Pimont passou a fazer parte da equipe de facilitadores do trabalho com os Contos de Clarissa e em 2016 Geiziane também passou a integrar a equipe.

Desde então, centenas de mulheres já participaram dos Grupos Terapêuticos semanais e também intensivos, em várias cidades de SC, PR e também SP.


Leia mais sobre “Lobas”

Grupo de Lobas: uma celebração sobre nosso ano de 2016.

Saiba mais sobre nossos encontro e datas aqui: Lobas


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5 comentários sobre “Contos de Clarissa Pinkola Estés e Constelação Familiar de Hellinger – Grupos de Lobas e o trabalho do feminino no Instituto Ipê Roxo

  1. Ola querida equipe.. mtooo bonito o trabalho de vcs!! Adorei..Parabéns… pena a sou de São Paulo e não posso participar!! Mas tb sou psicóloga e arteterapeuta e Consteladora sistêmica !! Tenho grupo de Contos e este ano quero incluir as constelaçôes.. inclusive trabalhamos muito bom a Pinkola… mas tenho dúvidas de como introduzir as constelaçôes.. vcs fazem exercícios sistêmicos com todas as participantes ou escolhem ou surge alguém do gp pra constelar?? Me formei em Constelações e já atendo em grupo e individual com bonecos e âncoras …Agora quero levar para p grupo de Contos !! Vcs por favor podem me orientar? Desde já agradeço com um forte abraço Rafaela Brito

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