Como a Adoção pode ser bem sucedida, aos olhos da constelação familiar sistêmica, de Bert Hellinger

Bert Hellinger - Constelacao Familiar - jpg “Quando os filhos não podem ser criados por seus próprios pais, a melhor alternativa serão provavelmente os avós. Estes, em geral, se aproximam mais das crianças. Se conseguem atraí-las, quase sempre cuidam muito bem delas – e a devolução aos pais é bem mais fácil. Não havendo avós vivos, ou caso eles não possam assumir o encargo, a próxima escolha é usualmente uma tia ou um tio. A adoção é o último recurso, e só deve ser cogitada quando ninguém da família está disponível.

Segundo minha experiência com famílias, o fator crucial são as intenções dos pais adotivos. Se realmente agirem no melhor interesse da criança, a adoção terá boa possibilidade de sucesso. Contudo, pais adotivos rearamente consideram o interesse da criança, e sim o seu próprio: não podem ter filhos e se rebelam contra as limitações que a natureza lhes impôs. Implicitamente, pedem à criança que os proteja de seu desapontamento. Quando é esse o caso, o fluxo básico do dar e receber, bem como a ordem dos relacionamentos, desarranja-se logo de começo; os pais sofrerão as conseqüências de seus atos ou sofrerão os filhos.

Quando os parceiros adotam uma criança movidos por suas próprias necessidades e não pelo bem-estar dessa criança, efetivamente a tomam dos pais naturais para beneficiar-se. É o equivalente sistêmico do roubo de crianças; por isso traz conseqüências muito negativas ao sistema familiar. Na verdade, não importam os motivos que levam os pais naturais a enjeitar um bebê; os pais adotivos costumam pagar o mesmo preço. Sucede com freqüência que casais se divorciem depois de adotar uma criança por motivos impróprios. Sacrificar o parceiro é a compensação por privar os pais naturais de seu filho. Em famílias com quem trabalhei, as conseqüências de adotar filhos por razões impróprias incluíam divórcio, doença, aborto e morte. Em sua forma mais destrutiva, essa dinâmica exprimiu-se pela e37717376_54d15f0d8a_onfermidade ou suicídio de um filho natural do casal.
Também não é incomum que filhos adotivos detestem seus novos pais e desprezem o que recebem deles. Nessas famílias, sucede muitas vezes que os pais adotivos se sintam secretamente superiores aos pais biológicos; o filho, talvez inconscientemente, demonstra solidariedade para com os pais naturais.

Às vezes, os pais naturais entregam os filhos para adoção sem necessidade. Então os filhos sentem um legítimo ressentimento contra eles, mas os pais adotivos é que passam a ser o alvo desse ressentimento. E as coisas pioram quando os pais adotivos assumem o lugar dos pais naturais. Se os pais adotivos têm consciência de que agem em substituição aos pais verdadeiros, os sentimentos negativos se concentram nestes e os adotivos ganham o reconhecimento que merecem. Trata-se de um grande alívio tanto para os pais quanto para os filhos adotivos.

Quando os pais adotivos ou de criação agem no interesse da criança, eles têm consciência de que são meros substitutos ou representantes dos pais biológicos, a quem ajudam a realizar o que não estava a seu alcance. Eles desempenham um papel importante, mas na qualidade de pais adotivos vêm depois dos pais biológicos, não importa o que estes sejam ou tenham feito. Se essa ordem for respeitada, os filhos podem aceitar e respeitar os pais adotivos.”

Bert Hellinger, A Simetria Oculta do Amor, Ed. Cultrix, pg. 121

 

4 comentários sobre “Como a Adoção pode ser bem sucedida, aos olhos da constelação familiar sistêmica, de Bert Hellinger

  1. Não concordo com isso. Se os pais biológicos não quiseram criar o filho, e este foi adotado por outro casal, não entendo pq os biológicos seriam mais importantes. Pai é quem cria!! Acho que esse tipo de pensamento valoriza demais a biologia, em detrimento dos laços espirituais que possam existir entre pais e filhos adotivos.

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    • Olá, Karla!
      O seu cometário é muito bem vindo.
      Do ponto de vista das Constelações Sistêmicas, não se trata de dar mais importância aos pais biológicos em detrimento dos adotivos. Trata-se somente de dar a devida importância para quem tem importância – incluir e aceitar a todos. Os pais biológicos são importantes porque geraram a vida do filho.
      E os pais adotivos têm sua importância também porque o criam, assim como você disse.
      Um abraço pra você.

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  2. Gostei mto!!!! Hellinger fala referente a adoção de uma maneira profunda, na qual nós pais do coração, devemos considerar que viemos depois dos pais biológicos, essencial para o relacionamento fluir de maneira saudável de modo que haja reciprocidade e respeito de ambas as partes…nosso filho fala comigo sobre sua história algumas vezes mas com o pai nunca falou!abc Cláudia

    Curtido por 1 pessoa

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